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JUSTIÇA POÉTICA

Do abandono parental afetivo,
nascerá uma besta-fera ou um cordeiro.
Neste indivíduo,
a fragilidade é hegemônica,
paralisa-o diante da vida.
Naquele, a revolta grita,
reivindica o que não teve,
não pede, toma-o coercitivamente.
Cordeiros, quando sós,
são meninos frágeis,
porém, quando juntos,
tornam-se ousados transgressores.
Ressentidos, almejam oprimir,
realizar a vingança
contra o mundo que os oprimiu.
Tendo a conivência e a omissão
daqueles que os gerou, fortalecem-se,
e acossam o mais inocente e fraco ser
– ritual de iniciação à dominação.
Executado o ato,
tornam-se senhores do pedaço,
imunes às consequências de suas ações,
porque, quando o dinheiro grita,
há distorção de valores.
Mas eis que das sombras surge a luz,
olhos vigilantes testemunham
a orelha massacrada.
E rapidamente a notícia se espalha,
incendeia o rastilho de pólvora a virtual multidão.
Depois de tudo exposto,
concretiza-se a justiça poética:
Quem um cão castiga,
logo será justiçado pela matilha.
 
Criado em: 28/1/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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