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Mostrando postagens de 2026

JUSTIÇA POÉTICA

Do abandono parental afetivo, nascerá uma besta-fera ou um cordeiro. Neste indivíduo, a fragilidade é hegemônica, paralisa-o diante da vida. Naquele, a revolta grita, reivindica o que não teve, não pede, toma-o coercitivamente. Cordeiros, quando sós, são meninos frágeis, porém, quando juntos, tornam-se ousados transgressores. Ressentidos, almejam oprimir, realizar a vingança contra o mundo que os oprimiu. Tendo a conivência e a omissão daqueles que os gerou, fortalecem-se, e acossam o mais inocente e fraco ser – ritual de iniciação à dominação. Executado o ato, tornam-se senhores do pedaço, imunes às consequências de suas ações, porque, quando o dinheiro grita, há distorção de valores. Mas eis que das sombras surge a luz, olhos vigilantes testemunham a orelha massacrada. E rapidamente a notícia se espalha, incendeia o rastilho de pólvora a virtual multidão. Depois de tudo exposto, concretiza-se a justiça poética: Quem um cão castiga, logo será justiçado pela matilha.   Criado em...

CONVERSÃO

  Uma terra invadida, de riquezas surrupiadas, de um povo escravizado, de um sistema clientelista e de um poder oligárquico, não possui uma Era de Ouro, apenas um passado inglório.   Porém, essa mesma terra de degredo, sob o toque midiático, converte-se num mundo de ouro. Porque, quando não se possui um passado de glórias, apropria-se de narrativas históricas – acervo imensurável de heróis e glórias.   Assim, customiza-se a realidade, não a favor de todos, mas de quem o poder ocupa.   Criado em : 24/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CALDEIRÃO

  Pegue datas históricas, símbolos míticos diversos e narrativas messiânicas. Junte tudo, prepare com esmero, depois de pronto, faça a propaganda nas distintas redes sociais. Logo comprarão a ideia, sem nada questionar, puro viés de confirmação. A revolta é um espelho para abstrações da realidade, e quem veste de verdade a sua versão insólita, com velhas poções, conquista seguidores, mas jamais indignados, questionadores do status quo .   Criado em : 23/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA

Apesar de jovem, já é um veterano na arte da manipulação. Nascido em um tempo tecnológico, todas as ferramentas estão à sua mão. Mas, tendo em seu séquito, pessoas revoltadas pela sobrevivência institucionalizada, tais instrumentos só comunicam a velha fórmula de adestrar o povo.   O novo líder que nasce, mostra-se em vestes opulentas, às vezes, sob capa de seda com franjas de algodão, noutras, sob capa de algodão com franjas de seda. Dualidade simbolicamente sutil, imperceptível para olhos manipulados, pois só veem a estética da superfície.   Remodelando o mito do “Salvador da Pátria”, busca a unidade entre seus pares. A turba se encanta com a eloquência, e, ao cair nas redes, vê-se enredada, presa por perversões retóricas da realidade.   Por meio de edições convenientes e de uma propaganda homérica, ao fim de sua versão da odisseia, será premiado com o Goebbels de Ouro.   Criado em : 21/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff   ...

CONVIVÊNCIA LINGUÍSTICA

  Há quem tendo provado da última flor do Lácio e amado, hoje, de novos pontos de vista conhecido e se tornado ativista, rejeita e renega as suas normas, para adotar novas formas que em nada a revoga, porque em favor da Sociolinguística advoga.   Chamam de caga-regras os que defendem a Gramática Normativa, justificam que a língua ela degenera, tornando-a menos inclusiva.   Gente que o conhecimento desumanizou dispõe de conveniente consciência, pois à guerra cultural se lançou em nome de uma pseudoindependência.   Haverá um mundo onde todos conviverão em paz, sem que se lance ao submundo aquilo que não nos apraz.   Criado em : 18/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

INVENTÁRIO MNEMÔNICO EXISTENCIAL

Ciente de que o tempo passa, e não acumula memórias existenciais, antes, tende a armazená-las temporariamente, decidi, em resina mnemônica, envolver as lembranças, na esperança de preservá-las, a fim de revisitá-las sempre que a nostalgia as solicitar a mim. Preservei inúmeras chegadas e partidas, de amores e de entes queridos. Os vários momentos experienciados tornaram-se cortinas de pingentes para enfeitar o ambiente que a saudade visita junto com a minha companhia. Em peças translúcidas, eternizo instantes infindos, decisões tomadas ou só pensadas; dores sentidas, mas pedagógicas; abraços dados e recebidos, sonhos desfeitos ou realizados, projetos realizados ou só rascunhados. São tantos momentos, que os enumerar levaria horas, tempo que prefiro usufruir vivenciando, acrescentando, assim, mais alguns instantes a esse belo acervo. Entre tantos, a saudade sempre me leva a revisitar a infância, tempo de descobertas e vivência plena. Então, é dessa forma que renovo as energias e tomo co...

FETICHE

No mundo de consumo cego, quem tem um olho reina. Entre revoltados, mas não indignados, qualquer oportunista e aproveitador reina. Na miséria elaborada e instrumentalizada, a assistência institucional prestada faz os salvadores da pátria também reinar. Mandatários do caos instituído fazem, desfazem e refazem ao bel-prazer. No tempo de seus reinados, não há previsibilidade, nem estabilidade, só promessas da restauração do cosmos – fetiche de um mundo infernal.   Criado em : 14/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AMOR PERDIDO

  Nascemos amando incondicionalmente, mas onde, como e quando deixamos de amar dessa maneira? O mundo parece destituir-nos desse puro sentimento. Onde se exige desempenho e competitividade, não há tempo para o amor. Como, neste mundo, o controle é a base da convivência, não há mais liberdade para o amor. Quando, neste mundo, a racionalidade é a bússola, o amor, por ser instintivo, não tem lugar. Por isso, quando crescidos, continuamos a amar, porém, perdemos a naturalidade. Amamos apenas por interesse, essa é a dura realidade.   Criado em : 12/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MORADOR DE RUA

  Um senhor, para fugir do mal, lançou-se ao inferno. Lá, abafou o que sofreu, não superou ou esqueceu, porque, conhecendo outros males, doridos em semelhança. sublimou o que o jogou ali.   Mesmo tendo o tempo passado, ainda escondido chora, não pelas dores que sofrera, porém de pura raiva. Raiva pelo seu conformismo desesperador diante do que parecia inevitável, quando, na verdade, era só uma sentença proferida num descontrole emocional episódico.   Agora, com o fardo dos anos nas costas, já não há resgate possível, pois a esperança findou junto com a impulsividade adolescente, aboletando-o de vez nas ruas da cidade.   Criado em : 12/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O BANQUETE

  À mesa farta, lançou-se como se fora a primeira vez. A fome o consumia toda vez que olhava as maçãs, todas elas carnudas e suculentas. Mais parecia Eros esfomeado por tanta Beleza.   Criado em : 9/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

DE CAPITU

  Não me leias pelos olhos alheios, nem pelo ciúme que escreve torto. Sou a curva do tempo no quintal, a maré que aprende a voltar sozinha.   Chamam-me dissimulada, como se fosse crime pensar em silêncio. Mas quem nasce mulher aprende cedo que a verdade também se protege.   Meus olhos? São poços abertos: não afogam, refletem. Quem neles cai, cai de si mesmo e chama de culpa o próprio peso.   Amei sem algemas, ri sem pedir licença, cresci enquanto me mediam com réguas feitas de medo.   Se traí, foi a sentença; se calei, foi para existir. Nunca jurei ser espelho de ninguém, fui rio, e rios não pedem perdão por correr.   Hoje me escrevem à margem, mas sigo inteira no centro da dúvida. Porque a história que não me ouviu, ainda aprende a me ler.   Criado em : 7/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CEMITÉRIO VERTICAL

Na cova coletiva dos condomínios, enterram o desejo individual de paz. Sob leis determinadas em atas, reagem contrariamente. São pequenas e recorrentes burlas cotidianas – típicas do Cidadão de Bem, e Senhor do Mal – retratos da contradição humana. Mausoléus familiares repletos de podridão social, sepulcros caiados de uma sociedade patológica que se renova a cada geração.   Criado em : 6/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CARIDADE

Machado de Assis, por meio do personagem Bentinho, em sua obra Dom Casmurro , escreveu o primeiro e último versos de um soneto nunca completado. A seguir, meu soneto com os versos machadianos em destaque:   Oh! flor do céu! Oh! flor cândida e pura! Que desces mansa ao chão da humana dor, És chama viva, silencioso amor Que ao gesto vil opões divina cura.   Não contas ouro, nem medes ventura, Pois teu tesouro é o outro em seu clamor; Onde há miséria, ali floresce a cor   De uma esperança humilde e sempre obscura. Caridade és tu: mão que se estende Sem perguntar o nome ou a razão,   Virtude antiga que o orgulho ofende. Mas ai de quem te troca por ambição! Pois quem só vive ao lucro que o defende, Ganha-se a vida, perde-se a batalha!   Criado em : 5/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

RENOVARE

  Não basta só desejar, tem que realizar! Vem como um desejo, depois, idealiza-se. Com foco, criam-se as bases; com disciplina e empenho, erguer-se o pretendido. O que antes era projeto, agora, torna-se realidade mensurável. Então, o novo se fez no ano!   Criado em : 2/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff