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TORCENDO PELO ALHEIO RECONHECIMENTO DO ERRO

Quando nos visita a solidão, trazendo consigo a companhia da carência afetiva, jamais devemos ceder aos caprichos delas, senão, mais tarde, seremos severamente cobrados pelos atos e pelas reações impensadas que cometermos. Portanto, melhor sermos os mais racionais possíveis nessa situação.

Assim estava ela, totalmente acossada pela longa solidão a que se impusera. Não tardou muito, para que a carência afetiva viesse a ser cúmplice nessa pressão carnal e psicológica. Logo, ela cedeu aos caprichos daquelas, e não havendo insinuações de nenhum ser vivo sequer, fosse real ou virtual, decidiu declarar o que nem ela mesma sabia ao certo estar sentindo e nutrindo por um alguém que longe vivia e jamais viu.

O tempo passava e ela seguia declarando, com convicção, o que pensava realmente sentir, mas que, na verdade, não passava de um delírio causado pela fusão daquelas coisas já citadas, isso ela só iria perceber muito tempo depois, quando o arrependimento se faria tardio.

Por não ter feito imperar a racionalidade durante esse processo, cometeu desatinos que lhe custariam bem caro. Quando se fez prisioneira domiciliar, perdeu a noção real das coisas e, por isso, não percebeu que a distância em quilômetros entre ela e o seu preterido não passava de uma metáfora, que dizia que o sentimento não vinga sem a presença real e constante dos envolvidos.

Perdida e sem se dar conta de suas ações, não notou que estava sendo intolerante com aquele a quem, por mera pressão da situação que passava, e não por vontade espontânea e própria, escolhera. Quando ele apenas confirmava já estar com uma companhia, fato que ela já era sabedora, através de mensagens subliminares alheias lidas em uma rede social qualquer.

A conversa final, assim ela decretou, devido à intolerância e à total falta de bom-senso, que para ele era só a continuidade de tantas outras que já tiveram, ocorrera em tom seco e formal, bem diferente daquelas de outrora, sempre informais e descontraídas. Ao se despedir, ela escreveu um irônico “seja feliz”, acompanhado por um “aqui nos esqueçamos”, finalizado por uma ingrata acusação de ter sido vítima de um ato covarde! Despediu-se, desejando que, um dia, ela perceba que ele não a feriu, porém foi ela que se autoflagelou quando cedeu aos caprichos de sua longa solidão e de sua carência afetiva. O que a tornou cega diante do real sentido dos acontecimentos.

Criado em: 23/5/2010 Autor: Flavyann Di Flaff

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