De uma sacada, entendeu o que ocorria com o seu fragilizado ser. O movimento era quase inexistente na rua, talvez, por ser alta madrugada. Mas dava para vê-la ali, sob a penumbra do cansaço e da inquietação, não por inteira, apenas a sua silhueta sinuosa fazendo a habitual aparição em meu recanto. De forma intermitente, as horas noturnas se estendiam até se encontrarem com as primeiras da manhã. Momento em que eu e Sônia nos encontrávamos casualmente, descomprometidos um com o outro. Sempre achei que ela levava a melhor nesses encontros casuais, já que, pela manhã, eu acordava enfadado, enquanto Sônia já estava em outra, fazendo das suas. Todos os dias, torço para não cair em tentação e voltar aos afagos vampíricos daquela que só me procura nos momentos de fragilidade, para, em vez de me ajudar, deixar-me em frangalhos. Fazendo-me negar, por vezes, que estive em seus braços. Passando por tolo diante dos outros, uma vez que meu semblante entrega, para todos, que fui, de novo, seu am...
Liberdade sem autonomia não passa de mera utopia!