Pular para o conteúdo principal

DA MODERNIDADE


        A Modernidade nos rouba as tradições, justificando a utilidade de suas bugigangas pela necessidade forçada delas, só para nos cobrar altos preços por aquelas. Quando, na verdade, fazíamos tantas maravilhas, todas elas carregadas do nosso suor, do nosso afeto, porque eram genuínas, artesanais – sinônimo de união familiar. Hoje, tudo é produzido em linhas de produção dentro de indústrias, onde a convivência com máquinas está transformando as relações em operações estritamente profissionais, com contratos e toda a formalidade necessária. Tudo tem o mesmo gosto, cheiro e forma, porém, o que mais incomoda é que homogeneizaram as opções e, por consequência, a ilusão do poder da escolha.

        Na canção “Estrada de Canindé”, Gonzagão alerta para o que a Modernidade, através do automóvel, pode nos tirar. Acrescento o advento dos celulares e seus acessórios, pois a “praticidade e comodidade” deles nos proporciona a grande oportunidade de irmos a qualquer lugar sem gastar dinheiro, sem fazer malas, e de desfrutar paisagens sem o risco de picadas de insetos, cobras ou sem se sujar. Pense em uma maravilha! Agora vejam o que perdemos, ao aderirmos cegamente aos apelos da Modernidade, nesse trecho da canção citada:


 “[...]

O orvaio beijando as flô
Vê de perto o galo campina
Que quando canta muda de cor
Vai moiando os pés no riacho
Que água fresca, nosso Senhor
Vai oiando coisa a grané
Coisas qui, pra mode vê
O cristão tem que andá a pé.”
 

          Portanto, tem que estar presente, vendo, tocando, sentindo cada elemento que compõe a magnífica paisagem agreste. Estimulando todos os “acessórios” sensoriais com os quais a mãe natureza nos presenteou.
 
Criado em: 03/06/2020 Autor: Flavyann Di Flaff


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff