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Mostrando postagens de junho, 2026

MERCADORES DA FÉ

Religião é puro misto de política e tradição! Os vendilhões já deram o preço, lotearam a crença em muitas denominações – interpretações distintas da mesma narrativa. Fechada a negociata, cada um que lute por sua benção! O objeto adorado é uma construção frankensteiniana, mas é o rito que faz o mito e gera a submissão cega. Quem busca poder, instrumentaliza a fé, dos cultos evangélico e afro à Praça da Sé! O pastor controla as ovelhas – moeda valiosa de troca. Quem controla, atrai poder e benesses, desperta a cobiça de oportunistas e aproveitadores. O Estado exige, a Religião se sujeita – receita perfeita da manipulação. Assim, crê o cego no cego guia que lhe conduz.   Criado em : 28/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MITOMANIA E PODER

  Toda ditadura é um simulacro da submissão! E a manipulação para o eleitor votar sempre no mal menor é uma delas. Téo carecia de atenção, por isso começou a criar historinhas – narrativas enviesadas da realidade. Tanto as repetiu, que se fez ouvido, chamando a atenção deste grupo: Frustrados e ressentidos. Uma turba que só cresce, não apenas em número, mas também em ódio. Téo, ao perceber essa energia, criou um inimigo imaginário e o apresentou àquela turba. Incorporado o inimigo criado, Téo mostrou a solução. Revelou que devemos combater o inimigo em comum, com tiro, porrada e bomba. Aproveitou e apresentou a Teocracia, um misto de governo republicano com princípios religiosos extremistas, cujo representante é denominado "Líder Supremo" – um prior de alto escalão, aquele que irá nos atolar. Adotou, para si, o lema “deus, pátria e família”, como forma de aliciar os manipulados pela fé cega – gente que não segue os preceitos de Cristo, mas os professam alheios à essênci...

VELHO OESTE PÓS-MODERNO

  A cidade é supermoderna, a sociedade é pós-moderna, mas por que agimos como se vivêssemos em uma cidade do Velho Oeste? Em todo ambiente ou situação, estamos sempre armados, prontos a enfrentar o inimigo, mesmo estando entre amigos. Mudam-se as estruturas, veste-se novas máscaras, porém, a essência belicosa, típica do primitivo estado de sobrevivência, prevalece e se impõe mesmo diante de um Estado Civil estabelecido.   Criado em : 24/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PATERNALISMO OPORTUNISTA

  Mora no medo de não ter o suficiente, uma ansiedade nociva, quando se está em um estado recorrente de sobrevivência. Esse lugar de insuficiência, a sensação de não caber em outros espaços, de não servir mais, habita na vulnerabilidade de não saber lidar com as necessidades urgentes, porque já não se pode mais fugir delas, sem que a obrigação de as suprir tire-nos o senso da realidade que nos cerca, fazendo-nos vítimas fáceis de um paternalismo oportunista. Criado em : 21/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

ENTRELINHAS

O tempo cura, disseram-me! Então, esperei ser curado. O tempo ia e vinha, e onde quer que eu estivesse, ele só me olhava de supetão, sem nada falar ou fazer, e seu olhar era penetrante, havia questionamentos neles.   Anos se passaram, e não vi nenhuma cicatriz, ainda eram patentes as feridas. Por que não cicatrizaram? Por que ainda sangram? A consciência, inquieta, desperta e me alerta: – Ao ouvir a expressão “o tempo cura”, entenda que a cura leva tempo! Sem a cooperação temporal e alguns processos pessoais, nada acontecerá com as feridas.   Criado em : 21/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

BOANTROPIA

O povo, em um misto de frustrações e ressentimentos, é convertido em massa. Sovada, manipulada ao extremo, transforma-se em massa de manobra. No coletivo, aliena-se, vira gado. Irracional, guiado pela sobrevivência, segue líderes cegamente, entretém-se com cultura padronizada, perde o pensamento crítico e, perdido, entrega-se ao paternalismo oportunista. Já não tem uma identidade própria, sofreu a alquimia das dinâmicas de poder, retrato instrumentalizado da Psicologia Social.   Criado em : 20/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A VIGÍLIA DO AFETO

O amor bateu à sua porta, e diante dos amores líquidos, reflexo da Pós-Modernidade, receoso de ser mais um sentimento à moda de A Bela Adormecida, decidiu aconselhar-se com Otelo. Afinal, nem só por falta de afeto sofre o homem de hoje, mas de todo amor que sai da boca do outro sem ação.   Criado em : 19/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

ESQUINA DO TEMPO

  Quando papai e mamãe o viram dar o primeiro passo, deixaram-no ir logo ali em frente, a cada passo que dava, cambaleante, olhava para trás em busca da referência. Seguiu a passos lentos, ainda inseguro, sempre olhando para trás, até que dobrou na esquina do tempo e não mais os viu, observando-o ao longe. Esse desaparecimento repentino, diante de suas retinas incrédulas, fizera-o vacilar e, vacilante, parou. Quis revê-los, voltando ao início, tarde demais, inútil tentativa. Agora estava só, tinha que seguir, porém a saudade o constrangia, causando sempre uma impotência. Não havia diferente escolha, deveria seguir por eles, por si mesmo!   Criado em : 14/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O EFEITO KING KONG

Quando a angústia se transformou em desejo desesperado, sentiu-se preso na mão dela, como aquela mulher nas mãos do grande primata. A sensação de pequenez e de impotência diante dos problemas existenciais se fez presente em seu ser. Perante a possibilidade de ser esmagado por eles a qualquer momento, foi levado à irracionalidade, não queria o ato tresloucado, no fundo, só queria a vida de volta.   Criado em : 14/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A TRANSCENDÊNCIA DO SER

Diante da imensidão do mundo, de sua indiferença e contradições, comportei-me como criança. Raivoso, fiz birra; insatisfeito, berrei; indignado, retruquei; contrariado, revidei; revoltado, agi com rebeldia. Nada disso o alterou, somente eu fui afetado, e o mundo se fez mais forte a cada gesto belicoso meu. Ingênuo, alimentei-o, fortaleci-o com a minha energia. Anos se passaram até entender, consciente, vi que confrontar não derrota o mundo, mas o torna um colosso. Mais vale entendê-lo para depois transcendê-lo. E foi assim que o conquistei!   Criado em : 13/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O FENECER DO AMOR

O amor, quando debuta, é rosa em botão; quando vivenciado, é rosa escarlate pujante. Neste instante, da rosa, rouba o beijo, o beija-flor, e como veio, rapidamente se foi, sem quase nada deixar, a não ser a triste sensação de uma não reciprocidade. Assim, a rosa se fechou! De escarlate, amarelecida se tornou. Sem compromisso e cumplicidade, secou o fulgor, feneceu o amor!   Criado em : 10/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O CICLO INVISÍVEL DA PAIXÃO

  Certo dia, caminhando pelas ruas da cidade, vi uma rosa florescer. Não foi como mágica, foi um longo processo, o qual acompanhei por meio de inúmeras caminhadas por esse território. Na primeira vez que passei, a roseira me parecia acanhada, sem disposição aparente para dar rosas. Até pensei que, por estar ali largada, sem um ambiente suficientemente bom, ela não vingaria, quiçá florescer. Da segunda vez, ela me parecia mais bonita, com ar de quem vivenciara algo inexplicável, inenarrável, só percebido através dos sentidos. A sua aparência era reveladora, dizia-me coisas sobre um amor, mas me mantive sereno, sem a agonia de quem se interessa pelos detalhes das vidas alheias. Numa terceira vez, um botão surgia frágil por entre os galhos da roseira. Algo que se iniciava sem alarde, cuidadosamente se revelando, como a expressar a novidade por entre as rotinas das gentes. Na quarta passagem, o botão já se fazia rosa escarlate pujante, denunciando o momento que a roseira vivia....

A CURA

O mal curado se renova no corpo refeito. Refaz-se o adoecer com a indução viral – infobiologia – que leva à lobotomia. Nestes tempos virulentos, perde-se a personalidade, e sem autonomia, a apatia pelo factual invade o ser, delegando a ação a quem usa e abusa da engenharia social.   Criado em : 8/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

APELO AO ACASO

  Na guerra entre razão e emoção, deixou-se ficar para trás. Diante de tantas lutas, o exército de um homem só não foi suficiente para vencê-las, sucumbindo em quase todas elas. Antes de enfrentá-las, sempre olhou ao redor na esperança de apoio, sem nunca o ter de fato. Foram tantas derrotas, que a impotência o invadiu, fazendo longa morada. Desiludido, apela ao acaso, quem sabe, ele lhe conceda a tão sonhada autonomia e, assim, conquiste a liberdade idealizada.   Criado em : 6/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CÁRCERE SIMBÓLICO

Nada possui do Quasímodo ou de Rapunzel, mas uma condição lhes é comum: encarceramento em uma torre. Um misto de condições e pessoas contribuiu para esse cárcere. Anos a fio arrastando correntes, cumprindo trabalhos forçados, privado da vida que lhe cabe. A liberdade sempre veio, porém de forma simbólica, colibri verde-esperança, borboleta azul-cintilante, jogos de búzios e tarôs, nunca concreta, real.   Criado em : 5/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

RESGATE DA SOBERANIA

Agora, quando o passar do tempo exerce a sua soberania sobre o corpo cansado, surgem mentores aos montes – Sabedores do que é bom para a vida dos outros. Mas esta pergunta teima em não calar na consciência: Onde estavam tais mentores, quando a vida principiava, cheia de vigor e curiosidade?   Chegar agora com a vida formada, o corpo e a alma marcada, apontando o melhor caminho, não parece nada conveniente. Porque a existência já se fez presente, deixando as suas indeléveis marcas.   Resta, então, ao ser vivido retomar a sua soberania e seguir o caminho que melhor lhe convier.   Criado em : 2/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CICLO POLÍTICO

Promessas de político são previsões do tempo – não há certezas, só imprevisibilidade. Anunciam tempos fartos, mas, quando eleito, instrumentaliza a escassez como o antecessor já fez. Mudam-se as regras, permanece o jogo – vence o político, perde sempre o povo.   Criado em : 1/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff