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Mostrando postagens de 2026

FRONTEIRA DA INDIGNAÇÃO

Em um mundo que nos convida à loucura desagradável, deparo-me com uma fronteira lúdica entre o viver artificial e o natural.   Vejo casinhas sobre a rua impermeabilizada, enquanto, do outro lado, barrenta estrada. Rodeadas por um céu anil com ares solares, refugio-me sob a sombra de verdejantes árvores.   Nesse mundinho que replica o urbano, a fronteira revela o rural, com aquele, se indignando.   Assim, entre um e outro, vai a humanidade se revezando, perdendo-se em um, encontrando-se noutro.   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O OFÍCIO DO CONTROLE

Houve um tempo em que poderosos vendiam, para as gentes simples, o alívio de almas no purgatório, a fim de financiar luxos e privilégios.   Houve um tempo em que poderosos acusavam e entregavam as gentes simples à execução na fogueira, a fim de se manterem no poder.   Houve um tempo em que esses mesmos poderosos, depois de usarem as gentes simples, beatificaram-nas como forma de reparação, ação que rendeu muita adoração e respeito a eles.   Portanto, ouve, quem é de ouvir!   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CALE-SE

  Não quero, da minha vida, fazer palco para militância e ter uma existência suprimida por um estado constante de vigilância.   Quero fazer da vida um eterno experienciar, em que a existência é entendida como um constante acrescentar.   Portar bandeira é imposição de uma sociedade dividida; é estar, na vitrine, sempre em exposição e, por pedras, ser recorrentemente atingida.   Afasto, de mim, esse cálice, que, por aproveitadores, é imposto! Diante desse meu negar, cale-se! Siga o que for do seu gosto!   Criado em : 28/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

DILEMA

  Tema, não tema, quanta indecisão! Ter e não ter coragem ou ter e não ter pauta para uma boa discussão.   Flavyann Di Flaff 28 IV 26

HOMO LUDENS

Este mundo quebra-cabeça de qualquer um! É um encaixa, desencaixa; acordos e desacordos; sonhos e frustrações; consolo e choros; paz e guerras. Independentemente das peças, se Lego, se tijolinhos de madeira, tudo pode acontecer! E por de nada se ter controle, resta-nos encará-lo, seja como entretenimento, seja como meta de vida.   Flavyann Di Flaff 26 IV 26  

NAS ONDAS SONORAS

Nas ondas do rádio, naveguei, quando soprou aquela canção nas velas lépidas do coração! E numa etérea aventura embarquei.   Navegando por mares já navegados, resgatei velhas relíquias, tesouros, há muito guardados, de um viver repleto de delícias.   O coração, barco vadio, com o sopro da canção, seguiu, vencendo léguas náuticas rumo a experiências fáticas.   No peito, guardo os tesouros; da vida, mudo o percurso, mantendo o rastro de ouro, assim que o barco finda seu curso.   Cessa o som, desfaz-se o vento, o rádio, enfim, emudece; no cais do meu pensamento, só o silêncio permanece.   Flavyann Di Flaff        25 IV 26

DIGNA PASSAGEM

Nesta passagem por este mundo indigesto, quero indignar-me sempre, para que a alienação não bata à minha porta e, distraído pela realidade atomizada, abra-a e deixe aquela aboletar-se em minha mente sã.   Nesta passagem por este mundo indigesto, não quero perder tempo discutindo o já naturalizado, debatendo o superficial, num claro desgaste de intelecto. Nesta passagem por este mundo indigesto, não quero ser herói ou mártir, porque o sistema já os fabrica e os instrumentaliza aos montes. Quero apenas nascer, crescer experienciando e, depois de combater o bom combate, finalizar dignamente a passagem.   Criado em : 23/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

FRENTE E VERSO DO EGO

  Todo aquele que opera o sistema conhece as vulnerabilidades alheias. Quando ser só mais uma engrenagem já não satisfaz o ego, aquele conhecimento é usado, a fim de retornar ao posto de operador.   No topo, o silêncio é o novo aço. O operador, agora senhor das frestas, vigia o giro de cada dente da máquina, pois sabe que a engrenagem que hoje range é a mesma que amanhã aprende a técnica de também usar a falha como escada.   Mas o posto exige um preço de vigília. Quem ascende expondo a carne do vizinho não encontra descanso no veludo da cadeira; torna-se prisioneiro do próprio mecanismo, pois quem conhece o atalho da traição vê em cada sombra o reflexo da própria mão.   O ego, enfim, descobre o seu reverso: A autoridade é um deserto de espelhos. Quanto mais opera o sistema com frieza, mais se torna peça do que pretendia dominar. No fim, o operador é a engrenagem mestre, tão preso ao centro quanto o resto à margem.   Criado em : 22/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaf...

O EXÍLIO DO PRESENTE

  Hoje bateu forte no peito uma saudade sem jeito de um tempo e de pessoas que se foram e não voltam mais!   Parecendo aguarrás a diluir a realidade, as lágrimas caem numa ação de retroatividade.   Assim, o desejo presente gera sensações pretéritas de momentos e pessoas ausentes – turbilhão de emoções benéficas.   Como um mergulho profundo, a nostalgia leva a outro mundo, transformando cada cena-suspiro em um reviver-respiro.   Refém da etérea viagem, reintegrado à pálida paisagem, curva-se à dura realidade!   Criado em : 19/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

EM BUSCA DE UM AMOR

Não há quem designe as faces que passam livres a fazerem parte da minha história de amor. São sorrisos, olhos a me fitarem em slow . Sim, em slow motions !   Não, eu não me demoro em fitá-las e sigo solo. Haja o que houver, eu vou! Eu vou em busca de um amor.   E, quem sabe, um dia, eu o encontre. Um dia, na vida, eu direi que alguém me amou.   Criado em : 17/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

METÁFORA ELEITORAL

Esperança em promessa política é um espelho quebrado: reflete o caminho, mas cada pedacinho distorce o que se vê. E a melhoria prometida se esvai, por um trilho, em busca de um pessoal brilho pelo candidato que se eleger. Distante da coletiva realidade, mas perto de si e de sua corja, perde-se na corrupção, enche seu alforje, e o eleitor, sem nada perceber, cumpre a sua social obrigação, que não traz mudança de verdade.   Criado em : 12/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MODUS OPERANDI

O reino do deus criado pelos materialistas é deste mundo! Por isso, pregam e defendem a Teologia da Prosperidade em vez da Teologia da Amabilidade, pregam e defendem a submissão em vez da libertação, pregam e defendem uma moral religiosa enquanto praticam o inverso; pregam e defendem o julgamento e a condenação àqueles que não os seguem, apesar de adorarem ao mesmo deus; pregam e defendem a fé e os Mandamentos, porém, revelam-se descrentes e parecem seguir o ditado “ Que Alá o proteja, mas amarre o seu camelo ”, uma vez que confiam no poder econômico e se protegem com armas e afins. Por fim, pregam a transcendência, mas, em seus corações, almejam a ascensão mundana, que lhes garantirá mais poder. Basta ter o mínimo de discernimento para enxergar a manipulação por trás de seus discursos e máscaras, cujo objetivo é se aproveitar das vulnerabilidades social e emocional das pessoas. São recrutadores de correntistas, a fim de aumentar as suas posses e, com elas, ascenderem socialmente, enqu...

CARTAS DE CORSO

  Damos, às cegas, um poder ilimitado àqueles que se apresentam como dignos representantes do povo, porque nada sabemos deles de fato, a não ser o que dizem ser. Assim, assinamos digitalmente as cartas de representação e as doamos, sem cobranças, aos que disputam o pleito. Durante o período eleitoral, somos bombardeados por inúmeras e diversas acusações, entre os candidatos, de corrupções praticadas no decorrer dos respectivos mandatos, indicando que não há exceções político-partidárias, todos cometeram alguma ação de improbidade administrativa. Contudo, esse período de lavagem pública de roupa suja não é capaz de fomentar um discernimento mínimo no eleitorado, que, sob um estado coercitivo e recorrente de sobrevivência, não consegue pensar em outra coisa, senão em se manter vivo, para tanto, vende-se a preço de ocasião. Dessa forma, aproveitadores e oportunistas nadam de braçada no vasto mar do nosso sistema político, reelegendo-se, ganham experiência administrativa, revelando o...

REFLETIR OU SE ALIENAR PASSIONALMENTE

  Eis os novos santos dos últimos dias: Um misto de fariseu, saduceu e zelote. Para desconstruir toda fé genuína, são um verdadeiro coquetel Molotov. Defensores da letra fria da lei e dos privilégios de suas posições impõem autonarrativas como se fossem verdades absolutas, ignorando a Boa Nova. Guias cegos de cegos, que, sem discernimento, radicalizam, como sicários, em nome de seu deus. Templos caíram por suas ações extremadas, mas reconstruídos foram, ornados ainda mais por hipocrisia e legalismo. Valorizar mais as regras de homens que os ensinamentos divinos, só provoca divisões, e nenhuma teologia, dividida contra si mesma, resiste por muito tempo. Contudo, felizmente, sempre há três dias para refletir ou para se alienar, neste caso, basta ouvir sem questionar; naquele, os exemplos do zelote Simão e de Paulo podem nos dar uma direção. Criado em : 3/4/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

TRANSCENDÊNCIA

  Nascemos humanos, no transcorrer da vida, com o tempo e as vivências nos desumanizamos. Em algum momento, talvez por autoconsciência, uns poucos conseguem humanizar-se de novo.   Flavyann Di Flaff 31/3/2026

NOSTALGIA

Na areia da praia da existência, em leves toques intermitentes, o tempo, indo e vindo, em um movimento infindo, veio beijar meus pés cansados. Foi de uma delicadeza tamanha, que, de forma estranha, me fez enebriar. Nesse instante, sem perceber, aconteceu a magia, experimentei a nostalgia de um tempo passado, porém, tão presente na memória.   Criado em : 31/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

UMA NOVA LIÇÃO

  Como um gênio na lâmpada, em um conto fantástico, prenderam Deus!   Enclausurado no templo do ego humano, cerceada foi a sua liberdade de expressão e a sua liberdade de ação.   No controle, sob variadas doutrinas e uma moral relativista, planejaram a customização de Deus.   Converteram-No em um legalista – em nome dEle, julgam e condenam – sequestrando, assim, a alheia alegria de viver, para, depois, exigirem um resgate material.   Tolos! Deus não se encontra nesta prisão! Em seus egos, apenas está retida a ideia torpe dEle, evidenciada por meio de dogmas e moral idem.   Os seus templos egóicos não passam de sepulcros caiados, velados por inúmeros coveiros. Deles não restará pedra sobre pedra! Como outrora, por duas vezes, ocorreu.   Criado em : 29/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

ESFINGE

Quando deixou de ser, de tudo, quis esquecer. Mas, quando me via, tudo revivia.   Sinal de que a esfinge que nada mais sentia, que o passado não a atinge porque já não mais lhe servia.   A esfinge não jogar, mas se arrisca ao fingir. Ao ordenar o decifrar, a sua máscara vai cair!   Decifrei o seu enigma, quando fingia não mais me querer. Um fingir que virou estigma, que ela não conseguiu esconder.   Agora, a ex caiu em contradição! Decifrei seu enigma: Ela, por mim, ainda puxa um caminhão.   Criado em : 22/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A VIDA É CÍCLICA

  Tomar consciência de que a vida é cíclica é essencial para seguirmos nesta imprevisível jornada existencial. E cada ciclo possui suas peculiaridades. Quando estamos em tempo de fartura, ele passa tão rápido, que a impressão é a de que já viramos a ampulheta. Porém, quando estamos no período de escassez, tudo parece arrastar-se, a ponto de entrarmos em desespero e querer agitar o relógio artesanal, a fim de fazer a areia escorrer mais rápido. Todavia, nenhuma artimanha adianta, porque cada ciclo foi feito para ser experienciado, e não negligenciado. O tempo de fartura é para lembrarmos que há sempre uma recompensa para todos que resistirem ao de escassez Por isso, tomemos consciência e sejamos, antes de tudo, resilientes, porque, como afirma um velho ditado “Depois da tempestade, vem a bonança”. Criado em : 15/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

REALPOLITIK - SOBRE O DISCURSO POLÍTICO

O discurso político age baseado na Identidade e no Pertencimento do eleitor, por isso, parece ter um caráter universal, mas, na verdade, é comunitário e específico, ou seja, é feito para atender a um determinado grupo social. Esse discurso também é apresentado como sendo uma Narrativa Moral, na qual o político faz uma autodescrição positiva e conveniente de quem ele é e uma negativa de seus adversários, a fim de mostrar, por meio dessa moral construída comparativamente, para os eleitores o que deve ser feito, a partir do seu próprio ponto de vista e do seu propósito. Portanto, não nos iludamos com os argumentos retóricos proferidos durante os mandatos da classe política, porque, em sua maioria, não refletem os reais interesses desses representantes do povo. Geralmente, o que prevalece é a união entre os interesses dos lobistas e dos políticos. Criado em : 14/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

HERANÇA

Quando passava, fazia surgir borboletas no estômago, e as pernas tremiam, não suportando a carga emocional.   O nome era a senha para o mundo passional, onde tudo remetia a ela – vício de um momento eterno, repleto de um sentimento etéreo por alguém que não era deste mundo.   Porém, vivendo em um mundo dual, o sonho se realiza ou vira fantasia.   Então, ela passou, e não permaneceu. Seguiu rumo distinto, trocando sentimento puro por puro instinto.   Assim, das borboletas no estômago, só restou a lembrança, herança de um sentimento que não foi.   Criado em : 1/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CONSEQUÊNCIAS DO LAWFARE

  O que se observa, em diversos contextos políticos contemporâneos, não é propriamente um compromisso institucional com o enfrentamento estrutural dos desmandos na gestão pública, mas a sua espetacularização estratégica. Denúncias que deveriam ensejar apuração técnica, responsabilidade jurídica e aperfeiçoamento institucional tornam-se instrumentos de disputa política. O escândalo passa a valer mais do que a solução. A espetacularização converte o processo jurídico em espetáculo midiático. Ao invés de fortalecer o devido processo legal e a transparência administrativa, promove-se a exposição pública seletiva, frequentemente orientada por interesses circunstanciais. O objetivo não é sanar irregularidades, mas desgastar reputações, corroer capital político e produzir efeitos eleitorais imediatos. Nesse contexto, a lógica da justiça é substituída pela lógica da performance. Essa dinâmica caracteriza o fenômeno conhecido como lawfare : o uso estratégico do aparato jurídico como arm...

OLHAR INVEJOSO DO TEMPO

  O tempo que acelera as coisas da cidade, dessa bela terra, passa ao largo. Libera o livre-arbítrio às pessoas que nela vivem, dando uma autonomia que as libera a seguirem a vida no ritmo que bem lhes convier. A vida, nessa terra, é desapressada, segue apenas o ritmo das necessidades cotidianas. O tempo por aqui não pede passagem, atropelando tudo e todos, prefere observar o desenrolar da vida das pessoas locais, parecendo ter inveja desse viver. É o caipira que sai pra roça, abre a terra, coloca a semente. É a natureza que assume a tarefa, regando, fazendo brotar a semente. Cada gesto no seu momento, sem pular etapas. Assim segue a vida nessa terra abençoada, onde o tempo passa só de visita, sem se demorar. Criado em : 26/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

SER ISENTO EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO POLÍTICA

Chamam-me isento como se fosse insulto, como se pensar não fosse verbo de risco. Querem-me bandeira, cor vibrando em punho fechado, grito pronto na garganta, antes mesmo da pergunta. Mas eu desconfio das verdades que marcham em fila, dos heróis que exigem aplauso e dos inimigos fabricados em série. Dizem que o mundo arde e que o muro é covardia. Talvez! Mas também ardem as fogueiras acesas por certezas cegas. Não me nego ao mundo. Nego-me ao cabresto. Não fujo do conflito. Fujo do rebanho. Porque há batalhas que se alimentam da nossa pressa e discursos que sobrevivem da nossa adesão automática. Chamam-me isentão como quem aponta o dedo para calar a dúvida. Mas há coragem em não vestir uniforme, em suportar o desconforto de não caber nos slogans. Entre o sim histérico e o não furioso, escolho a pergunta. Entre o ódio espelhado dos extremos que se parecem, escolho a consciência inquieta. Se isso é alienação, que seja! Mas que alienação estranha essa que observa, que lê, que questio...

NEOFARISAÍSMO

De acordo com os ensinamentos de alguns religiosos, a Boa Nova não surgiu, só existe o Velho Testamento. Basta vermos as pregações baseadas no medo, no pecado, na justiça e no inferno. Nesse sentido, a vida não passa de um estado de alerta recorrente, cujo objetivo é não se tornar impuro e, assim, perder a salvação. Se seguirmos cegamente tais ensinamentos, devemos crer que Jesus deveria ter incentivado e apedrejado a mulher adúltera, que Ele não deveria ter se convidado a ir à casa de Zaqueu, publicano, cobrador de impostos. Afinal, o que mais importa é a letra fria da lei, e não a observância do ato em si. A Boa Nova parece não fazer parte dos ensinamentos desses neofarisaicos, o que só justifica a lógica mercantilista da fé, em que a Teologia da Prosperidade é a essência. Por isso, a comparação e o julgamento são tão recorrentes e presentes no comportamento de muitos religiosos, frutos de percepções e narrativas distorcidas do Evangelho, esvaziando-o. Criado em : 16/2/2026 Aut...

POLÍTICA CULTURAL INSTRUMENTALIZADA

  A cultura raramente ocupa lugar central nas prioridades estratégicas dos gestores públicos. A dinâmica predominante nas secretarias estaduais e municipais de cultura revela uma política voltada menos ao fortalecimento das manifestações de base, aquelas sustentadas por grupos locais que preservam práticas culturais ancestrais, e mais à instrumentalização de agentes culturais já consagrados, convertidos em vitrines simbólicas de administrações cuja legitimidade, tanto administrativa quanto política, é frequentemente questionável, o que revela um tratamento, em relação à Cultura, não como um direito, mas, sim, como um ornamento estatal. Criado em : 15/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

ESCRAVIDÃO MODERNA

Eis a cidade onde o sonho se realiza ou é só mais um a perecer. De domingo a domingo, ou se ocupa a mente e o corpo com preocupações e tarefas alheias, ou se aboleta no sofá, diante da TV ou do celular, numa fuga que prende mais que liberta, tamanha é a tensão do estado de alerta. Nesses momentos, o cansaço gerado é sempre renovado, e nunca superado, sugando-nos a esperança pouca, deixando um vazio impreenchível, ocupado, quase sempre, por uma angústia e um desespero. Mas, quem sabe, um domingo calmo, com nossos pais ao lado, compartilhando segurança, a esperança se renovasse e a impotência cessasse, trazendo-nos de novo à vida, vencêssemos, enfim, esse estado de sobrevivência, que tanto nos priva de crer na realização de nossos sonhos.   Criado em : 15/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A QUEDA DA SÍNTESE: Meias-Verdades e a Tirania das Capas Sociais

  Em seu empirismo radical, para se chegar ao conhecimento complexo, Locke descreve a percepção, a impressão e a reflexão como a “escada”, o “caminho”. Já Fichte e Kant desenvolveram, para se chegar a uma compreensão mais profunda de algum tema, um método composto por tese, antítese e síntese. Por fim, Hegel, seguindo na mesma linha, desenvolve os termos abstrato-negativo-concreto. Referências para o entendimento moderno sobre como aprendemos e percebemos o mundo. Porém, hoje, basta que algum indivíduo, vestido com alguma capa social que lhe dê autoridade, pronuncie meias-verdades, para que a massa, de imediato, acredite ser a verdade absoluta, pois a vasta opção de informações e o cansaço pela sobrevivência não a capacita a seguir os já mencionados passos para a devida compreensão dos fatos que lhe são narrados, gerando uma sociedade de impressões rápidas, mas de reflexões rasas. Assim, o ambiente moderno impõe uma realidade digital hiperestimulante e fragmentada. Se a socieda...