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Mostrando postagens de 2026

ESQUINA DO TEMPO

  Quando papai e mamãe o viram dar o primeiro passo, deixaram-no ir logo ali em frente, a cada passo que dava, cambaleante, olhava para trás em busca da referência. Seguiu a passos lentos, ainda inseguro, sempre olhando para trás, até que dobrou na esquina do tempo e não mais os viu, observando-o ao longe. Esse desaparecimento repentino, diante de suas retinas incrédulas, fizera-o vacilar e, vacilante, parou. Quis revê-los, voltando ao início, tarde demais, inútil tentativa. Agora estava só, tinha que seguir, porém a saudade o constrangia, causando sempre uma impotência. Não havia diferente escolha, deveria seguir por eles, por si mesmo!   Criado em : 14/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O EFEITO KING KONG

Quando a angústia se transformou em desejo desesperado, sentiu-se preso na mão dela, como aquela mulher nas mãos do grande primata. A sensação de pequenez e de impotência diante dos problemas existenciais se fez presente em seu ser. Perante a possibilidade de ser esmagado por eles a qualquer momento, foi levado à irracionalidade, não queria o ato tresloucado, no fundo, só queria a vida de volta.   Criado em : 14/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A TRANSCENDÊNCIA DO SER

Diante da imensidão do mundo, de sua indiferença e contradições, comportei-me como criança. Raivoso, fiz birra; insatisfeito, berrei; indignado, retruquei; contrariado, revidei; revoltado, agi com rebeldia. Nada disso o alterou, somente eu fui afetado, e o mundo se fez mais forte a cada gesto belicoso meu. Ingênuo, alimentei-o, fortaleci-o com a minha energia. Anos se passaram até entender, consciente, vi que confrontar não derrota o mundo, mas o torna um colosso. Mais vale entendê-lo para depois transcendê-lo. E foi assim que o conquistei!   Criado em : 13/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O FENECER DO AMOR

O amor, quando debuta, é rosa em botão; quando vivenciado, é rosa escarlate pujante. Neste instante, da rosa, rouba o beijo, o beija-flor, e como veio, rapidamente se foi, sem quase nada deixar, a não ser a triste sensação de uma não reciprocidade. Assim, a rosa se fechou! De escarlate, amarelecida se tornou. Sem compromisso e cumplicidade, secou o fulgor, feneceu o amor!   Criado em : 10/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O CICLO INVISÍVEL DA PAIXÃO

  Certo dia, caminhando pelas ruas da cidade, vi uma rosa florescer. Não foi como mágica, foi um longo processo, o qual acompanhei por meio de inúmeras caminhadas por esse território. Na primeira vez que passei, a roseira me parecia acanhada, sem disposição aparente para dar rosas. Até pensei que, por estar ali largada, sem um ambiente suficientemente bom, ela não vingaria, quiçá florescer. Da segunda vez, ela me parecia mais bonita, com ar de quem vivenciara algo inexplicável, inenarrável, só percebido através dos sentidos. A sua aparência era reveladora, dizia-me coisas sobre um amor, mas me mantive sereno, sem a agonia de quem se interessa pelos detalhes das vidas alheias. Numa terceira vez, um botão surgia frágil por entre os galhos da roseira. Algo que se iniciava sem alarde, cuidadosamente se revelando, como a expressar a novidade por entre as rotinas das gentes. Na quarta passagem, o botão já se fazia rosa escarlate pujante, denunciando o momento que a roseira vivia....

A CURA

O mal curado se renova no corpo refeito. Refaz-se o adoecer com a indução viral – infobiologia – que leva à lobotomia. Nestes tempos virulentos, perde-se a personalidade, e sem autonomia, a apatia pelo factual invade o ser, delegando a ação a quem usa e abusa da engenharia social.   Criado em : 8/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

APELO AO ACASO

  Na guerra entre razão e emoção, deixou-se ficar para trás. Diante de tantas lutas, o exército de um homem só não foi suficiente para vencê-las, sucumbindo em quase todas elas. Antes de enfrentá-las, sempre olhou ao redor na esperança de apoio, sem nunca o ter de fato. Foram tantas derrotas, que a impotência o invadiu, fazendo longa morada. Desiludido, apela ao acaso, quem sabe, ele lhe conceda a tão sonhada autonomia e, assim, conquiste a liberdade idealizada.   Criado em : 6/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CÁRCERE SIMBÓLICO

Nada possui do Quasímodo ou de Rapunzel, mas uma condição lhes é comum: encarceramento em uma torre. Um misto de condições e pessoas contribuiu para esse cárcere. Anos a fio arrastando correntes, cumprindo trabalhos forçados, privado da vida que lhe cabe. A liberdade sempre veio, porém de forma simbólica, colibri verde-esperança, borboleta azul-cintilante, jogos de búzios e tarôs, nunca concreta, real.   Criado em : 5/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

RESGATE DA SOBERANIA

Agora, quando o passar do tempo exerce a sua soberania sobre o corpo cansado, surgem mentores aos montes – Sabedores do que é bom para a vida dos outros. Mas esta pergunta teima em não calar na consciência: Onde estavam tais mentores, quando a vida principiava, cheia de vigor e curiosidade?   Chegar agora com a vida formada, o corpo e a alma marcada, apontando o melhor caminho, não parece nada conveniente. Porque a existência já se fez presente, deixando as suas indeléveis marcas.   Resta, então, ao ser vivido retomar a sua soberania e seguir o caminho que melhor lhe convier.   Criado em : 2/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CICLO POLÍTICO

Promessas de político são previsões do tempo – não há certezas, só imprevisibilidade. Anunciam tempos fartos, mas, quando eleito, instrumentaliza a escassez como o antecessor já fez. Mudam-se as regras, permanece o jogo – vence o político, perde sempre o povo.   Criado em : 1/6/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

REFÉM

  Quando as dores da vida assolavam o seu ser, afogava as mágoas nas águas turvas do mar. Um dia, quis ressignificá-las, mas quando tentou rever as marcas deixadas, não mais as encontrou, pois o mar a todas afogou. Sem referências a seguir, como identificá-las? Assim, refém permaneceu das agruras que a vida lhe deu.   Criado em : 31/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

OBSERVAÇÃO

Te vi, andavas triste a soluçar, o semblante pesado, a face envelhecida – marcas de lutas internas. O andar era lento, como se quisesse adiar algo. O corpo aparentava declínio, o cansaço se exibia no esguio ser.   De longe, fiquei a imaginar o que acontecia, mas era só especulação minha, jamais chegaria à verossimilhança, é que a vida, apesar de pública, é sempre privada, em algum momento, de liberdade, de alegria, de sossego.   Segui a minha observação, enquanto sumias na multidão.   Criado em : 24/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DOIS BRASIS

O estrangeiro, com olhos de colonizador, ao descrever a nova terra, deduziu: há muito ouro para o imperador, água, terra e pau-brasil.   A carta de mil e quinhentos mentiu, o paraíso verde logo sumiu. Adeus, Pindorama! Brasil, agora proclama.   A poesia de Vaz vem e denuncia, o que a história oficial escondia. O herói nunca veio na caravela, sempre esteve aqui, a brilhar na favela, povo anônimo que luta, que vence a opressão, e escreve a verdade com sangue, suor e coração.   Criado em : 23/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A LÓGICA DO VOTO NO MAL MENOR

  Eis a lógica do "nós contra eles" usada pela classe política: cada grupo, seja "situação", seja "oposição", escolhe um inimigo para o eleitor combater, mas esse inimigo nunca é a falta de atendimento às urgentes demandas do povo, é a todo momento o político do partido contrário – teatro do jogo pelo poder. O cidadão, ao se tornar consciente dessa manipulação, deveria mudar essa lógica. O eleitor precisa enxergar essa classe política elitista e corporativista como o verdadeiro adversário a ser combatido nas urnas. Afinal, o que esperar de um Congresso Nacional que usa a sua representatividade popular apenas para pressionar o presidente da vez e atuar em favor de si mesmo? A cada eleição, o povo é levado a defender pautas criadas e fomentadas pela classe política, que em nada modifica a conjuntura socioeconômica da população, em vez de lutar por Projetos de Lei que melhorem as condições de vida de todos. Com isso, logo se vê que o maior inimigo dos cid...

MNEMONIA

Hoje, sentado numa poltrona, ouvi uma antiga melodia. De repente, senti costumeiro perfume, meu coração acelerou e o corpo se aqueceu.   Do nada, senti um suave toque, não sei bem o que me sucedeu, e ela se materializou diante de mim.   Com os olhos fixos, escaneei toda aquela figura. Ainda descrente, lembranças surgiram.   Inspiração para loucuras de amor, ela sempre desconcertou o meu ser. Bastava ouvir seu nome e todo o meu corpo se emocionava, descontrole que precedia o gozo de estar em sua companhia.   Então, cessa a melodia e as imagens geradas pela nostalgia. Findou o caso, e o domingo se esvazia.   Criado em : 17/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CALCANHAR

Como mero mortal, herdei a contradição humana. Às vezes, o medo impera e a impotência se faz presente, porque a coragem se acovarda. Há dias em que sou chuva de lágrimas, há dias em que sorrio. Em mim, há caos e cosmos em contínuo confronto. Desabito o aparente céu para criar um inferno simbólico – do Olimpo ao Hades em segundos. Assim, tomo consciência de que, de semideus, só herdei o calcanhar.   Criado em : 17/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

POR UMA VIDA SINGELA

Quero viver uma vidinha besta, longe da cidade que tudo condensa. Fujo da competição que segrega; da comparação que descarta; da vaidade que despreza; da intolerância que aniquila; do ego que manipula; do ressentimento que planeja vingança; do “nós contra eles”; do cinismo que cria máscaras; do interesse disfarçado de ajuda. Enfim, de todo mal disfarçado de bem.   Criado em : 15/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MAESTRIA

A força sem sabedoria é uma espada cega, não enxerga humanidade, apenas tirania em seu semelhante.   É lâmina que sibila o ar, sem propósito, sem norte. Porque, quem só sabe golpear, trancafia a própria razão, entregando-se aos instintos.   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

SORTILÉGIO

  Um dia, a burrinha da sorte sorriu para mim, e, no desespero em que estava, fui, sozinho, tentar decifrar essa imagem enigmática. Antes, tivesse pedido ajuda a quem, de coisas transcendentais entre o céu e a Terra, entende. Porque errei o enigma e a decepção logo me devorou. Pensei que o sorriso fosse deboche da situação em que me encontrava, mas, na verdade, era a fortuna, travestida de pura sorte, que se insinuara para mim.   Criado em : 13/5/2026  Autor : Flavyann Di Flaff

PERCEPÇÃO MATERNA

Os poucos que me veem, só me percebem pela utilidade ou pela retribuição do agrado, ou pelo prazer dividido.   Quando falo, poucos são os que me ouvem, captam só a superfície. Por isso, para este mundo, sou apenas sombra do que de fato aparento.   Mas houve alguém que me escutava por inteiro, mesmo antes de vir a este mundo. Reconhecia a minha voz, mesmo quando ela tremia ao tentar ser forte. Percebia o meu silenciar diferente, quando estava a lhe falar ao telefone. Na minha resposta curta demais, sentia que algo estranho ocorria. Reconhecia quando o “tá tudo bem” saía apertado, quase sem expressão. Pressentia quando eu tentava, em vão, poupar todos da minha angústia. Atendia, quando eu não queria conversa, o pedido de colo expresso em meu rosto. E esse alguém era você, mãe, que me enxergou, me ouviu e me sentiu muito antes de todo o mundo.   Porque todo ser humano, em algum momento, quer ser reconhecido sem ter muito que explicar, sem ter que demonstrar desempenho. Simpl...

SOB AS LENTES DO VIVER

De braços abertos, lançou-se sob o globo ocular que, pela máquina fotográfica, lhe via – momento eternizado. Enquanto o Cristo, também de braços abertos, em segundo plano, a todos, lança a salvação.   O salto foi no vão, espaço-tempo entre um piscar de olhos e o enquadramento da paisagem. Mas não foi em vão, porque, do voo antinatural, Ícaro pós-moderno, nasceu nova oportunidade.   Como criança recém-nascida, retornou ao mundo. Assim, o passado foi reverenciado para promover a ressignificação – trampolim para uma vida revista.   Criado em : 10/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MÃE DE VITRINE

  Apesar de tantos presentes, há uma profunda ausência: A presença do sentimento verdadeiro.   Apesar desse imenso luto, muitos exibem o fruto de seu lucro, insensíveis bibelôs que para nada servem, a não ser demonstrar uma ostentação paga em módicas prestações infinitas.   Assim, aquele sentimento verdadeiro torna-se ornamento anacrônico, um camafeu jogado no fundo do baú de alguns corações frios e ególatras. E a madre, no seu dia, mesmo viva, vai tornando-se objeto temático de uma época em que a vida era vivida coletiva e harmoniosamente.   Criado em : 8/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MAR VERDE

Naquele imenso mar verde, eu me deixei levar pelo canto de sereia. Iludido, mergulhei naquela alienação laboral, como se ela fosse o único meio de sair da miséria.   Naquele imenso mar verde, tudo me prendia àquele lugar. Era a dívida na venda, que crescia feito tumor maligno, alimentando-se de sangue e suor; era a necessidade de sobreviver que me mantinha alheio à realidade.   A cana, que adoçava minhas lágrimas, era a mesma que, etílica, afogava as minhas mágoas.   Naquele imenso mar verde, que das águas nem cheiro emanava, fiz zunir o facão que a tudo decepava – fúria sublimada em cortes precisos. E, assim, o mês é contado em toneladas, enquanto a vida é mortalmente fracionada.   Criado em : 4/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O PORÃO DA ALMA

De repente, a maturidade! Somos alçados a seres responsáveis, como se as consequências fossem meros acessórios daquele virtuoso patamar, assumindo-os e expondo-os no passeio público como símbolos da beleza de ser um humano valoroso.   Mas, às vezes, diferente de tudo, não antes, porém depois, vem a infância e abala a madura estrutura, revelando-nos as rachaduras do que pensávamos inabalável.   Então, em um átimo, as nossas fragilidades são expostas, cai o escudo, rasga-se a máscara, e nos descobrimos crianças feridas, escondidas nos porões da alma.   Criado em : 1/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

JOGO DO PODER

  Ganhar ou perder, faz parte do jogo. Isso não implica em mudanças efetivas na situação política em que vivemos. O mais certo de ocorrer é a mudança de comando e, consequentemente, das regras que regem o jogo. Porque se o jogo é bom, quem ocupa a direção quer os lucros só para si e para seu grupo, sem nunca os universalizar. É a regulamentação do lema “Brasil, Eu Te Sacaneio”, sempre em nome do bem de todos e felicidade geral da nação. A grande massa de eleitores, cidadãos comuns, comportam-se constantemente como pássaros recém-nascidos, ou seja, como incapazes de se alimentar por conta própria, atuando, de forma pessoal, questionando e discernindo, na digestão dos acontecimentos que lhes são narrados por outros. Talvez por ignorância ou por conveniência, preferem digerir o que é regurgitado por quem não lhes têm verdadeira preocupação, só um profundo interesse descartável. E, assim, segue a vida encenada, nunca vivida de fato, sob a máscara interpretativa do senhor e do escra...

FRONTEIRA DA INDIGNAÇÃO

Em um mundo que nos convida à loucura desagradável, deparo-me com uma fronteira lúdica entre o viver artificial e o natural.   Vejo casinhas sobre a rua impermeabilizada, enquanto, do outro lado, barrenta estrada. Rodeadas por um céu anil com ares solares, refugio-me sob a sombra de verdejantes árvores.   Nesse mundinho que replica o urbano, a fronteira revela o rural, com aquele, se indignando.   Assim, entre um e outro, vai a humanidade se revezando, perdendo-se em um, encontrando-se noutro.   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff