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PERCEPÇÃO MATERNA

Os poucos que me veem,
só me percebem pela utilidade
ou pela retribuição do agrado,
ou pelo prazer dividido.
 
Quando falo,
poucos são os que me ouvem,
captam só a superfície.
Por isso, para este mundo,
sou apenas sombra
do que de fato aparento.
 
Mas houve alguém
que me escutava por inteiro,
mesmo antes de vir a este mundo.
Reconhecia a minha voz,
mesmo quando ela tremia
ao tentar ser forte.
Percebia o meu silenciar diferente,
quando estava a lhe falar ao telefone.
Na minha resposta curta demais,
sentia que algo estranho ocorria.
Reconhecia quando o “tá tudo bem”
saía apertado, quase sem expressão.
Pressentia quando eu tentava, em vão,
poupar todos da minha angústia.
Atendia, quando eu não queria conversa,
o pedido de colo expresso em meu rosto.
E esse alguém era você, mãe,
que me enxergou, me ouviu e me sentiu
muito antes de todo o mundo.
 
Porque todo ser humano,
em algum momento,
quer ser reconhecido
sem ter muito que explicar,
sem ter que demonstrar desempenho.
Simplesmente, pela voz e pelo silêncio,
pelo jeito de chegar e de partir.
 
Criado em: 11/5/2026 Autor: Flavyann Di Flaff 

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