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SOBERANIA ESPOLIADA

As ratazanas se aliarão aos gatunos! Juntos, na surdina, planejarão o caos. Antes, à boca miúda ao pé do ouvido, espalharão uma tessitura de intrigas, de forma conveniente e antecipada, a justificar um possível malogro de suas investidas.   A manobra não é algo novo, na verdade, será a continuação do que já foi desmantelado e condenado, porém em uma versão turbinada por aquela inusitada parceria.   Enquanto as ratazanas corroerão as instituições, os gatunos infiltrarão discursos de insurreição, tudo para fazer desmoronar a frágil democracia de uma terra pacífica e de riquezas naturais.   Assim, como outrora fizeram nas latinas terras, a dita dura realidade se estabelecerá. Uma nova colonização se fará, as riquezas serão tomadas de boa-fé, e quando nada mais restar, as ratazanas serão devoradas pelos gatunos, que deixarão um legado de terra arrasada.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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TAXIDERMIA

Na sua sala de estar, alheia ao calor infernal dos trópicos, uma lareira ocupa distinto lugar. Em cima e ao lado dela, vários troféus, símbolos de conquistas a ferro e fogo. No centro, o retrato da família; do lado direito, uma majestosa e sagrada escritura; do lado esquerdo, o pavilhão do seu torrão; e entre esses objetos, alianças douradas. Tudo devidamente organizado – sistematização de gôndolas de supermercado e de vitrines de loja.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

AUTOENGANO MASSIVO

Houve um tempo em que o mal se esforçava, em urdiduras mil, para interferir na vida de alguém, a ponto de se travestir de velhinha para entregar a maçã envenenada.   Hoje, despudoradamente, o mal põe a banca com maçãs mil, e as pessoas, por si mesmas, escolhem, compram e comem o fruto.   Criado em : 17/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

PARAÍSO HOLOGRÁFICO

A sineta irritante do mundo toca, deixamos a vida por viver e exercemos a nossa utilidade. Ruídos desconhecidos, sombras por todo lado, cobranças recorrentes, odores desconfortáveis, tagarelice constante, pessoas atomizadas, toda uma parafernália que nos deixa em alerta.   O mundo concreto é a representação da era dos zumbis: Todos funcionam, caminham, falam, agem, realizam muitas coisas, porém, não sentem a dor do desgaste, executam muito, sem muita satisfação, e, assim, a vida, um tesouro nas mãos, vira pó.   Criado em : 16/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CONJUNÇÃO ASTRAL

Hoje, fui surpreendido! Encontrei duas queridas, ambas no esplendor da beleza: A dama da noite em seu vestido de gala e Vênus, reluzindo pura sedução. Não tirei o olhar delas nenhum segundo, foi encantamento espontâneo, a primeira elegi como musa inspiradora, a segunda, como anseio da adolescência. A noite foi longa, estendendo-se sonho adentro. Mas tudo que começa, termina, e um novo encontro foi marcado para o mês que vem – conjunção astral.   Criado em : 14/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

INTERDITOS

Neste mundo, tudo é linguagem, portanto, em todo dito, há um interdito. Nas redes sociais, essa afirmativa é ainda mais pertinente, porque mostra-se só a beleza da roupa sem revelar o seu avesso – implícitos da verdade.   A consciência da dualidade não nos deixa cair no canto da indústria das narrativas – construtoras de verdades manipuladas. Porque, para todo sim dito, há um não interdito; para todo legalismo, há uma burla; para todo ataque, há uma autodefesa; para toda coragem, há um medo; para todo limite, há uma permissividade. Mais do que é dito, os interditos revelam as estruturas de poder da sociedade. Então, conscientizemo-nos!   Criado em : 12/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

INEXORÁVEL DESTINO

Desde a pele até a profundeza abissal do meu ser, já sinto os teus sinais. Tu vens aos poucos, como se quisesse não ser percebida antes do tempo previsto. Mas para quem possui a sensibilidade aguçada, esse teu esforço é em vão, porque já foste percebida, só falta a tua anunciação.   "Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre".   Criado em : 11/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff