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CAIR EM SI

Foi tomado, de assalto, por um estado de vigília gerado por narrativas alheias, um tipo de sequestro psicológico.   Como certo rei babilônico, permaneceu neste estado animal por longos e infindáveis quatro anos, vida irracional e condicionada.   Por ter se desumanizado voluntariamente, não podia culpar a ninguém, a não ser a si mesmo. Dessa forma, para se curar, só lhe restou cair em si.   Criado em : 26/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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MNEMOSYNE

Ela chegou de mansinho, assim que a música me tocou. Fez-me um convite, em sussurro ao pé do ouvido, que não pude resistir, pegou a minha mão e levou-me a uma caleidoscópica viagem. Revisitei lugares, pessoas, momentos, numa miscelânia de emoções, tudo isso num átimo de tempo. Juntos fomos, juntos voltamos! Ela se despediu ao mesmo tempo em que a música cessou.   Criado em : 23/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PORTEIRA ABERTA

Inflamado pelos aplausos da claque privilegiada, o bobo dá cortes convenientes de mais uma exibição reservada, na certeza de convencer a plebe privada. Assim, a mentira, de tão repetida, ganha ares de verdade absoluta, principalmente, quando todo o mundo sofre de institucionalizada pobreza intelectual, é o abrir da porteira para um boi e toda uma boiada passar.   Criado em : 22/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

FADIGA DAS SOMBRAS

À noite, todo gato é pardo! Máxima atual e universal do comportamento em sociedade. Quando a sobrevivência leva-nos à condescendência, sem questionamentos e sem reflexão, o discernimento não brota, e a homogeneidade se estabelece.   É nas sombras do coletivo que o indivíduo se perde – labirinto de caminhos idênticos que só nos distanciam do encontro da verdade. Por sorte, a mentira tem pernas curtas e, por esse labirinto infindo, em algum momento, ela se cansa de andar, sucumbindo de fadiga.   Criado em : 20/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

SOBERANIA ESPOLIADA

As ratazanas se aliarão aos gatunos! Juntos, na surdina, planejarão o caos. Antes, à boca miúda ao pé do ouvido, espalharão uma tessitura de intrigas, de forma conveniente e antecipada, a justificar um possível malogro de suas investidas.   A manobra não é algo novo, na verdade, será a continuação do que já foi desmantelado e condenado, porém em uma versão turbinada por aquela inusitada parceria.   Enquanto as ratazanas corroerão as instituições, os gatunos infiltrarão discursos de insurreição, tudo para fazer desmoronar a frágil democracia de uma terra pacífica e de riquezas naturais.   Assim, como outrora fizeram nas latinas terras, a dita dura realidade se estabelecerá. Uma nova colonização se fará, as riquezas serão tomadas de boa-fé, e quando nada mais restar, as ratazanas serão devoradas pelos gatunos, que deixarão um legado de terra arrasada.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

TAXIDERMIA

Na sua sala de estar, alheia ao calor infernal dos trópicos, uma lareira ocupa distinto lugar. Em cima e ao lado dela, vários troféus, símbolos de conquistas a ferro e fogo. No centro, o retrato da família; do lado direito, uma majestosa e sagrada escritura; do lado esquerdo, o pavilhão do seu torrão; e entre esses objetos, alianças douradas. Tudo devidamente organizado – sistematização de gôndolas de supermercado e de vitrines de loja.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

AUTOENGANO MASSIVO

Houve um tempo em que o mal se esforçava, em urdiduras mil, para interferir na vida de alguém, a ponto de se travestir de velhinha para entregar a maçã envenenada.   Hoje, despudoradamente, o mal põe a banca com maçãs mil, e as pessoas, por si mesmas, escolhem, compram e comem o fruto.   Criado em : 17/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff