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A CONSCIÊNCIA DE SI

Depois de um dia cansativo, o corpo suplica o descanso dos justos. Ao ceder, sem resistência, a Morfeu, o mundo onírico se faz hegemônico. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. E, havendo ouvido isto, questionou, refletiu e discerniu: "eles sabem muito bem o que fazem, mas, ainda assim, o fazem". E o povo continuou olhando-o, zombando-o, apontando-o, julgando-o e condenando-o, via-se explicitamente o prazer por trás de tais ações – fruto de um desejo visceral. Naquele lugar, naquele presente momento, não se via inocência nos atos cometidos. Em cima dele, estava um título, escrito em letras garrafais: ESTE É O INIMIGO DO POVO. Este sabe muito bem que essa pecha é apenas uma narrativa conveniente que se deteriora ao menor sinal de um bom argumento, no entanto, socialmente, abstrai-se dessa característica finita e a trata como uma substância com uma essência permanente, alguma qualidade transcendente infinita – como se, na realidade, ela tivesse algum valor moral. ...
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FACISNAÇÃO

  O ministro da eucaristia, com sua mão pesada, fez, seu reino, da sacristia, sentindo-se um verdadeiro Ministro de Estado de um governo que elegeu – ilusão de importância. Com receio de sua desimportância, descumpriu velhos mandamentos na vã tentativa de fugir da vulnerabilidade. E com o poder emprestado pela instituição, seguiu protocolos sem questionar. Despersonalizou os outros, tratando-os como inimigos mortais. Assim, desrespeitando os seus limites morais, corrompeu o seu próprio caráter em favorecimento de uma dominação disfarçada de poder – mero vestígio de facisnação.   Criado em : 23/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

EDUCAÇÃO: ENTRE O SER, O TER E O SENTIDO DE APRENDER

  Muitos jovens da nova geração questionam o valor da educação, invertendo a ordem da pergunta: em vez de “por quê?”, perguntam “para que estudar?”. Talvez, persuadidos pelo canto da sereia da tecnologia, pensem que apenas dominá-la já lhes garante não somente o sustento, mas também uma vida de riqueza material. Tal pensamento é fruto de uma cultura materialista, na qual o ter vem antes e vale mais do que o ser; em outras palavras, a posse de bens passa a ser compreendida como garantia de domínio sobre as diferentes áreas que regem a vida cotidiana. Essa geração, antes de simplesmente reproduzir a narrativa utilitarista da obsolescência da educação como meio de garantir o futuro, deveria procurar saber, conhecer e compreender como a sociedade funciona para aqueles que possuem estudo e para aqueles que não o possuem. Afinal, previsibilidade, segurança e controle não fazem parte do vocabulário da vida. A educação, portanto, não deveria ser compreendida apenas como instrumento para ...

O OFÍCIO DO TRAÇO

Enquanto alguns expõem a beleza logo de cara – dom inato –, lapido a pedra bruta para extrair a perfeição – labor de escrevinhador. Com a caneta como cinzel, talho a rocha para o melhor traço, palavra certa para o encaixe perfeito, metáfora rica para dar o nobre efeito. Feito o digno trabalho, encanta a outrora pedra bruta, agora gema preciosa, o olho do curioso leitor – fruto do cuidadoso lapidar do escrevinhador.   Criado em : 22/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

ANATOMIA DO PRECONCEITO

Hetero alfa hatero hater homofóbico misógino   Flavyann Di Flaff 21 VIII 26

ESPELHADO

Nas profundezas do ser, aprisionou as suas sombras. Sentiu-se leve, seguiu a vida. No cotidiano, por mesquinharias, apontava o dedo, esbravejava – ações que naturalizou sem refletir. Tudo o que lhe era alheio parecia imoral, ilegal ou inadequado. Na escuridão abissal da prisão interior, fervilhava a sua persona non grata , que pensava tê-la contido para sempre. Porém, indiferente, não percebeu os sinais e, por entre as suas fissuras comportamentais, as sombras já se manifestavam sem pudor. Quando percebeu, já não as podia conter e, assim, viu, no outro, toda a sua escuridão exposta.   Criado em : 20/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

GÊNESE REVERSA

Ideias religiosas também são fruto de contextos culturais, políticos e sociais. Assim, das pedras da segunda queda, construíram templos moldados à imagem de suas próprias fraturas, em vez de à imagem do sagrado, e depois de muito clamor, o Velho deus ressuscitou. Ao ver os seus devotos, a todos fulminou, por não os ver dignos. E se vendo customizado, sentiu-se subalterno a eles. Afinal, ele é o deus primevo, representante da lei, da justiça e senhor da guerra; quem a ele não se prostrar, logo será fulminado.   Criado em : 18/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff