Os poucos que me veem, só me percebem pela utilidade ou pela retribuição do agrado, ou pelo prazer dividido. Quando falo, poucos são os que me ouvem, captam só a superfície. Por isso, para este mundo, sou apenas sombra do que de fato aparento. Mas houve alguém que me escutava por inteiro, mesmo antes de vir a este mundo. Reconhecia a minha voz, mesmo quando ela tremia ao tentar ser forte. Percebia o meu silenciar diferente, quando estava a lhe falar ao telefone. Na minha resposta curta demais, sentia que algo estranho ocorria. Reconhecia quando o “tá tudo bem” saía apertado, quase sem expressão. Pressentia quando eu tentava, em vão, poupar todos da minha angústia. Atendia, quando eu não queria conversa, o pedido de colo expresso em meu rosto. E esse alguém era você, mãe, que me enxergou, me ouviu e me sentiu muito antes de todo o mundo. Porque todo ser humano, em algum momento, quer ser reconhecido sem ter muito que explicar, sem ter que demonstrar desempenho. Simpl...
De braços abertos, lançou-se sob o globo ocular que, pela máquina fotográfica, lhe via – momento eternizado. Enquanto o Cristo, também de braços abertos, em segundo plano, a todos, lança a salvação. O salto foi no vão, espaço-tempo entre um piscar de olhos e o enquadramento da paisagem. Mas não foi em vão, porque, do voo antinatural, Ícaro pós-moderno, nasceu nova oportunidade. Como criança recém-nascida, retornou ao mundo. Assim, o passado foi reverenciado para promover a ressignificação – trampolim para uma vida revista. Criado em : 10/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff