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Nos silêncios, amor sem discurso; nas prioridades, demonstração de afeto; no rosto sempre altivo, cansaço contido; no semblante sereno, lágrimas reprimidas; nos momentos de disciplina, testemunhos de zelo; na economia doméstica, um cuidado latente; no olhar sério, proteção presente. Assim, agia a figura paterna presente durante quatro décadas de minha vida. Celebrá-la é reconhecer o valor de quem sempre valorizou a família a seu tempo e modo.   Criado em : 9/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
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A JORNADA DA PALAVRA CANTADA

O homem sempre buscou a si mesmo, não só para se conhecer, mas também para obter controle sobre a sua natureza dual. No início, quis a perfeição para si, buscou na estética, simetria e racionalidade o caminho para domar suas emoções e seus impulsos, sem obter êxito a longo prazo. Classicismo / Renascimento; Barroco; Arcadismo / Neoclassicismo; Parnasianismo; Simbolismo, mas a ausência de uma essência primordial gritava e consumia a sua alma. Romantismo, Modernismo, foi assim que o hermetismo literário foi rompido, deu-se o devido valor às palavras, rompendo a superficialidade – moldura fixa da perfeição construída – mergulhando fundo nos sentidos e significados.   Criado em : 9/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

UM DIA BANAL

Num certo dia, a existência silenciou e foi saindo aos poucos. O dia não escureceu, a comida não perdeu o sabor, os sons urbanos soavam, as pessoas conhecidas existiam, o mundo seguia seu ritmo, enfim, não houve nada de incomum. Então, foi assim, sem cerimônias, simplesmente numa fala profissional, mansa, pausada, honesta: “Restam-lhe seis meses”.   Criado em : 6/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DEUS ESPELHO MEU

Quando atribuímos nossa essência humana a um ser exterior, esvaziamos a potência interior e nos apequenamos diante da vida – Antropologia travestida de teologia. Afastados do mundo e dos nossos, alienamo-nos moralmente ao obedecermos a representantes de um deus customizado, que demoniza e condena a quem e ao que lhe é alheio, porém santifica e beneficia àqueles que a ele se convertem – compaixão por conveniência mundana. Platão vê este mundo como uma mimesis do perfeito, mas Trimegistro fala que como é lá em cima é aqui embaixo. Assim, Feuerbach diz: deus espelho meu!   Criado em : 5/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DEUSA PAGÃ

Eu andava displicente pela praia e, de repente, uma magia acontece. A brisa sussurra segredinhos em meus ouvidos; o mar lambe meus pés receptivo; as estrelas piscam, em código Morse, mensagens de uma secreta admiradora. Meu coração sequioso, sorriu. Quem seria essa que incita o natural de um jeito tão íntimo. Antes que findasse meu caminhar, ela se apresentou para mim. Dama de prata, mulher de fases; encantado, o coração reagiu! Maré alta de amor rebentou o seco peito meu, diante dessa nova figura que, com quartos perfeitos, fez-me impotente admirador – maré morta diante da Lua.   Criado em : 4/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

BUFÃO ELEITO

O meu rei mandou dizer que eu fizesse isto aqui: Detratar quem não me é desafeto, só por ouvi dizer, sem nada de concreto; entregar a minha terra natal por uma subalterna posição de poder; abrir as fronteiras da minha nação em troca de aportes financeiros.   O meu rei mandou fazer atrocidades mil! Expulsar imigrantes, limitar a economia a seu país, replicar o seu código moral. Ao obedecer a seu decreto, serei eleito o bufão perfeito.   Criado em : 4/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

RECLAME EXISTENCIAL

Aonde cheguei, se a impressão é a de que não saí do lugar? Parece-me que viajei só no imaginar. Mas se a mente limita igual a uma prisão, como pude viajar, então?   Pés no chão e a cabeça nas nuvens! Estática existencial, cemitério de potencial.   Planeja-se o futuro, sem nenhuma semeadura – sonho que, de tão obtuso, pouco perdura.   Dopamina ficcional, vida que reclama a experiência real de quem, por uma fuga, clama.   Criado em : 19/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff