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A PEDAGOGIA DA VIDA

  A vida é surpreendente! Tanto pode ser pedagógica quanto punitiva; previsível quanto imprevisível. Tudo dependerá da nossa consciência diante do que ela nos apresenta. Muitos entendem os percalços existenciais como castigos, atribuindo-os como injustos e sem sentido. Além disso, quando há a necessidade de apoio de alguém e este, por algum motivo alheio, não pode dá-lo, logo vem o sentimento de frustração egóica, ou seja, aquele em que o outro é obrigado a dar a ajuda, independentemente do que esteja vivendo. Tudo isso nos mostra que uma boa parte das pessoas encara a vida como punitiva, que tudo o que nos acomete é para nos pôr para baixo – não conseguindo entender que tais situações são oportunidades para uma autorreflexão. Por outro lado, existem aquelas que alcançam esse entendimento e reconhecem a vida como pedagógica, encarando os percalços como o momento de parar, refletir e realinhar os passos, a fim de tornar a caminhada mais leve. Compreendem que a vida só é previsível...
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PANDORA DIGITAL

A tecnologia tal qual a lebre tornou ágil e veloz o ritmo da nossa existência. Aguçou os nossos sentidos, deixando-nos em estado de alerta – comportamento de caçado. A perda do tempo biológico nos transformou em replicantes da vida que tínhamos, e dependentes dos representantes da praticidade e da comodidade – males da Modernidade. Parece que a nossa esperança de salvação ficou presa na caixa de Pandora ad infinitum .   Criado em : 27/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DESTINO FADADO

Eu, homo sapiens classicus , inapto a este mundo atomizado onde se cobra produtividade a todo instante, sem selo de qualidade, para não ser o homem que virou suco, tenho que me converter na laranja mecânica. Solução inócua para o esmagamento social promovido por um sistema que, apesar de desumano, alicia grande parte da humanidade. O que fazer? Para onde fugir? Se esse grande irmão se faz onipresente, onisciente e onipotente e a tudo e todos instrumentaliza. Pelo visto, sucumbirei, sendo minoria, diante da vontade coercitiva da esmagadora maioria.   Criado em : 27/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A ILUSÃO DA CAUSA

  Sem poder negar a sua origem e incomodado com o peso dessa influência, resolveu, num arroubo, contrariar o pátrio poder. Vestiu a camisa da retórica de Caifás e tornou-se literalmente um cordeiro. Começou a obedecer ao Sinédrio e as suas tradicionais leis, sem nada mais questionar. Assim, desfez-se da imagem impopular de agitador, acalmando os receios daqueles que o cooptaram. Mas a vida pacata de submisso não o agradou e, nessa ocasião, conheceu Simão, um zelador passional das antigas leis. Ele defendia uma teocracia radical, na qual o seu idealizado deus era soberano, por isso, sempre agia de forma beligerante para com quem confrontasse a sua ideologia. E, assim, com essa retórica de guerreiro sempre pronto para a batalha, aliciou o confuso jovem para a sua legítima causa. Filiado, logo foi alçado a líder de um pequeno grupo armado, cuja missão era a de impor o código moral do idealizado governo teocrático. Dessa forma, fez do seu povo refém do medo e impotente diante da reco...

TECNOLÓGICA TESSITURA

A tecnologia precarizou o ofício de escrevinhador, tirando, de suas mãos, a essência de seu labor, convertendo a licença poética em discurso proselitista, defesa do consumo imediatista de conteúdos – fisiologismo por likes, comentários e engajamentos. Com isso, erra-se por falta de zelo, enfraquece-se a trama escrita, desvaloriza-se a obra produzida. Corre o escrevinhador, acelera a tessitura, atropelando o enredo, só para exibir novo post numa grande exposição de egos.   Criado em : 26/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

POESIA COLHIDA

Não se inventa ou se descobre poesia. Ela é colhida nos pés de fruta madura na beira da estrada, basta ter fome e olhos bem atentos no caminhar para vê-la. Porque, às vezes, ela se esconde por entre o mato seco da criatividade, tal qual arribação que, ao menor ruído, voa para bem longe, fugindo de um possível predador. Poema é o retrato de um fantástico pôr-do-sol, poesia é o sentimento que essa atmosfera desperta. Neste mundo metonímico, onde uma só palavra já entrega tudo na lata – leite condensado numa latinha –, a metáfora, caixinha de música, é mais que necessária, porque, para descobrir a melodia expressada com precisão, faz-se necessário acionar a frágil manivela, dar cordas diversas e ouvir os sutis acordes com aguçada atenção. A poesia é mestra na arte da provocação. Quem dela usufrui, desperta para a realidade. Quem a produz, doa chuvas de sabedoria. Portanto, caminhante, observe atentamente o seu caminho ao caminhar, quem sabe visualize uma poesia madura, pronta para ser...

HUMANIARA

Conheci uma Iara, longe de ser um ser fabulosus , possuía lá os seus encantos. Não estavam em sua voz que, de tão normal, não soava tão angelical; não estavam em seus olhos que, negros como a asa da graúna , ainda assim, não se igualavam aos de Atena; não estavam em sua face, que possuía traços harmoniosos, mas não se comparava à de Vênus. Com aspecto escultural, estilo Classicismo Grego, sua beleza corporal era persuasiva e encantadora, a ponto de desestabilizar qualquer pathos . Se não era uma criatura mitológica, era um ser humano raro de fato.   Criado em : 25/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff