Eu, homo sapiens classicus , inapto a este mundo atomizado onde se cobra produtividade a todo instante, sem selo de qualidade, para não ser o homem que virou suco, tenho que me converter na laranja mecânica. Solução inócua para o esmagamento social promovido por um sistema que, apesar de desumano, alicia grande parte da humanidade. O que fazer? Para onde fugir? Se esse grande irmão se faz onipresente, onisciente e onipotente e a tudo e todos instrumentaliza. Pelo visto, sucumbirei, sendo minoria, diante da vontade coercitiva da esmagadora maioria. Criado em : 27/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
Sem poder negar a sua origem e incomodado com o peso dessa influência, resolveu, num arroubo, contrariar o pátrio poder. Vestiu a camisa da retórica de Caifás e tornou-se literalmente um cordeiro. Começou a obedecer ao Sinédrio e as suas tradicionais leis, sem nada mais questionar. Assim, desfez-se da imagem impopular de agitador, acalmando os receios daqueles que o cooptaram. Mas a vida pacata de submisso não o agradou e, nessa ocasião, conheceu Simão, um zelador passional das antigas leis. Ele defendia uma teocracia radical, na qual o seu idealizado deus era soberano, por isso, sempre agia de forma beligerante para com quem confrontasse a sua ideologia. E, assim, com essa retórica de guerreiro sempre pronto para a batalha, aliciou o confuso jovem para a sua legítima causa. Filiado, logo foi alçado a líder de um pequeno grupo armado, cuja missão era a de impor o código moral do idealizado governo teocrático. Dessa forma, fez do seu povo refém do medo e impotente diante da reco...