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TEOLOGIA DO TRONO

O Templo suntuoso foi erguido, agora o ego tem seu altar. Convidaram a todos para adorar em mais um culto à personalidade – antropomorfização secular do Deus.   Fui um dos convidados, estranhei! Percebi que, ao defender Deus, na verdade, defendiam um Santo Negócio. Mesmo assim, optei tratá-las por amor! Mas quando me pediram para ir ao templo, lá não fui de novo. Quando me pediram para andar com eles, Eu não fui andar. Quando me pediram para fazer aliança com eles, eu não fui fazer, porque isso nunca termina bem.   O símbolo, para mim, do Evangelho é a cruz, se a trocaram pelo trono, então, esqueceram do crucificado, e se assim fizeram, perderam-se do caminho.   Criado em : 10/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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EXEGESE DO CORAÇÃO

Leu de cabo a rabo o sagrado alfarrábio, mas como se sabe, ler não implica entender o significado, então, leigo era, leigo permanecera.   Com a repetição oral, decorou o que lhe era essencial, alguns versículos pingados, o suficiente para convencer alguns seguidores iletrados.   Dos pingados, tinha alguns favoritos, os quais compunham seus ritos – atos cerimoniosos de contextualização dos conhecimentos de sua religião.   Para quem opta pelo conforto da crença, aqueles pingados versículos tanto faz tanto fez, porque o esforço da busca, muito lhe custa. E para quem assim a sua fé professa, a falta de uma exegese bíblica, em muitos erros e enganos implica, por isso, recomenda-se ler Matheus, capítulo 23.   Criado em : 10/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

ILUSÓRIA REDENÇÃO

A narrativa encantada distorce a realidade: o que era bom se torna mau e o que era mal se torna bem. Abala a estrutura forjada na crença e, como anunciado há séculos, a terceira queda se concretiza: o templo da subjetividade cai. Sobre as ruínas, nasce a neocrença: o salvador chegou!   Criado em : 9/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

ARMADURA

A ansiedade tomou meu tempo, preencheu meus espaços, fechou meus olhos, encheu os meus ouvidos, abarrotou os meus dias, tirou o meu sono.   Assim, não deixou tempo, não deixou espaço vazio, não me permitiu ver, não me fez ouvir, não me deixou dormir, fazendo-me fugir dos meus velhos fantasmas, em uma sufocante tática de proteção.   Criado em : 7/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

OVO DA SERPENTE

Houve um tempo em que o mal se travestia de bem – artifício para convencer multidões. Com a banalização do mal, promovida pelas redes sociais, não há mais a necessidade da máscara.   De cara limpa, escancarando toda a sua intencionalidade, o mal se exibe com naturalidade, espelhando as patologias da sociedade.   Flertar com o mal é o novo normal, recurso teatral de convencimento de uma massa frustrada e ressentida – vítima em potencial dessa alienação.   Por não assumir a própria escuridão, valida as suas sombras nos outros. E, assim, a República de Weimar nasce sob o manto da nova redemocratização.   Criado em : 6/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

SOB A REGÊNCIA PRATEADA

O mar, imensa massa d’água, imponente e intempestivo, soberano de suas vontades, age como se autonomia tivesse.   A lua, prateada donzela, conhecida por virtudes mil, pouco fala, tudo cala; larga a sua fama nas mãos poéticas de plantão que, passionais, tecem belas e virtuosas narrativas.   O mar, sem nada perceber, tudo faz ao bel prazer daquela que tudo cala, só por ouvir os poetas que, por paixão, a exalta.   Assim, o mar se deforma, sob a força onipresente daquela prateada donzela, indo aonde ela o deslocar.   Criado em : 5/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

VELHOS TRAUMAS

Pelas terras por onde passei quando criança, nada conseguia me parar. As coisas aconteciam e... como numa fotografia instantânea feita por uma câmera Polaroid, paralisavam-me. Mas logo eu seguia – rumo às travessuras e doçuras.   Até que veio o tempo... E me arrastou pela mão, como se tivesse pressa. E, junto com as circunstâncias, fez-me crescer. A visão da infância foi, aos poucos, embaçada pela percepção julgadora adulta.   Então hoje, das terras por onde andei, evito retornar. Por receio de velhos fantasmas encontrar... Os mesmos amigos imaginários com que, quando criança, costumava brincar.   Criado em : 1/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff