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BUFÃO ELEITO

O meu rei mandou dizer que eu fizesse isto aqui: Detratar quem não me é desafeto, só por ouvi dizer, sem nada de concreto; entregar a minha terra natal por uma subalterna posição de poder; abrir as fronteiras da minha nação em troca de aportes financeiros.   O meu rei mandou fazer atrocidades mil! Expulsar imigrantes, limitar a economia a seu país, replicar o seu código moral. Ao obedecer a seu decreto, serei eleito o bufão perfeito.   Criado em : 4/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
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RECLAME EXISTENCIAL

Aonde cheguei, se a impressão é a de que não saí do lugar? Parece-me que viajei só no imaginar. Mas se a mente limita igual a uma prisão, como pude viajar, então?   Pés no chão e a cabeça nas nuvens! Estática existencial, cemitério de potencial.   Planeja-se o futuro, sem nenhuma semeadura – sonho que, de tão obtuso, pouco perdura.   Dopamina ficcional, vida que reclama a experiência real de quem, por uma fuga, clama.   Criado em : 19/10/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

CRIANTIVIDADE

Inventor de brincadeiras Criador de histórias Desenhador de rabiscos Pintor de portas e paredes Dançador de livres sonoridades Escutador de musicalidades Perguntador dos porquês Construtor de imóvel papelão Sentidor de finas emoções Portador da inocência Fazedor-de-conta dos momentos cotidianos, assim fui quando criança.   Criado em : 3/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PORTA-BANDEIRA

Foi dado o início! Tira-se a poeira, escolhe-se o tema, agarra-se ao mastro, ajusta-se o uniforme, lustra-se o semblante, afia-se o discurso. Seja 7 de setembro, seja carnaval, seja período eleitoral, todos empunham bandeiras. Porém, ao findar essas datas, tudo volta à normalidade – maré cheia que se recolhe ao menor sinal de mudança de fase lunar.   Criado em : 3/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

TRAVESSIA

Nos palácios sociais, travessa ia e voltava, e nessas idas e vindas de tudo se alimentava. Hipóteses sobre as descendências, pesadelos de longos exílios, desejos puros de libertação. Às avessas, a travessa despeja o já posto nos pratos vazios de esperança. Transversa, liga um ponto a outro, cumprindo a travessia tão esperada – êxodo da expectativa para a realidade.   Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

LAVAR AS MÃOS ESTATAL

  Todo candidato ao poder é contumaz no ato de prometer! Quando a educação é péssima, em vez de qualificá-la, promete mais acesso. Quando o sistema de saúde é precário, em vez de melhorá-lo, promete ampliar o atendimento. Quando a segurança falha em proteger a integridade da sociedade, em vez de qualificar os mecanismos legais e renovar a estrutura, promete criar mais leis, endurecer as já existentes, construir mais presídios e estabelecer a pena capital. Logo, vê-se que a humanidade é previsível, pois sempre se apresenta usando a mesma roupa; às vezes, veste-a pelo avesso, só para passar a impressão de que se trata de algo novo. Assim, todo Pôncio Pilatos, diante de um problema de grande repercussão e representação popular, lava as mãos. Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

BONECO DE TRAPOS

A aparência é bela, expressa esmero, delicadeza, harmonia nas formas. Sua imagem simboliza papeis sociais, presença marcante. Porém, é tudo casca, produto de específica intenção, porque seu interior é cheio de mesquinharias diversas, retalhos de frustrações e ressentimentos recolhidos em buscas desesperadas por alheias e ineficazes soluções.   Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff