Depois de um dia cansativo, o corpo suplica o descanso dos justos. Ao ceder, sem resistência, a Morfeu, o mundo onírico se faz hegemônico. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. E, havendo ouvido isto, questionou, refletiu e discerniu: "eles sabem muito bem o que fazem, mas, ainda assim, o fazem". E o povo continuou olhando-o, zombando-o, apontando-o, julgando-o e condenando-o, via-se explicitamente o prazer por trás de tais ações – fruto de um desejo visceral. Naquele lugar, naquele presente momento, não se via inocência nos atos cometidos. Em cima dele, estava um título, escrito em letras garrafais: ESTE É O INIMIGO DO POVO. Este sabe muito bem que essa pecha é apenas uma narrativa conveniente que se deteriora ao menor sinal de um bom argumento, no entanto, socialmente, abstrai-se dessa característica finita e a trata como uma substância com uma essência permanente, alguma qualidade transcendente infinita – como se, na realidade, ela tivesse algum valor moral. ...
O ministro da eucaristia, com sua mão pesada, fez, seu reino, da sacristia, sentindo-se um verdadeiro Ministro de Estado de um governo que elegeu – ilusão de importância. Com receio de sua desimportância, descumpriu velhos mandamentos na vã tentativa de fugir da vulnerabilidade. E com o poder emprestado pela instituição, seguiu protocolos sem questionar. Despersonalizou os outros, tratando-os como inimigos mortais. Assim, desrespeitando os seus limites morais, corrompeu o seu próprio caráter em favorecimento de uma dominação disfarçada de poder – mero vestígio de facisnação. Criado em : 23/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff