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POR UMA VIDA SINGELA

Quero viver uma vidinha besta, longe da cidade que tudo condensa. Fujo da competição que segrega; da comparação que descarta; da vaidade que despreza; da intolerância que aniquila; do ego que manipula; do ressentimento que planeja vingança; do “nós contra eles”; do cinismo que cria máscaras; do interesse disfarçado de ajuda. Enfim, de todo mal disfarçado de bem.   Criado em : 15/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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MAESTRIA

A força sem sabedoria é uma espada cega, não enxerga humanidade, apenas tirania em seu semelhante.   É lâmina que sibila o ar, sem propósito, sem norte. Porque, quem só sabe golpear, trancafia a própria razão, entregando-se aos instintos.   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

SORTILÉGIO

  Um dia, a burrinha da sorte sorriu para mim, e, no desespero em que estava, fui, sozinho, tentar decifrar essa imagem enigmática. Antes, tivesse pedido ajuda a quem, de coisas transcendentais entre o céu e a Terra, entende. Porque errei o enigma e a decepção logo me devorou. Pensei que o sorriso fosse deboche da situação em que me encontrava, mas, na verdade, era a fortuna, travestida de pura sorte, que se insinuara para mim.   Criado em : 13/5/2026  Autor : Flavyann Di Flaff

PERCEPÇÃO MATERNA

Os poucos que me veem, só me percebem pela utilidade ou pela retribuição do agrado, ou pelo prazer dividido.   Quando falo, poucos são os que me ouvem, captam só a superfície. Por isso, para este mundo, sou apenas sombra do que de fato aparento.   Mas houve alguém que me escutava por inteiro, mesmo antes de vir a este mundo. Reconhecia a minha voz, mesmo quando ela tremia ao tentar ser forte. Percebia o meu silenciar diferente, quando estava a lhe falar ao telefone. Na minha resposta curta demais, sentia que algo estranho ocorria. Reconhecia quando o “tá tudo bem” saía apertado, quase sem expressão. Pressentia quando eu tentava, em vão, poupar todos da minha angústia. Atendia, quando eu não queria conversa, o pedido de colo expresso em meu rosto. E esse alguém era você, mãe, que me enxergou, me ouviu e me sentiu muito antes de todo o mundo.   Porque todo ser humano, em algum momento, quer ser reconhecido sem ter muito que explicar, sem ter que demonstrar desempenho. Simpl...

SOB AS LENTES DO VIVER

De braços abertos, lançou-se sob o globo ocular que, pela máquina fotográfica, lhe via – momento eternizado. Enquanto o Cristo, também de braços abertos, em segundo plano, a todos, lança a salvação.   O salto foi no vão, espaço-tempo entre um piscar de olhos e o enquadramento da paisagem. Mas não foi em vão, porque, do voo antinatural, Ícaro pós-moderno, nasceu nova oportunidade.   Como criança recém-nascida, retornou ao mundo. Assim, o passado foi reverenciado para promover a ressignificação – trampolim para uma vida revista.   Criado em : 10/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MÃE DE VITRINE

  Apesar de tantos presentes, há uma profunda ausência: A presença do sentimento verdadeiro.   Apesar desse imenso luto, muitos exibem o fruto de seu lucro, insensíveis bibelôs que para nada servem, a não ser demonstrar uma ostentação paga em módicas prestações infinitas.   Assim, aquele sentimento verdadeiro torna-se ornamento anacrônico, um camafeu jogado no fundo do baú de alguns corações frios e ególatras. E a madre, no seu dia, mesmo viva, vai tornando-se objeto temático de uma época em que a vida era vivida coletiva e harmoniosamente.   Criado em : 8/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MAR VERDE

Naquele imenso mar verde, eu me deixei levar pelo canto de sereia. Iludido, mergulhei naquela alienação laboral, como se ela fosse o único meio de sair da miséria.   Naquele imenso mar verde, tudo me prendia àquele lugar. Era a dívida na venda, que crescia feito tumor maligno, alimentando-se de sangue e suor; era a necessidade de sobreviver que me mantinha alheio à realidade.   A cana, que adoçava minhas lágrimas, era a mesma que, etílica, afogava as minhas mágoas.   Naquele imenso mar verde, que das águas nem cheiro emanava, fiz zunir o facão que a tudo decepava – fúria sublimada em cortes precisos. E, assim, o mês é contado em toneladas, enquanto a vida é mortalmente fracionada.   Criado em : 4/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff