Naquele imenso mar verde, eu me deixei levar pelo canto de sereia. Iludido, mergulhei naquela alienação laboral, como se ela fosse o único meio de sair da miséria. Naquele imenso mar verde, tudo me prendia àquele lugar. Era a dívida na venda, que crescia feito tumor maligno, alimentando-se de sangue e suor; era a necessidade de sobreviver que me mantinha alheio à realidade. A cana, que adoçava minhas lágrimas, era a mesma que, etílica, afogava as minhas mágoas. Naquele imenso mar verde, que das águas nem cheiro emanava, fiz zunir o facão que a tudo decepava – fúria sublimada em cortes precisos. E, assim, o mês é contado em toneladas, enquanto a vida é mortalmente fracionada. Criado em : 4/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
De repente, a maturidade! Somos alçados a seres responsáveis, como se as consequências fossem meros acessórios daquele virtuoso patamar, assumindo-os e expondo-os no passeio público como símbolos da beleza de ser um humano valoroso. Mas, às vezes, diferente de tudo, não antes, porém depois, vem a infância e abala a madura estrutura, revelando-nos as rachaduras do que pensávamos inabalável. Então, em um átimo, as nossas fragilidades são expostas, cai o escudo, rasga-se a máscara, e nos descobrimos crianças feridas, escondidas nos porões da alma. Criado em : 1/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff