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RECORTES DE PERTENÇA

Nunca foi inteiro, teve sempre que se recortar para se relacionar com as pessoas. Trabalho artesanal árduo – peça certa de quebra-cabeças para se obter o encaixe perfeito. Porque, se assim não fosse, seria tratado com indiferença e o sentimento de pertença jamais seria saciado. Queria mostrar quem era, revelar toda a sua alma, mas talvez nem todos os sentidos estivessem prontos para tão forte revelação. Afinal, são olhos que não encaram, narizes sensíveis à podridão, bocas avessas ao amargor e ouvidos surdos ao que importa.   Criado em : 4/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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O IDIOTA DA ERA DIGITAL

Procura-se a Empatia! Vou lhes dizer! Nós a matamos – vós e eu! Todos nós somos seus assassinos! Gritou, desesperado, um tresloucado humano.   Sem compreender a profundidade dessa hiperbólica afirmação, todos riem daquele que a anunciou. Presos na bolha dos iguais, distribuem empatia em conta-gotas – exclusão dos diferentes – e, crendo-a verdadeira, negam o dito.   Com tragédias em massa à disposição a um clique, a emoção se desliga – prevenção do colapso mental – e ascende a cultura da barbárie.   Esse é o diagnóstico cultural, profundo e preocupante, da presente civilização.   Criado em : 3/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O TERRITÓRIO DO ENGANO

Entre a fraude e a manipulação, há mais coisas do que imagina nossa vã hipocrisia. Desaparece o cosmos, abunda o território do engano onde o jogo de interesses e da distorção da verdade – sombras das intenções humanas – imperam. A limitação do conhecimento intelectual é substituída por uma falsa moralidade, impedindo-nos de enxergar a verdade.   Entre aquelas sombras, a fraude é a de mais fácil detecção, pois, como o pavão, que não resiste a um olhar mais profundo, ao exibir a sua bela aparência, evidencia seus pés – distorção do que exibe. Já a manipulação é sagaz, pois, como o Cavalo de Tróia – representação cristalizada de dádiva –, por carregar o mal apenas em sua essência, engana a todos. Nos bastidores do controle social, escondem-se os mais profundos, complexos e sombrios mistérios.   Criado em : 2/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

SÓ UMA VEZ

Você apareceu quando eu estava só, os olhares se cruzaram e a identificação foi imediata. Silenciosamente, assumimos compromisso. Erámos pura empolgação, não havia como dar errado. Enchi você de mimos, amei a sua presença cotidiana, adorei cada gesto seu, idolatrei a nossa relação. Mas alguma coisa nos afastou, nada percebi no dia a dia, porque não havia sinais visíveis. Então, a intimidade esfriou e você se afastou; ainda insisti, indo à sua procura, porém foi só uma vez, porque já estava em outros braços e seu olhar me olhou com indiferença.   Criado em : 2/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O Evangelho segundo os Modernos Fariseus

Sigam e façam o que eu prego, desconsiderem o que eu faço; o dinheiro é o mal do mundo, mas o dizimaremos, consagrando-o; perdoem-nos os excluídos, mas religião é para os escolhidos; a nossa doutrina da aparência valida qualquer essência; demonizem o povo do mundo, festejem a secularização dos ritos, afirmam os entendedores da palavra. Todavia, só para contrariar os santos sábios, atualizamos a velha passagem para os tempos contemporâneos: A religião foi feita por causa do homem, e não o homem por causa da religião.   Criado em : 29/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A PEDAGOGIA DA VIDA

  A vida é surpreendente! Tanto pode ser pedagógica quanto punitiva; previsível quanto imprevisível. Tudo dependerá da nossa consciência diante do que ela nos apresenta. Muitos entendem os percalços existenciais como castigos, atribuindo-os como injustos e sem sentido. Além disso, quando há a necessidade de apoio de alguém e este, por algum motivo alheio, não pode dá-lo, logo vem o sentimento de frustração egóica, ou seja, aquele em que o outro é obrigado a dar a ajuda, independentemente do que esteja vivendo. Tudo isso nos mostra que uma boa parte das pessoas encara a vida como punitiva, que tudo o que nos acomete é para nos pôr para baixo – não conseguindo entender que tais situações são oportunidades para uma autorreflexão. Por outro lado, existem aquelas que alcançam esse entendimento e reconhecem a vida como pedagógica, encarando os percalços como o momento de parar, refletir e realinhar os passos, a fim de tornar a caminhada mais leve. Compreendem que a vida só é previsível...

PANDORA DIGITAL

A tecnologia tal qual a lebre tornou ágil e veloz o ritmo da nossa existência. Aguçou os nossos sentidos, deixando-nos em estado de alerta – comportamento de caçado. A perda do tempo biológico nos transformou em replicantes da vida que tínhamos, e dependentes dos representantes da praticidade e da comodidade – males da Modernidade. Parece que a nossa esperança de salvação ficou presa na caixa de Pandora ad infinitum .   Criado em : 27/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff