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TRAVESSIA

Nos palácios sociais, travessa ia e voltava, e nessas idas e vindas de tudo se alimentava. Hipóteses sobre as descendências, pesadelos de longos exílios, desejos puros de libertação. Às avessas, a travessa despeja o já posto nos pratos vazios de esperança. Transversa, liga um ponto a outro, cumprindo a travessia tão esperada – êxodo da expectativa para a realidade.   Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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LAVAR AS MÃOS ESTATAL

  Todo candidato ao poder é contumaz no ato de prometer! Quando a educação é péssima, em vez de qualificá-la, promete mais acesso. Quando o sistema de saúde é precário, em vez de melhorá-lo, promete ampliar o atendimento. Quando a segurança falha em proteger a integridade da sociedade, em vez de qualificar os mecanismos legais e renovar a estrutura, promete criar mais leis, endurecer as já existentes, construir mais presídios e estabelecer a pena capital. Logo, vê-se que a humanidade é previsível, pois sempre se apresenta usando a mesma roupa; às vezes, veste-a pelo avesso, só para passar a impressão de que se trata de algo novo. Assim, todo Pôncio Pilatos, diante de um problema de grande repercussão e representação popular, lava as mãos. Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

BONECO DE TRAPOS

A aparência é bela, expressa esmero, delicadeza, harmonia nas formas. Sua imagem simboliza papeis sociais, presença marcante. Porém, é tudo casca, produto de específica intenção, porque seu interior é cheio de mesquinharias diversas, retalhos de frustrações e ressentimentos recolhidos em buscas desesperadas por alheias e ineficazes soluções.   Criado em : 2/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AGORA SOU LIVRE

Revendo as minhas batalhas, percebo que levei a minha vida lutando, quase não desfrutei de minha existência. Porque, quando vivia, fui julgado à revelia, condenado e despojado do que conquistei. Perdi bens materiais e imateriais, uma casa que converti em lar e pessoas que jamais verei de novo. Escravizado, fortaleci meus valores, construí meu retorno triunfal. E, no Coliseu da Existência, cumpri o meu último combate: Vencendo meu maior inimigo, o Alter ego, derrotei a mim mesmo. Então, adentrei nos Campos Elíseos e finalmente descansei, me reencontrando.   Criado em : 1/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

SIMBÓLICO

Customizado, personalizado, instrumentalizado – esse é o deus.   Patriarcal, poligâmica, disfuncional – essa é a família.   Desvalorizada, (sub)traída, vendida – essa é a pátria.   Hipocrisia travestida de valores simbólicos vendidos como slogan de propaganda.   Criado em : 31/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

TRABALHO EMOCIONAL

Enquanto tentamos reorganizar as nossas entranhas, o mundo exige empatia e proatividade. Aparência, mesmo quando estamos despedaçados por dentro; sorriso, enquanto a lágrima cai por dentro; escuta, enquanto o desespero grita internamente; cuidado, enquanto o cansaço nos consome na surdina; pontualidade, mesmo quando varamos a madrugada angustiados; construção de palácios, enquanto o temporal destrói o nosso casebre. A vida adulta tem esses traços de crueldade, não espera que juntemos os nossos cacos e refaçamos a nossa estrutura, simplesmente nos cobra atividade.   Criado em : 30/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MULHERES DO PARLAMENTO

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Vivem para os líderes de seus partidos, orgulho das massas! Quando eleitas, performam, Se mostram, se exibem; Quando silenciadas, não reclamam; Se ajoelham, pedem, imploram Mais glórias àqueles que lhes punem.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Sofrem por seus líderes de partido, poder e força do Parlamento! Quando eleitos, são empossados, Elas lhes tecem longos discursos cordatos.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Ocupam lugar no poder, Mas elas não têm gosto ou vontade, Nem respeito, nem visibilidade, Só medo de perder o parco cargo.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Despem-se da vaidade para eleger os seus líderes de partido! Quando eles se reelegem, Costumam ensaiar respeito, Mas, no fim de tudo, alçados ao poder de novo, Sempre voltam a lhes falar aos brados, Mostrando quem detém o poder de decidir.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlame...