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MAR VERDE

Naquele imenso mar verde, eu me deixei levar pelo canto de sereia. Iludido, mergulhei naquela alienação laboral, como se ela fosse o único meio de sair da miséria.   Naquele imenso mar verde, tudo me prendia àquele lugar. Era a dívida na venda, que crescia feito tumor maligno, alimentando-se de sangue e suor; era a necessidade de sobreviver que me mantinha alheio à realidade.   A cana, que adoçava minhas lágrimas, era a mesma que, etílica, afogava as minhas mágoas.   Naquele imenso mar verde, que das águas nem cheiro emanava, fiz zunir o facão que a tudo decepava – fúria sublimada em cortes precisos. E, assim, o mês é contado em toneladas, enquanto a vida é mortalmente fracionada.   Criado em : 4/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  
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O PORÃO DA ALMA

De repente, a maturidade! Somos alçados a seres responsáveis, como se as consequências fossem meros acessórios daquele virtuoso patamar, assumindo-os e expondo-os no passeio público como símbolos da beleza de ser um humano valoroso.   Mas, às vezes, diferente de tudo, não antes, porém depois, vem a infância e abala a madura estrutura, revelando-nos as rachaduras do que pensávamos inabalável.   Então, em um átimo, as nossas fragilidades são expostas, cai o escudo, rasga-se a máscara, e nos descobrimos crianças feridas, escondidas nos porões da alma.   Criado em : 1/5/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

JOGO DO PODER

  Ganhar ou perder, faz parte do jogo. Isso não implica em mudanças efetivas na situação política em que vivemos. O mais certo de ocorrer é a mudança de comando e, consequentemente, das regras que regem o jogo. Porque se o jogo é bom, quem ocupa a direção quer os lucros só para si e para seu grupo, sem nunca os universalizar. É a regulamentação do lema “Brasil, Eu Te Sacaneio”, sempre em nome do bem de todos e felicidade geral da nação. A grande massa de eleitores, cidadãos comuns, comportam-se constantemente como pássaros recém-nascidos, ou seja, como incapazes de se alimentar por conta própria, atuando, de forma pessoal, questionando e discernindo, na digestão dos acontecimentos que lhes são narrados por outros. Talvez por ignorância ou por conveniência, preferem digerir o que é regurgitado por quem não lhes têm verdadeira preocupação, só um profundo interesse descartável. E, assim, segue a vida encenada, nunca vivida de fato, sob a máscara interpretativa do senhor e do escra...

FRONTEIRA DA INDIGNAÇÃO

Em um mundo que nos convida à loucura desagradável, deparo-me com uma fronteira lúdica entre o viver artificial e o natural.   Vejo casinhas sobre a rua impermeabilizada, enquanto, do outro lado, barrenta estrada. Rodeadas por um céu anil com ares solares, refugio-me sob a sombra de verdejantes árvores.   Nesse mundinho que replica o urbano, a fronteira revela o rural, com aquele, se indignando.   Assim, entre um e outro, vai a humanidade se revezando, perdendo-se em um, encontrando-se noutro.   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O OFÍCIO DO CONTROLE

Houve um tempo em que poderosos vendiam, para as gentes simples, o alívio de almas no purgatório, a fim de financiar luxos e privilégios.   Houve um tempo em que poderosos acusavam e entregavam as gentes simples à execução na fogueira, a fim de se manterem no poder.   Houve um tempo em que esses mesmos poderosos, depois de usarem as gentes simples, beatificaram-nas como forma de reparação, ação que rendeu muita adoração e respeito a eles.   Portanto, ouve, quem é de ouvir!   Criado em : 30/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CALE-SE

  Não quero, da minha vida, fazer palco para militância e ter uma existência suprimida por um estado constante de vigilância.   Quero fazer da vida um eterno experienciar, em que a existência é entendida como um constante acrescentar.   Portar bandeira é imposição de uma sociedade dividida; é estar, na vitrine, sempre em exposição e, por pedras, ser recorrentemente atingida.   Afasto, de mim, esse cálice, que, por aproveitadores, é imposto! Diante desse meu negar, cale-se! Siga o que for do seu gosto!   Criado em : 28/4/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

DILEMA

  Tema, não tema, quanta indecisão! Ter e não ter coragem ou ter e não ter pauta para uma boa discussão.   Flavyann Di Flaff 28 IV 26