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VITRINISMO

  Pelas ruas por onde caminhava, destino de frustrações, torto refúgio, sempre via essas lojas a oferecer vidas perfeitas, caras tralhas de felicidade. Disponibilizavam vitrines a todos os olhos nus de salvação verdadeira, e ávidos por uma imediata. Porém, fechavam suas portas ao mínimo sinal de pobreza material. Por amostragem, tudo reluzia puro gozo, eterno enquanto durar o desejo. Certa noite, quando a ausência e o silêncio predominavam, o invisível morador viu a porta da loja entreaberta, curioso por conhecer de perto aquela realidade da vitrine, acessou o desconhecido ambiente. A atmosfera sentida era antinatural, porque tudo parecia artificial, exposição de uma vida estilizada, longe, muito longe da que conhecia. Saiu constrangido dali, porque quase se deixou consumir pela comparação que a imagem vitrificada lhe incitara, como sendo o lado avesso perfeito da vida judiada em que estava.   Criado em : 19/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff ...
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LAÇO REFEITO

  Há muito a nossa amizade foi para o brejo. A mantínhamos por um frágil laço, uma corrente virtual de carinho. Mas o tempo passou, circunstâncias adversas surgiram e consumiram meu ser. Recompor-me pediu empenho, cobrou-me tempo e dedicação, ainda me encontro no processo. Logo estarei refeito, mente sã, respiração leve, semblante e coração sossegados. Então, resgatarei, do brejo, a nossa amizade! Celebraremos com um bom café e uma agradável conversa fiada.   Criado em : 18/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

INCONFORMADO

No fundo... do meu olhar, você se enfeitiçou, caiu de quatro, literalmente capotou! Mas o seu ego venceu, fez-lhe crer que o amor que lhe sorria não era meu. Passivo diante do inevitável, nunca mais lhe vi. Então, segui inconformado por você não me assumir.   Criado em : 18/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MEDIOCRIDADE II

A todos que por ele passaram ao longo de sua jornada, guardou em segredo – típico de um acumulador nato. De tanto ouvir ladainhas, deixou-se ser convertido – fantoche de adeptos de um fanzine gospel. Eles lhe davam pertencimento, apesar de pregarem o que não praticavam – hipócritas de carteirinha. Mas tudo valia para manter a máscara – guardiã da imoralidade vivida. Quando o juízo finalmente chegou, lançou mão de todos os tipos colecionados, alegando que eles o induziram ao mal, porém, esqueceu de um detalhe, o de que, apesar da indução alheia, a sua alma pertence só a si. Portanto, de nada adiantou a conveniente apresentação de culpados, sucumbiu à sua própria mediocridade.   Criado em : 15/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CHAMPAGNE

Tua presença me acompanha desde aquele nosso encontro, e por não te ter de novo, me entristeço.   Recordo-me, Roberta, houve um convite silencioso por meio de olhares tímidos, mas que foi percebido por mim e ti.   Assim, começava esta história. Tu mal chegavas e já atraías a minha atenção. Meus sentidos eram só para ti, porque nada ao redor mais me interessava.   Tudo era desculpa para estar a teu lado, porque o importante era amar a ti da forma como deveria ser, sem reservas e nem porquês.   Agora, esse é o nosso segredo! Dele, resta-me apenas festejá-lo, por isso, ergo esse brinde, apesar de não ter mais a tua companhia.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PARÓDIA QUIXOTESCA

De repente, juntou as tralhas da infância, inspiração patológica, e foi ser gauche na vida política. Sentimentos nada nobres o inspiraram a criar inimigos, reflexo das falas belicosas paternas – força armada por ignorância conveniente. Os problemas estruturais, ignorou, agindo como seus pares legislativos agem. Foi nas pautas de costumes que construiu seu projeto de governo, criminalizando tudo e todos, mas só até o dia que for cortar na própria carne, afinal, todo legalista extremista, como todo religioso idem, prega a justiça só para os inimigos, nunca para si e para os seus. Para justificar seus fracassos, criou o bode expiatório, nomeando-lhe com o vulgo do adversário, assim, culpá-lo-ia cinicamente por tudo. Por fim, felizmente, a vida imita a arte, e o final da história se repetiu.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AUTORRETRATO

  Nesta selva de pedra, ninguém assume as feridas, prefere parecer fera, ferindo e ferindo-se, em um misto irracional de canibalismo e autofagia. Ao tentar fugir dessa realidade, diante do mar da existência, se vê colosso rochedo, impassível aos arroubos emocionais desse imenso mar. A olho nu, sempre inquebrantável, porém, basta um olhar mais atento, que logo se verá a base corroída pelas idas e vindas das ondas de choque, revelando, no final, que sucumbe aquele que projetava, nos outros, aquilo que refutava em si mesmo.   Criado em : 11/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff