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VOTO COMO ENGRENAGEM DE SUBMISSÃO

  O voto, há muito tempo, opera como um viés de confirmação da submissão coercitiva das massas à classe política, que sustenta deliberadamente um estado permanente de sobrevivência. Tal estratégia tem por objetivo impedir que o povo se indigne diante dos desmandos dessa mesma elite, desviando sua revolta para a narrativa manipuladora do “nós contra eles”. Quem luta cotidianamente para sobreviver não dispõe de forças materiais, emocionais ou simbólicas para investir em uma mudança estrutural que nunca chega. Isso se deve ao fato de não deter qualquer controle real sobre o sistema que o governa; resta-lhe apenas o papel de mais uma engrenagem da máquina que o oprime de forma contínua e silenciosa. Silenciar diante da denúncia da rapinagem praticada pela classe político-oligárquica é reconhecer a própria impotência. Omitir-se, por sua vez, revela uma conivência subserviente, ainda que travestida de neutralidade. Trata-se de assumir, conscientemente ou não, a individualidade arroga...
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SÓ MAIS UM DIA

Hoje, ele cansou! Caiu de joelhos, chorou. Rasgava-lhe o peito, a dor de na vida nada ter feito. Buscou na memória um resquício de determinação, mas nenhuma lembrança de vitória, só perdas e danos e decepção. Prostrado, enxugou as lágrimas, ergueu-se ainda ferido, e um resto de autoestima o fez para a vida renascido.   Criado em : 30/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CRIAÇÃO

Do velho estilo, quebrei a norma, porque assim o quis, fi-lo, dando-lhe nova forma.   Ao Barroco, dei um ar moderno. Pus de lado o paradoxo, escrevendo sobre o mundo hodierno.   Mas os versos não largaram a lógica, nada de versos livres ou brancos, todos a seguir uma disciplina estoica.   Aos trancos e barrancos, vi-me em plena contradição, crendo no novo, perdi a razão.   Criado em : 28/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

JUSTIÇA POÉTICA

Do abandono parental afetivo, nascerá uma besta-fera ou um cordeiro. Neste indivíduo, a fragilidade é hegemônica, paralisa-o diante da vida. Naquele, a revolta grita, reivindica o que não teve, não pede, toma-o coercitivamente. Cordeiros, quando sós, são meninos frágeis, porém, quando juntos, tornam-se ousados transgressores. Ressentidos, almejam oprimir, realizar a vingança contra o mundo que os oprimiu. Tendo a conivência e a omissão daqueles que os gerou, fortalecem-se, e acossam o mais inocente e fraco ser – ritual de iniciação à dominação. Executado o ato, tornam-se senhores do pedaço, imunes às consequências de suas ações, porque, quando o dinheiro grita, há distorção de valores. Mas eis que das sombras surge a luz, olhos vigilantes testemunham a orelha massacrada. E rapidamente a notícia se espalha, incendeia o rastilho de pólvora a virtual multidão. Depois de tudo exposto, concretiza-se a justiça poética: Quem um cão castiga, logo será justiçado pela matilha.   Criado em...

CONVERSÃO

  Uma terra invadida, de riquezas surrupiadas, de um povo escravizado, de um sistema clientelista e de um poder oligárquico, não possui uma Era de Ouro, apenas um passado inglório.   Porém, essa mesma terra de degredo, sob o toque midiático, converte-se num mundo de ouro. Porque, quando não se possui um passado de glórias, apropria-se de narrativas históricas – acervo imensurável de heróis e glórias.   Assim, customiza-se a realidade, não a favor de todos, mas de quem o poder ocupa.   Criado em : 24/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CALDEIRÃO

  Pegue datas históricas, símbolos míticos diversos e narrativas messiânicas. Junte tudo, prepare com esmero, depois de pronto, faça a propaganda nas distintas redes sociais. Logo comprarão a ideia, sem nada questionar, puro viés de confirmação. A revolta é um espelho para abstrações da realidade, e quem veste de verdade a sua versão insólita, com velhas poções, conquista seguidores, mas jamais indignados, questionadores do status quo .   Criado em : 23/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA

Apesar de jovem, já é um veterano na arte da manipulação. Nascido em um tempo tecnológico, todas as ferramentas estão à sua mão. Mas, tendo em seu séquito, pessoas revoltadas pela sobrevivência institucionalizada, tais instrumentos só comunicam a velha fórmula de adestrar o povo.   O novo líder que nasce, mostra-se em vestes opulentas, às vezes, sob capa de seda com franjas de algodão, noutras, sob capa de algodão com franjas de seda. Dualidade simbolicamente sutil, imperceptível para olhos manipulados, pois só veem a estética da superfície.   Remodelando o mito do “Salvador da Pátria”, busca a unidade entre seus pares. A turba se encanta com a eloquência, e, ao cair nas redes, vê-se enredada, presa por perversões retóricas da realidade.   Por meio de edições convenientes e de uma propaganda homérica, ao fim de sua versão da odisseia, será premiado com o Goebbels de Ouro.   Criado em : 21/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff   ...