Pelas terras por onde passei quando criança, nada conseguia me parar. As coisas aconteciam e... como numa fotografia instantânea feita por uma câmera Polaroid, paralisavam-me. Mas logo eu seguia – rumo às travessuras e doçuras. Até que veio o tempo... E me arrastou pela mão, como se tivesse pressa. E, junto com as circunstâncias, fez-me crescer. A visão da infância foi, aos poucos, embaçada pela percepção julgadora adulta. Então hoje, das terras por onde andei, evito retornar. Por receio de velhos fantasmas encontrar... Os mesmos amigos imaginários com que, quando criança, costumava brincar. Criado em : 1/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
Nunca pensou ser um fardo o fato de carregar o mundo sobre as suas costas. Foi sempre um prazer a tudo e a todos prover – o que dava sentido à sua vida. Com o passar do tempo e o atender às demandas, as provisões físicas e econômicas foram sendo minadas pouco a pouco, o que dificultava a resolução das necessidades que surgiam. Com muito esforço, tentava aceitar as limitações, o que lhe consumia o ânimo, com isso, pensamentos intrusivos começaram a invadir a sua mente. Constantemente, indagava-se acerca de quem o substituiria, quando não mais pudesse suster o mundo, porque a impotência já se lhe impunha. O corpo já há muito fraquejava, os pensamentos intrusivos, apenas aceleraram o processo. Então, certo dia, o mundo estremeceu, quis intervir, mas o corpo não respondeu, e todo o globo terrestre desabou sobre ele. Criado em : 1/10/2026 Autor : Flavyann Di Flaff