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MEDIOCRIDADE II

A todos que por ele passaram ao longo de sua jornada, guardou em segredo – típico de um acumulador nato. De tanto ouvir ladainhas, deixou-se ser convertido – fantoche de adeptos de um fanzine gospel. Eles lhe davam pertencimento, apesar de pregarem o que não praticavam – hipócritas de carteirinha. Mas tudo valia para manter a máscara – guardiã da imoralidade vivida. Quando o juízo finalmente chegou, lançou mão de todos os tipos colecionados, alegando que eles o induziram ao mal, porém, esqueceu de um detalhe, o de que, apesar da indução alheia, a sua alma pertence só a si. Portanto, de nada adiantou a conveniente apresentação de culpados, sucumbiu à sua própria mediocridade.   Criado em : 15/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff
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CHAMPAGNE

Tua presença me acompanha desde aquele nosso encontro, e por não te ter de novo, me entristeço.   Recordo-me, Roberta, houve um convite silencioso por meio de olhares tímidos, mas que foi percebido por mim e ti.   Assim, começava esta história. Tu mal chegavas e já atraías a minha atenção. Meus sentidos eram só para ti, porque nada ao redor mais me interessava.   Tudo era desculpa para estar a teu lado, porque o importante era amar a ti da forma como deveria ser, sem reservas e nem porquês.   Agora, esse é o nosso segredo! Dele, resta-me apenas festejá-lo, por isso, ergo esse brinde, apesar de não ter mais a tua companhia.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PARÓDIA QUIXOTESCA

De repente, juntou as tralhas da infância, inspiração patológica, e foi ser gauche na vida política. Sentimentos nada nobres o inspiraram a criar inimigos, reflexo das falas belicosas paternas – força armada por ignorância conveniente. Os problemas estruturais, ignorou, agindo como seus pares legislativos agem. Foi nas pautas de costumes que construiu seu projeto de governo, criminalizando tudo e todos, mas só até o dia que for cortar na própria carne, afinal, todo legalista extremista, como todo religioso idem, prega a justiça só para os inimigos, nunca para si e para os seus. Para justificar seus fracassos, criou o bode expiatório, nomeando-lhe com o vulgo do adversário, assim, culpá-lo-ia cinicamente por tudo. Por fim, felizmente, a vida imita a arte, e o final da história se repetiu.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AUTORRETRATO

  Nesta selva de pedra, ninguém assume as feridas, prefere parecer fera, ferindo e ferindo-se, em um misto irracional de canibalismo e autofagia. Ao tentar fugir dessa realidade, diante do mar da existência, se vê colosso rochedo, impassível aos arroubos emocionais desse imenso mar. A olho nu, sempre inquebrantável, porém, basta um olhar mais atento, que logo se verá a base corroída pelas idas e vindas das ondas de choque, revelando, no final, que sucumbe aquele que projetava, nos outros, aquilo que refutava em si mesmo.   Criado em : 11/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

FILHO DA MÃE

Oh, mama, mama, mama nas tetas deste Estado patriarcal! Toma o lugar das multidões famintas que lhe elegeram como representante. Cegas, as mãos estendidas para lugar nenhum, esperam o altruísmo instrumentalizado de algum prolixo candidato a salvador dos párias. E, a essa massa desejante e ansiosa, um filho da mãe responde, só porque estamos no período eleitoral.   Criado em : 7/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A ELEIÇÃO DA PERFORMANCE

  Dois folclóricos políticos, depois de serem presidentes da Câmara dos Deputados, insinuaram que seriam eleitos, um sem sair de sua cadeira de balanço e o outro sem sair da rede em que estava descansando. Sem pretensão nenhuma, profetizaram a forma como boa parte da atual classe política se (re)elegeria. Sem esforço nenhum e sem sair de casa, apenas com retalhos de trinta segundos de meias-verdades, estampados em redes, consegue-se convencer uma legião de seguidores, que creem mais em performances que em verdades nuas e cruas. Afinal, fingir ser é o comportamento social que mais viraliza na atualidade. Farmar aura garante visualização, curtida, comentário e engajamento, consequentemente, confirma votos, e, assim, caminha a humanidade! Criado em : 3/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

A PERFOMANCE DO MORALISMO

  A vitrine do moralismo – uma vitrine impecável e blindada – esconde um porão de hipocrisia. Na maioria das vezes, traveste-se de fervorosa crença, com intuito de performar uma perfeição utópica, ensaiada por hipócritas profissionais. Quem vive a arrotar pureza, santidade, não passa de sepulcro caiado, porque tudo o que vemos e ouvimos desse tipo de gente existe apenas no campo simbólico, ou seja, necessita da nossa crença para ser validado. Portanto, que possamos ver e ouvir, e antes de assimilar, que possamos questionar e discernir, pois, só assim, essa recorrente prática moralista não vingará! Criado em : 3/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff