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Mostrando postagens de setembro, 2026

FACHADA DE ARGILA

Ia religiosamente à academia, sempre aparentou ser forte, tanto que não guardava um sábado – corpo sarado, mente sã!   Até que a vida questionou essa aparente fortaleza; de início, suportou o impacto, mas, depois, acusou o baque, implodindo-se por inteiro.   Então, a bela estética se desfez, a fachada caiu, expondo a fragilidade e, assim, caiu Golias, surgiu Davi!   Criado em : 28/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CRÔNICA DE DOMINGO

  Este silêncio dominical antecede a reflexão ou o caos? Pelos becos da cidade, ecoam burburinhos inexpressíveis para ouvidos cansados, há muito fadados ao "mais do mesmo". Só uma audição sensível é capaz de distinguir a racionalidade e a insanidade que habitam neles, o que, em um primeiro momento, causa inevitável apreensão – mar que recua repentinamente, como um aviso de algo incontrolável que está por vir. Quem produz esses ruídos são, em grande maioria, indivíduos expostos à incitação alheia de seus próprios ressentimentos. Daí nasce um revanchismo colérico contra tudo o que foge de seus controles. E, quando o instinto prevalece, a razão cega; o outro se apodera de suas ações. No próximo domingo, hipóteses serão confirmadas ou não. Mas, independentemente do que aconteça, que permaneçamos pacificados, avessos à atmosfera belicista que tentam naturalizar e normatizar entre nós. Que vença a harmonia! Criado em : 27/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

LUDUS VITAE

A vida como ela é não tem lógica, tem caminhos e atalhos, árduos ou fáceis, geradores de consequências ou de recompensas, de ascensão ou de queda, que levam à fama ou à lama – tudo isso é fruto de escolhas e decisões tomadas de forma consciente ou no calor de emoções fugidias. Assim é a vida não idealizada: Alea iacta est !   Criado em : 27/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CAIR EM SI

Foi tomado, de assalto, por um estado de vigília gerado por narrativas alheias, um tipo de sequestro psicológico.   Como certo rei babilônico, permaneceu neste estado animal por longos e infindáveis quatro anos, vida irracional e condicionada.   Por ter se desumanizado voluntariamente, não podia culpar a ninguém, a não ser a si mesmo. Dessa forma, para se curar, só lhe restou cair em si.   Criado em : 26/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MNEMOSYNE

Ela chegou de mansinho, assim que a música me tocou. Fez-me um convite, em sussurro ao pé do ouvido, que não pude resistir, pegou a minha mão e levou-me a uma caleidoscópica viagem. Revisitei lugares, pessoas, momentos, numa miscelânia de emoções, tudo isso num átimo de tempo. Juntos fomos, juntos voltamos! Ela se despediu ao mesmo tempo em que a música cessou.   Criado em : 23/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PORTEIRA ABERTA

Inflamado pelos aplausos da claque privilegiada, o bobo dá cortes convenientes de mais uma exibição reservada, na certeza de convencer a plebe privada. Assim, a mentira, de tão repetida, ganha ares de verdade absoluta, principalmente, quando todo o mundo sofre de institucionalizada pobreza intelectual, é o abrir da porteira para um boi e toda uma boiada passar.   Criado em : 22/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

FADIGA DAS SOMBRAS

À noite, todo gato é pardo! Máxima atual e universal do comportamento em sociedade. Quando a sobrevivência leva-nos à condescendência, sem questionamentos e sem reflexão, o discernimento não brota, e a homogeneidade se estabelece.   É nas sombras do coletivo que o indivíduo se perde – labirinto de caminhos idênticos que só nos distanciam do encontro da verdade. Por sorte, a mentira tem pernas curtas e, por esse labirinto infindo, em algum momento, ela se cansa de andar, sucumbindo de fadiga.   Criado em : 20/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

SOBERANIA ESPOLIADA

As ratazanas se aliarão aos gatunos! Juntos, na surdina, planejarão o caos. Antes, à boca miúda ao pé do ouvido, espalharão uma tessitura de intrigas, de forma conveniente e antecipada, a justificar um possível malogro de suas investidas.   A manobra não é algo novo, na verdade, será a continuação do que já foi desmantelado e condenado, porém em uma versão turbinada por aquela inusitada parceria.   Enquanto as ratazanas corroerão as instituições, os gatunos infiltrarão discursos de insurreição, tudo para fazer desmoronar a frágil democracia de uma terra pacífica e de riquezas naturais.   Assim, como outrora fizeram nas latinas terras, a dita dura realidade se estabelecerá. Uma nova colonização se fará, as riquezas serão tomadas de boa-fé, e quando nada mais restar, as ratazanas serão devoradas pelos gatunos, que deixarão um legado de terra arrasada.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

TAXIDERMIA

Na sua sala de estar, alheia ao calor infernal dos trópicos, uma lareira ocupa distinto lugar. Em cima e ao lado dela, vários troféus, símbolos de conquistas a ferro e fogo. No centro, o retrato da família; do lado direito, uma majestosa e sagrada escritura; do lado esquerdo, o pavilhão do seu torrão; e entre esses objetos, alianças douradas. Tudo devidamente organizado – sistematização de gôndolas de supermercado e de vitrines de loja.   Criado em : 19/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

AUTOENGANO MASSIVO

Houve um tempo em que o mal se esforçava, em urdiduras mil, para interferir na vida de alguém, a ponto de se travestir de velhinha para entregar a maçã envenenada.   Hoje, despudoradamente, o mal põe a banca com maçãs mil, e as pessoas, por si mesmas, escolhem, compram e comem o fruto.   Criado em : 17/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

PARAÍSO HOLOGRÁFICO

A sineta irritante do mundo toca, deixamos a vida por viver e exercemos a nossa utilidade. Ruídos desconhecidos, sombras por todo lado, cobranças recorrentes, odores desconfortáveis, tagarelice constante, pessoas atomizadas, toda uma parafernália que nos deixa em alerta.   O mundo concreto é a representação da era dos zumbis: Todos funcionam, caminham, falam, agem, realizam muitas coisas, porém, não sentem a dor do desgaste, executam muito, sem muita satisfação, e, assim, a vida, um tesouro nas mãos, vira pó.   Criado em : 16/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CONJUNÇÃO ASTRAL

Hoje, fui surpreendido! Encontrei duas queridas, ambas no esplendor da beleza: A dama da noite em seu vestido de gala e Vênus, reluzindo pura sedução. Não tirei o olhar delas nenhum segundo, foi encantamento espontâneo, a primeira elegi como musa inspiradora, a segunda, como anseio da adolescência. A noite foi longa, estendendo-se sonho adentro. Mas tudo que começa, termina, e um novo encontro foi marcado para o mês que vem – conjunção astral.   Criado em : 14/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

INTERDITOS

Neste mundo, tudo é linguagem, portanto, em todo dito, há um interdito. Nas redes sociais, essa afirmativa é ainda mais pertinente, porque mostra-se só a beleza da roupa sem revelar o seu avesso – implícitos da verdade.   A consciência da dualidade não nos deixa cair no canto da indústria das narrativas – construtoras de verdades manipuladas. Porque, para todo sim dito, há um não interdito; para todo legalismo, há uma burla; para todo ataque, há uma autodefesa; para toda coragem, há um medo; para todo limite, há uma permissividade. Mais do que é dito, os interditos revelam as estruturas de poder da sociedade. Então, conscientizemo-nos!   Criado em : 12/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

INEXORÁVEL DESTINO

Desde a pele até a profundeza abissal do meu ser, já sinto os teus sinais. Tu vens aos poucos, como se quisesse não ser percebida antes do tempo previsto. Mas para quem possui a sensibilidade aguçada, esse teu esforço é em vão, porque já foste percebida, só falta a tua anunciação.   "Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre".   Criado em : 11/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DO COSMOS À LAMA

Quando na lama atolou, o possante 4x4 refugou, não por incapacidade, mas por vontade de alguns que nele viajavam – incompetência premeditada. Essa minoria desceu ao nível da lama e chafurdou – era a catarse dos impuros. Restou aos outros assumir o volante e dar o rumo legal e inerente ao possante veículo. E assim foi feito, sanções foram aplicadas aos inconsequentes do ofício e, apesar da repercussão, tudo foi tomando o seu devido lugar institucional.   Criado em : 10/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CEGOS DE GUIA

Na vida da sociedade, houve um tempo em que a escola era considerada uma extensão dos lares, porque os pais tinham autoridade e educavam seus filhos para o convívio social. No presente, a escola foi esvaziada desse título, porque muitos pais são omissos e coniventes com os desmandos de seus filhos – compensação pelo abandono afetivo parental praticado.   Nos templos, são adoradores de divinos pastores em verdadeiros cultos à personalidade, nos quais é o pastor um deus antropomorfizado – personificação perfeita de um ser numinoso. Esses servos validam preceitos morais religiosos que, no convívio social, os burlam convenientemente.   Réplica perfeita dos mitos greco-romano! Seus panteões estão cheios de divindades, tem Narciso, tem Mamon, tem Epimeteu. Em seus cultos, demonizam o diferente, excluem os socialmente excluídos, porque se autodenominam os escolhidos, pervertendo os ensinamentos da boa nova.   Seguem o cego guia, os cegos, ignoram que o pecado está no exagero, ...

HACKEANDO A AUTOPRESERVAÇÃO

Do medo, nasceu a prevenção. Mas nos fizeram crer nas histórias da tábula rasa e do bom selvagem, desprezando as marcas evolutivas cristalizadas na biologia humana. Por anos, acreditamos que aquele medo era fruto de uma sociedade totalmente dissimulada, que acusava o diferente pela barbárie que ela mesma praticava. Hoje, a tecnologia instrumentalizou a psicologia que instrumentaliza a biologia em prol de interesses mesquinhos de uma pequena grande minoria. A nossa capacidade mental de autopreservação foi aliciada à assimilação onipresente proporcionada pelo aparato digital. O fluxo constante de conteúdos prontos, sem que o cérebro seja acionado para adquiri-los, leva-nos a consumi-los de forma inconsciente, moldando, sem que percebamos, a nossa percepção da realidade. É o sistema artificial usando o sistema biológico racional para reformulá-lo de acordo com a vontade daquela pequena grande minoria. Criado em : 8/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CICATRIZES DA CONFIANÇA

O inferno pelo qual passou, não havia fogo, nem demônios, mas pessoas que confiava e compartilhava intimidade.   Se tudo que fizeram e falaram foi sem pensar, não foram poucos os dias que em tudo isso ficou a pensar.   Por fogo amigo atingido, feridas abertas a sangrar, deixarão marcas inesquecíveis, depois que o tempo as curar.   Criado em : 7/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

TERRENO BALDIO

Descuidou do jardim das humanidades e rapidamente brotaram ervas daninhas: competição e apelos sedutores à banalização extrema de tudo o que não convém numa sociedade saudável.   Quando se deu conta do abandono, já não se reconhecia como um bom humano. Corrompeu-se por comportamentos patológicos alheios, que só buscavam holofotes a todo instante, a fim de preencher o vazio existencial que cavaram com suas próprias mãos.   Criado em : 7/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

INOCENTE ESPERANÇA

A Maria bonita acende o lampião na esperança de encontrar um amor, encontro raro nesses tempos modernos. Enquanto o amor ainda dorme, exausto da jornada que mal começou, o aparato de controle já está acordado. As redes sociais são sempre mais rápidas para vigiá-lo, controlá-lo e reprimi-lo do que para garantir condições dignas de vida para um amor real, porque mais vale alimentar a apatia, a contenda e o desamor. E a Maria bonita segue sozinha, sofrendo xenofobia na rede em que sonha com um amor verdadeiro.   Criado em : 6/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

BASTIDORES DO EU

Na rua, conversou e brincou com os conhecidos; na faculdade, fez todos os trabalhos exigidos; no trabalho, realizou todas as tarefas do dia; nas redes sociais, cumpriu o papel de persona perfeita. Em casa, saiu mudo e chegou calado, porque sabia que o seu eu verdadeiro não era, nem se limitava à sua condição, mas era a soma de tudo o que já vivenciara até ali.   A possibilidade de compartilharmos essas vivências nos assombram, pois expõe as nossas vulnerabilidades; e, ao mesmo tempo, o não compartilhar nos torna mais introspectivos e solitários.   A nossa vida é isto: Perder, ganhar; sorrir, chorar; ferir, ser ferido; desistir, insistir. Tudo isso é o que realmente somos!   Criado em : 5/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

RECORTES DE PERTENÇA

Nunca foi inteiro, teve sempre que se recortar para se relacionar com as pessoas. Trabalho artesanal árduo – peça certa de quebra-cabeças para se obter o encaixe perfeito. Porque, se assim não fosse, seria tratado com indiferença e o sentimento de pertença jamais seria saciado. Queria mostrar quem era, revelar toda a sua alma, mas talvez nem todos os sentidos estivessem prontos para tão forte revelação. Afinal, são olhos que não encaram, narizes sensíveis à podridão, bocas avessas ao amargor e ouvidos surdos ao que importa.   Criado em : 4/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O IDIOTA DA ERA DIGITAL

Procura-se a Empatia! Vou lhes dizer! Nós a matamos – vós e eu! Todos nós somos seus assassinos! Gritou, desesperado, um tresloucado humano.   Sem compreender a profundidade dessa hiperbólica afirmação, todos riem daquele que a anunciou. Presos na bolha dos iguais, distribuem empatia em conta-gotas – exclusão dos diferentes – e, crendo-a verdadeira, negam o dito.   Com tragédias em massa à disposição a um clique, a emoção se desliga – prevenção do colapso mental – e ascende a cultura da barbárie.   Esse é o diagnóstico cultural, profundo e preocupante, da presente civilização.   Criado em : 3/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O TERRITÓRIO DO ENGANO

Entre a fraude e a manipulação, há mais coisas do que imagina nossa vã hipocrisia. Desaparece o cosmos, abunda o território do engano onde o jogo de interesses e da distorção da verdade – sombras das intenções humanas – imperam. A limitação do conhecimento intelectual é substituída por uma falsa moralidade, impedindo-nos de enxergar a verdade.   Entre aquelas sombras, a fraude é a de mais fácil detecção, pois, como o pavão, que não resiste a um olhar mais profundo, ao exibir a sua bela aparência, evidencia seus pés – distorção do que exibe. Já a manipulação é sagaz, pois, como o Cavalo de Tróia – representação cristalizada de dádiva –, por carregar o mal apenas em sua essência, engana a todos. Nos bastidores do controle social, escondem-se os mais profundos, complexos e sombrios mistérios.   Criado em : 2/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

SÓ UMA VEZ

Você apareceu quando eu estava só, os olhares se cruzaram e a identificação foi imediata. Silenciosamente, assumimos compromisso. Erámos pura empolgação, não havia como dar errado. Enchi você de mimos, amei a sua presença cotidiana, adorei cada gesto seu, idolatrei a nossa relação. Mas alguma coisa nos afastou, nada percebi no dia a dia, porque não havia sinais visíveis. Então, a intimidade esfriou e você se afastou; ainda insisti, indo à sua procura, porém foi só uma vez, porque já estava em outros braços e seu olhar me olhou com indiferença.   Criado em : 2/9/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O Evangelho segundo os Modernos Fariseus

Sigam e façam o que eu prego, desconsiderem o que eu faço; o dinheiro é o mal do mundo, mas o dizimaremos, consagrando-o; perdoem-nos os excluídos, mas religião é para os escolhidos; a nossa doutrina da aparência valida qualquer essência; demonizem o povo do mundo, festejem a secularização dos ritos, afirmam os entendedores da palavra. Todavia, só para contrariar os santos sábios, atualizamos a velha passagem para os tempos contemporâneos: A religião foi feita por causa do homem, e não o homem por causa da religião.   Criado em : 29/8/2026 Autor : Flavyann Di Flaff