Pular para o conteúdo principal

ENQUANTO NÃO SE ENTREGA

Ele, que tanto sonhou em amar de uma forma intensa, recíproca, igual a que vira em tantos filmes românticos, mesmo naqueles em que o final não era condizente com tanta troca de sentimentos, viu-se hesitando diante da iminência de se apaixonar de verdade! É que descobrira que, junto com a paixão, vem também a angústia da espera, seja por uma reciprocidade que nem sempre vem, seja para poder estar de novo com o outro, seja por tantas outras coisinhas, que para os que não estão enamorados são insignificantes. Nos filmes, nunca vira tal fato, implícito ou explícito, no enredo, apenas as coisas boas, que tanto emocionam positivamente, eram sempre evidenciadas.
Vivendo uma relação no presente que lhe é prazerosamente agradável, sente o coração balançar cada vez que ouve falar de ou se encontra com seu bem-querer. Toda vez que está ao lado dele, tem o desejo de expressar de todas as formas o que sente, mas sempre é vencido pelo receio. Sabe que para a relação evoluir tem que se dar de corpo e alma, não só por um momento, porém, tem que ser durante todo o envolvimento.
Ciente de que tudo tem seu ônus, mesmo as coisas boas, terá que aceitar que a paixão fascina, excita, atrai, todavia, também nos torna vulneráveis e, em certas ocasiões, muito frágeis, totalmente dependentes da presença do outro. Por isso, terá que vencer o receio e se arriscar, já que tudo nesta vida é uma eterna ambiguidade a se alternar ao longo do seu passar, entretanto, enquanto isso não ocorre, vai fortalecendo os laços com boas doses de gestos ternos, desfrutando, assim, os momentos a dois.

Criado em: 11/5/2010 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff