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A RUA DAS DAMAS DE CARIDADE

Numa rua onde as moças ficam sempre nas portas e nas janelas de seus virtuais lares a instigar a parte mais profana de imprevisíveis passantes, a decência passa com uma hipócrita vergonha, pois, no seu íntimo, sente seus desejos provocados, afinal, ela também os tem e, com isso, sentir-se igualmente tentada é algo inevitável.

Nessa vereda, a devassidão se deita e se deleita em leitos semelhantes, verdadeiras propriedades privadas também de sentimentos. Senhores do pedaço, os cafetões, as cafetinas e afins, estão sempre a fim de lucrar o vil metal a todo custo alheio e até à força.

Via onde o descuido pode gerar problemas econômicos, sociais e físicos, mas que, apesar de tantos riscos, não falta quem recorra a ela para saciar diversos e distintos desejos acumulados e já à flor da pele.

São moças na idade, porém bem maduras nessa atividade. Fazem diuturnamente seus autossacrifícios, sempre em favor do desfrute alheio. Nessa rua, existem inúmeras delas, todas bem distintas, contudo, tendo o mesmo propósito, que é o de fazer a caridade àqueles que as procuram e pagam bem.

Criado em: 2/10/2007 Autor: Flavyann Di Flaff


         

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