Hoje,
recolhendo as peças que foram lançadas pela decepção ao chão do quarto dos
desejos, tentei juntá-las, para, desse modo, encontrar a explicação que não surgiu
naquele momento e que já faz parte do passado. Sei que não alterará tudo o que sucedera
ao ocorrido, mas sirva para justificar a minha gritante falta de
experiência na ocasião.
Logo após adentrarmos
naquele que seria o recanto da concretização dos nossos tão fantasiados
desejos, não percebi o quanto que estavas acelerada em relação ao que iríamos
fazer. Enquanto eu executava os gestos iniciais, já estavas bem adiantada, com tuas
impetuosas incitações. Fizeste com que eu entrasse nesse frenético ritmo e, sem
notar, permiti que começássemos pelas carícias que antecedem o fim. Ironia ou
não, realmente, aquela ação fora o encerramento do que mal tínhamos começado.
Aparentei uma aceitação que muito me incomodou, tanto que quis argumentar em relação ao
fato, porém insistias em findar o assunto ali mesmo. Um entendimento instantâneo que contrastava, absurdamente, com a frustração que se via em teu
semblante, fazendo com que a minha descrença em tuas palavras crescesse ainda
mais.
A minha cisma
foi confirmada nos dias que sucederam o ocorrido, pois o teu comportamento
outrora receptivo e cativante fora trocado por outro, uma vez que eliminaste
qualquer hipótese de continuidade aos nossos diálogos e me excluíste de vez do
teu círculo existencial.
Ultimamente,
tenho praticado um verdadeiro exercício de humildade, já que nem sempre é fácil
para o ser humano reconhecer os seus erros. Entretanto, hoje assumo que fui ingênuo e
inexperiente, não conseguindo enxergar que, em você, havia um ser
dissimulado, indiferente e frio. Assumo, da mesma forma, que me deixei levar por suas
insinuações perniciosas, a ponto de igualmente as retribuir. Por fim, assumo que
acreditei em palavras que passavam a ideia de fidelidade e respeito em relação
aquele nosso momento, quando, na verdade, nada disso existia.
Desde já, não ficarei a me autoflagelar, esperando uma improvável compaixão de quem não se compadece
nem de si mesmo. Seguirei caminho distinto, com o aprendizado desta lição: a de
não mais me deixar surpreender por seres que usam de meias-verdades para
conseguir os seus objetivos.
Criado em: 16/01/2008 Autor: Flavyann Di Flaff

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