Conhecia-te apenas por palavras, estas, todas trocadas
sem um único contato visual. Escrevias o que bem entendias e eu, o que era mais
adequado.
O tempo passou e a curiosidade ─ algo inerente ao ser
humano ─, se mostrou exacerbado em teu ser mulher, a ponto de me propores um
encontro. Mesmo receoso, senti-me motivado por algumas palavras tuas, que
insinuavam desejos, os quais aparentavas sentir. Antes, fiz alguns
questionamentos a respeito, só para sentir se existia veracidade nelas. Fiz isso,
apenas por mera formalidade, já que estava completamente enfeitiçado por tuas
insinuações.
O grande dia chegara e quando meus olhos te viram,
brilharam. Fora como se tivesse achado um oásis nesse imenso deserto que é a
solidão. Só que nada falaste, pior, não esboçaste nenhuma reação, fazendo com
que eu ficasse ainda mais inseguro. Passada a impressão inicial, que foi de puro
contentamento, intui que não agradei de todo.
Diante da única reação que não esboçaste, mas que deixaste
transparecer em teu semblante ─ a da rejeição ─, fui morrendo aos poucos, pois
tive a certeza de que não aplacarias a sede, que há muito me consumia.
Por tuas palavras, que mais pareciam águas cristalinas,
pensei que estaria diante de alguém especial. Mas para minha infeliz surpresa,
descobri que elas não passavam de ondas, que, de acordo com as marés de teus
interesses, iam e vinham aportar na areia do meu sedento ser. Tudo isso me fez
ver a tua verdadeira natureza, pois és mar e como tal, podes abrigar vida em
teu interior, possuir o mesmo cheiro embriagador, ter a mesma beleza
encantadora e a mesma imponência. Entretanto, como ele, em sua essência, jamais
poderá aplacar a sede de algum ser vivente, principalmente, essa minha imensa
sede de amar.
Criado em: 18/09/2008 Autor: Flavyann Di Flaff

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