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CONSCIENTIZAÇÃO TARDIA

Transcorridas quase quatro décadas de efêmera existência, veio à cabeça fazer um breve balanço de tudo o que se sucedera no decorrer dela. Tinha consciência de que uma só folha escrita, frente e verso, era mais que suficiente para os seus relatos. Doía-lhe muito, ter essa certeza!

Lembrou, com enorme nostalgia, que, nas suas duas primeiras décadas, fora verdadeiramente feliz. Deu-lhe tamanha saudade ao se lembrar da aurora de sua vida, da sua infância e adolescência queridas, de um tempo que já não volta mais. Não esqueceu, nem poderia, das duas décadas restantes, pois fora nelas que conheceu e reconheceu o gosto amargo da frustração. Também descobriu o quanto a fase adulta pode tornar um ser humano amargo e triste, profundamente triste. Por fim, recordou as noites em que chorara, não por não ter um amor, porque isso é uma sensação que vem e logo passa, uma vez que ninguém, por melhor que pareça, será capaz de saciar essa sede de amor do outro, assim, seguiremos sempre desejando amar alguém. Na verdade, muito chorara, por não ter se realizado como pessoa, por não ter tido uma meta a seguir. Assim, acabou ficando inerte diante da vida, que passara e sempre lhe convidara a vivê-la, porém se acovardou.

Hoje, tomou consciência de que a segurança, a autoestima e a força de vontade, que tanto murmurava por não as ter, só existiriam se tivesse consigo um objetivo concreto e que o almejasse de verdade, com todo o seu coração. Desse modo, teria lutado, cometido erros, levantando-se e seguindo adiante, até consegui-lo. Obtendo, assim, em todo esse tempo de sua existência, a honra de ser um lutador vitorioso, cheio de histórias de vida para contar, como tantos outros habitantes desse planeta chamado Terra.

Criado em: 30/9/2008 Autor: Flavyann Di Flaff

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