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PERCEPÇÃO TARDIA




Sem saber que o amor que tanto aguardara, de repente, viria assim, em forma de uma paixão adolescente. Fora o tratando despretensiosamente, como algo passageiro e pueril. Assim, pouco ousava, doando-se apenas o suficiente para manter aquela companhia por perto. Mal se dando conta que, com essa sua atitude, estaria a causar uma grande transformação naquilo que tanto esperara − ação que deixaria uma profunda marca em sua vida.
Com a mesma e inesperada rapidez com que a companheira se encantara, desencantando-se fora. Quando ele percebera que não era só uma paixão adolescente, o que estava a vivenciar, mas sim, o amor que tanto sonhara já se fazia tarde. Pois só o que havia agora, era a existência de uma crescente indiferença para com o seu ser.
Uma sequência de momentos ruins se sucedera, mas ainda resistiria nele, uma insegura e efêmera esperança. O suficiente para fazê-lo cometer um ato que, outrora, seria impensável para o mesmo. Porém, diante do que já começara a sentir, não veria outra solução. De nada adiantara! Primeiramente, só obteve o silêncio como resposta, para em seguida, por uma preposta boca, ouvir a tão indesejada rejeição. Logo seu peito doeu e seu coração sangrou, como quando ocorre no marlim azul − o sangue que corre, faz todo o seu ser ficar amargo.
O tempo passara, mas a cada vez que via aquele ser pré-adolescente, a ferida voltava a sangrar. A cura só seria alcançada alguns anos mais tarde, porém, a lembrança de alguns raros e bons momentos, ainda permaneceria viva, como a querer dizer que tudo poderia ter sido diferente.

Criado em: 17/06/2007 Autor: Flavyann Di Flaff

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