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VENCER A SI MESMO

Eis que, sem lutar nenhuma grande batalha, cai agonizando o guerreiro! Corpo dorido, lágrimas no rosto sofrido e com murmúrios indecifráveis nos lábios trêmulos.  É assim, pouco a pouco, que vai sendo minada a essência de sua pífia existência.
Após findar esse tempo presente e a sua plebeia vida, nada restará a ser dito. Apenas comentários incertos, distintos e, em grande parte, maldosos serão ouvidos por aqueles que o cercavam. Ao ouvi-los, todos os demais, de chofre, o julgarão e o condenarão. Jogando-o numa sarjeta, de onde sempre escapou, graças a meros detalhes de sua simplória realidade.
A sua ausência não será sentida, uma vez que, para a maioria, nada representava. Lembranças suas só existirão, de forma fortuita, na cabeça de algumas raríssimas pessoas, sendo essas lembranças, ao passar de curto espaço de tempo, inevitavelmente levadas ao ostracismo.
Enquanto o tempo entre a sua agonia e a sua morte não se conclui, ainda lhe resta esse meio termo para lutar o tão desejado grande conflito, que bem poderá ser o primeiro e último. Porém, não será um combate comum, no qual combatente e oponente são pessoas distintas. Nesse embate, a vitória do guerreiro só será conseguida, derrotando a si mesmo, visto que, desse desfecho, dependerá a sua sobrevivência.

Criado em: 10/9/2007 Autor: Flavyann Di Flaff

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