Pular para o conteúdo principal

DE UMA INEVITÁVEL QUEDA

Quando conversamos de início, dizíamos que a cada diálogo mais desprendido, subiríamos um degrau na fictícia escada do envolvimento. As suas palavras me passavam uma sensação de segurança, algo necessário para que meus passos fossem impulsionados mais rapidamente rumo àquilo que, por enquanto, eu só imaginava, entretanto, em sua mente, já estava mais que definido. Só não sabia se essa segurança que me tentava passar era a de proporcionar uma subida agradável ou se era a da certeza de que conseguira o seu objetivo pessoal.
Em curto tempo, o desejo era tão forte, que a sua presença já se fazia diária em meu ambiente. Assim, sem notar, transpus lances inteiros de degraus, tudo em uma só vez! Nesses instantes, estive sempre apoiado por suas palavras ─ mãos sutilmente fortes ─ garantia de que nada de mal aconteceria, foi assim que me fez entender.
As suas constantes ousadias verbais e visuais me faziam só olhar para cima, esquecendo de vez, o quanto alto já estávamos. Inexplicavelmente, enquanto perdia a noção da altura, o medo não me assolava, porém ao olhar para cima, mesmo forçando a vista, não conseguia enxergar o nosso destino, apenas os novos lances de degraus.
Minha imaginação embarcou e navegou por cenários, nunca antes pensado por mim. Então, envolvemo-nos! Nessa hora, o que estava a passar pela sua? Planos futuros a dois ou apenas a satisfação pela conquista do que já tinha planejado?
Hoje a sensação que tenho, é que, logo após o fato consumado, você foi se saindo aos poucos, para que eu não notasse. Quando me dei conta, já tinha partido, levando consigo a escada usada para me conduzir para o alto. Deixando para trás, eu e a angústia de não saber como fazer para não sofrer imensamente com a inevitável queda.

Criado em: 09/04/2008 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff