Pular para o conteúdo principal

A TRAMA FATAL DE UMA DEUSA

Pelas palavras escritas com tamanha certeza do que desejava, pensei que teria a honra de receber o néctar dos deuses. Porém, quando as palavras se fizeram ação, recebi o néctar amargo do sofrimento − a cicuta. A bebida seguiu me envenenando em forma de uma aflição sem fim e, por isso, quase morri.

Passado o efeito inicial, tentei me curar, provando de outras bebidas − verdadeiros vinhos baratos – já que em nada contribuíam para sanar o mal que me consumia.

Como pude me enganar com tão simples ardil! Coisa que qualquer bom caçador saberia reconhecer, posto que faz parte do seu vasto arsenal de artimanhas. Talvez tenha me deixado levar pela atmosfera mítica das palavras daquele ser, que eu pensara se tratar de uma deusa, tamanha era a veracidade do sentimento que emanava de tudo que me fora revelado naquelas conversas eventuais.

O tempo passou e vi, tardiamente, que tudo não passara de uma trama cruel e fatal! Porquanto aquele ser que me fizera baixar a guarda e me entregar, usou de artifícios mitológicos para tanto. Ao se apresentar, vestiu-se de Afrodite, e para me prender, vestiu-se de Diana, por fim, para me condenar ao sofrimento eterno, mostrou a sua verdadeira face, assemelhando-se à deusa Pandora, abrindo a sua caixa infernal, libertando e enviando para mim, todos os males existentes em forma de um hipócrita e sutil desprezo.

Criado em: 01/08/2008 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff