Pular para o conteúdo principal

FELIZ CONDENAÇÃO



Dia 22 de dezembro de um ano qualquer, nessa data, ele fora julgado no tribunal das relações interpessoais em um claro rito sumário, no qual a sessão fora presidida por uma única figura, que se dizia autoridade no caso. Importante frisar, que, tal julgamento acontece à revelia do réu, não por vontade própria, mas por não ter o conhecimento prévio da convocação desse júri. Ficando sabedor, apenas, da sentença proferida.
Nos autos nenhuma alegação concreta, apenas suposições, todas provenientes de uma insegurança pessoal do requerente. Apesar de nada ser procedente, fora aceita como prova suficiente para uma condenação. De forma sucinta, o parecer fora dado com convicção, sem nenhum direito à apelação do acusado.
Para conhecimento público, eis a sentença dada: o réu fulano de tal, julgado e condenado por essa autoridade, recebe pena máxima, a qual consiste em, a partir de hoje, ficar só. Logo, subentende-se que o mesmo está em liberdade provisória, já que é passível de contrair um novo envolvimento.
Esse veredicto, para alguns, parece ter o mesmo valor que a pena capital, pois muitos preferem continuar cativos daqueles que lhes impõe, sempre, injustas desconfianças no decorrer de suas relações. Entretanto, o réu em questão, mostrando-se como exceção, sentiu-se feliz e imensamente aliviado, uma vez que, a partir dali, estaria livre para desfrutar de novas oportunidades de uma vida a dois.

Criado em: 24/12/2009 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff