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O LEGALISTA

João Bancamorte, incomodado, decide analisar o porquê de tanta criminalidade em sua cidade. Ao verificar que havia um padrão no modus operandi do crime, resolveu construir uma prisão – a primeira de muitas –, a qual denominou Casa de Detenção Verde e Amarela.

No início, prendia quem infringisse o Código Penal vigente, seguindo o rigor do sistema judiciário. Com o tempo e o fluxo recorrente de prisões, o local já não comportava o crescente número de detentos. Apesar disso, Bancamorte insistia no encarceramento em massa. Sua ação era embasada por uma flexibilização do ordenamento jurídico promovida por sua própria visão legalista; ele passou a inserir leis de autoria própria no sistema, com o único intuito de dar um ar de legalidade à captura daqueles que confrontavam seu populismo penal, reforçando sua postura beligerante.

Eventualmente, João percebeu que a população carcerária não era composta apenas por marginalizados, mas por todas as camadas da sociedade – inclusive por pessoas de sua própria laia. Ao olhar para esse retrato fiel da representatividade social, reconheceu-se como o único e último bastião da honestidade na cidade. Diante dessa constatação, soltou todos os encarcerados e foi morar, sozinho, no seu maior projeto de políticas públicas.

Criado em: 24/8/2026 Autor: Flavyann Di Flaff


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