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IDA

Ela chegou compassiva,
estendendo a mão num gesto compreensivo,
insinuando promessas resolutivas de salvação,
convidou-a a segui-la num último gesto de fé
e, depois disso, ninguém mais as viu.
Os mais próximos dizem que ela
se foi por livre vontade – entregou-se.
Os médicos, que ela sucumbiu à inanição.
Os psicólogos, que ela não resistiu à depressão.
Os religiosos intolerantes, que ela foi enfeitiçada.
Por fim, o que se sabe é que ela se partiu
em mil pedaços e nunca mais se refez.
Qualquer que seja a versão do porquê da partida,
nada justifica a abreviação de uma existência.
Porém, Aquela que veio buscá-la,
só necessita de uma mera explicação
para justificar a sua inerente ação.
E, assim, ela se foi, sem nem se despedir dos seus.
 
Criado em: 25/8/2026 Autor: Flavyann Di Flaff 

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