Sem poder negar a sua
origem e incomodado com o peso dessa influência, resolveu, num arroubo,
contrariar o pátrio poder. Vestiu a camisa da retórica de Caifás e tornou-se
literalmente um cordeiro. Começou a obedecer ao Sinédrio e as suas tradicionais
leis, sem nada mais questionar. Assim, desfez-se da imagem impopular de
agitador, acalmando os receios daqueles que o cooptaram.
Mas a vida pacata de
submisso não o agradou e, nessa ocasião, conheceu Simão, um zelador passional
das antigas leis. Ele defendia uma teocracia radical, na qual o seu idealizado
deus era soberano, por isso, sempre agia de forma beligerante para com quem confrontasse
a sua ideologia. E, assim, com essa retórica de guerreiro sempre pronto para a
batalha, aliciou o confuso jovem para a sua legítima causa. Filiado, logo foi
alçado a líder de um pequeno grupo armado, cuja missão era a de impor o código
moral do idealizado governo teocrático. Dessa forma, fez do seu povo refém do
medo e impotente diante da recorrente disputa pelo poder.
A tensão se fazia
presente em todas as ações que o grupo, liderado pelo confuso jovem, executava
cotidianamente, uma espécie de policiamento moral. O que lhe gerava um
constante estado de alerta, que, ao final de cada dia, levava-o à exaustão
mental e física.
Certo dia, quando o escudo e a espada repousavam, momento raro, refletiu e decidiu largar essa vida inglória. Então, arrependido, retornou à casa do pai, que o recebeu e o acolheu sem repreensões, restabelecendo a harmonia de outrora.
Criado em: 26/8/2026 Autor: Flavyann
Di Flaff

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