Muitos jovens da nova geração questionam o valor da
educação, invertendo a ordem da pergunta: em vez de “por quê?”, perguntam “para
que estudar?”. Talvez, persuadidos pelo canto da sereia da tecnologia, pensem
que apenas dominá-la já lhes garante não somente o sustento, mas também uma
vida de riqueza material. Tal pensamento é fruto de uma cultura materialista,
na qual o ter vem antes e vale mais do que o ser; em outras palavras, a posse
de bens passa a ser compreendida como garantia de domínio sobre as diferentes
áreas que regem a vida cotidiana.
Essa geração, antes de simplesmente reproduzir a
narrativa utilitarista da obsolescência da educação como meio de garantir o
futuro, deveria procurar saber, conhecer e compreender como a sociedade
funciona para aqueles que possuem estudo e para aqueles que não o possuem.
Afinal, previsibilidade, segurança e controle não fazem parte do vocabulário da
vida. A educação, portanto, não deveria ser compreendida apenas como
instrumento para a obtenção de um emprego ou de melhores condições materiais,
mas como possibilidade de compreender o mundo, interpretar suas contradições e
atuar conscientemente sobre a realidade.
Em uma sociedade marcada pela velocidade das transformações tecnológicas, aquilo que hoje parece suficiente pode tornar-se insuficiente amanhã. Nesse sentido, mais importante do que dominar uma determinada tecnologia é desenvolver a capacidade de aprender, questionar, interpretar e reconstruir conhecimentos continuamente. É justamente nesse ponto que reside a importância da educação: ela não oferece garantias absolutas sobre o futuro, mas amplia as possibilidades de compreendê-lo e de participar de sua construção.
Criado
em: 23/8/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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