Pular para o conteúdo principal

DE CERTA MÁGOA

                                  

A tua pessoa me seduziu, a ponto de me fazer se apaixonar por ti! Iludido por esse teu jogo sedutor, assumi um namoro contigo. Mas nunca cedi a todos os teus caprichos, fiz, somente, o que julguei correto e seguro.

Brigas e pequenas querelas, sempre ocorreram, mas depois delas, sempre houve retornos, regressos que, mais e mais me prendiam a ti. Lutava sempre contra eles, porém, muitas vezes, minado por uma perene paixão, acabava cedendo.

Sempre fui conhecedor dos teus defeitos, porém uma esperança de ainda poder desfrutar das tuas virtudes, se é que possuías alguma, tornava-me cego diante das tuas maldosas ações.

A ânsia de realizar o teu desejo − vontade de me possuir por completo − era o que ainda te mantinha constante ao meu lado. Iludido por esta errônea paixão, descobri-me confuso, pois ao mesmo tempo em que pedia aos céus para me ver livre de ti, desejava estar contigo novamente. No entanto, quis o Deus celestial que tu pudesses cair novamente em pecado e bem diante dos meus olhos, confirmando, assim, todas as minhas incertezas, uma vez que ainda cria em ti. Como muitos, também não suporto traições e me separei de ti. Agora, o sentimento que antes me habitava se transformou em uma grande e eterna mágoa, fruto do trágico fim desta longa e conturbada relação entre nós dois.

Criado em: 07/06/1996 Autor: Flavyann Di Flaff


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

O JOGO DA VIDA

O jogo da vida é avaliado sob quatro perspectivas: a de quem já jogou e ganhou e desfruta da vitória, a de quem acabou de entrar, a de quem está jogando e a de quem jogou, perdeu e tem que decidir se desiste ou segue jogando. Quem jogou e ganhou, desfruta os louros da vitória, por isso pode assumir a postura que mais lhe convier diante da vida. Quem acabou de entrar no jogo, chega cheio de esperança e expectativas, que logo podem ser confirmadas ou frustradas, levando-o a ser derrotado ou a pedir para sair, permanecendo à margem, impotente diante da vida. Quem está jogando, sente a pressão da competição e, por isso, não se deixa levar por comentários de quem só está na arquibancada da vida, sem coragem de lutar. Quem jogou e perdeu, sente todo o peso das cobranças sociais pelo fracasso, por isso não se permite o luxo de desistir, pois sabe que tem que continuar jogando, seja por revolta, seja para se manter vivo nessa eterna disputa. Criado em: 20/11/2022 Autor: Flavyann Di Flaff