Pular para o conteúdo principal

PEQUENO RINCÃO

Longe dos alvoroços citadinos, um bucólico cidadão segue a vida desapressada numa casinha à beira-chão. Lá, onde há uma capelinha que, se comparada aos templos dos deuses urbanos, mais parece um simples oratório, porém neste diferentemente daqueles, Deus é chamado de Nosso Senhor. Onde o amigo longe é o mais próximo, e as paisagens se renovam a cada amanhecer. Ao nascer do dia, exibe-se, sob a cortina de alva renda, a multifacetada natureza. Os passarinhos compõem suas melodias em deslumbrantes ensaios ao longo das horas claras, parando, apenas, ao anoitecer, quando só os seres lunares saem para festejar a vida em banquetes intermitentes. As árvores trocam de roupa, depois de, como crianças, brincarem na chuva. Os gigantes de pedra, impactados pela nobreza de tanta simplicidade, ficam estáticos e em silêncio, observando aquele pequeno universo de felicidade.

Finda mais um dia, Ave-Maria! É hora de agradecer, novamente, pela paz e harmonia que habitam esse rincão.

Criado em: 26/04/2021 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff