Pular para o conteúdo principal

ACREDITAR EM SI MESMO

Suas crenças não passavam de tralhas a enfeitar velhos mobiliários passados de geração em geração, muitas delas preenchiam sua casa em forma de plantas e afins, tanto que se as enumerasse, comporiam uma vasta lista.

Durante toda a sua vida, acumulou talismãs em forma de lua, pirâmide, figa, trevo-de-quatro-folhas, ferradura, patuá, estrela de seis pontas, escaravelho, gato da sorte, sapo da fortuna, olho-de-gato, Buda, olho-de-cabra, elefante branco, moeda, medalhão, crucifixo, filtro dos sonhos, dente de alho, canela, arruda, comigo-ninguém-pode, planta de jade, lírio da paz, calathea, palmeira ráfis, abacaxi-roxo, alecrim, bambu da sorte, aloe vera, e tantos outros que nem mais sabia para que serviam.

Hoje, no ocaso de sua existência, refletiu e viu que nada do que aconteceu em sua vida até ali fora fruto da interseção desses objetos, mas, sim, da sua capacidade de assimilar o conhecimento e de se relacionar com os mais diversos e distintos seres. Então, juntou tudo e pôs em um velho baú, quem sabe, alguém ainda precise de uma força externa para aprender a acreditar em si mesmo.

Criado em: 18/4/2021 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff