Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2026

A VIDA É CÍCLICA

  Tomar consciência de que a vida é cíclica é essencial para seguirmos nesta imprevisível jornada existencial. E cada ciclo possui suas peculiaridades. Quando estamos em tempo de fartura, ele passa tão rápido, que a impressão é a de que já viramos a ampulheta. Porém, quando estamos no período de escassez, tudo parece arrastar-se, a ponto de entrarmos em desespero e querer agitar o relógio artesanal, a fim de fazer a areia escorrer mais rápido. Todavia, nenhuma artimanha adianta, porque cada ciclo foi feito para ser experienciado, e não negligenciado. O tempo de fartura é para lembrarmos que há sempre uma recompensa para todos que resistirem ao de escassez Por isso, tomemos consciência e sejamos, antes de tudo, resilientes, porque, como afirma um velho ditado “Depois da tempestade, vem a bonança”. Criado em : 15/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

REALPOLITIK - SOBRE O DISCURSO POLÍTICO

O discurso político age baseado na Identidade e no Pertencimento do eleitor, por isso, parece ter um caráter universal, mas, na verdade, é comunitário e específico, ou seja, é feito para atender a um determinado grupo social. Esse discurso também é apresentado como sendo uma Narrativa Moral, na qual o político faz uma autodescrição positiva e conveniente de quem ele é e uma negativa de seus adversários, a fim de mostrar, por meio dessa moral construída comparativamente, para os eleitores o que deve ser feito, a partir do seu próprio ponto de vista e do seu propósito. Portanto, não nos iludamos com os argumentos retóricos proferidos durante os mandatos da classe política, porque, em sua maioria, não refletem os reais interesses desses representantes do povo. Geralmente, o que prevalece é a união entre os interesses dos lobistas e dos políticos. Criado em : 14/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

HERANÇA

Quando passava, fazia surgir borboletas no estômago, e as pernas tremiam, não suportando a carga emocional.   O nome era a senha para o mundo passional, onde tudo remetia a ela – vício de um momento eterno, repleto de um sentimento etéreo por alguém que não era deste mundo.   Porém, vivendo em um mundo dual, o sonho se realiza ou vira fantasia.   Então, ela passou, e não permaneceu. Seguiu rumo distinto, trocando sentimento puro por puro instinto.   Assim, das borboletas no estômago, só restou a lembrança, herança de um sentimento que não foi.   Criado em : 1/3/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CONSEQUÊNCIAS DO LAWFARE

  O que se observa, em diversos contextos políticos contemporâneos, não é propriamente um compromisso institucional com o enfrentamento estrutural dos desmandos na gestão pública, mas a sua espetacularização estratégica. Denúncias que deveriam ensejar apuração técnica, responsabilidade jurídica e aperfeiçoamento institucional tornam-se instrumentos de disputa política. O escândalo passa a valer mais do que a solução. A espetacularização converte o processo jurídico em espetáculo midiático. Ao invés de fortalecer o devido processo legal e a transparência administrativa, promove-se a exposição pública seletiva, frequentemente orientada por interesses circunstanciais. O objetivo não é sanar irregularidades, mas desgastar reputações, corroer capital político e produzir efeitos eleitorais imediatos. Nesse contexto, a lógica da justiça é substituída pela lógica da performance. Essa dinâmica caracteriza o fenômeno conhecido como lawfare : o uso estratégico do aparato jurídico como arm...

OLHAR INVEJOSO DO TEMPO

  O tempo que acelera as coisas da cidade, dessa bela terra, passa ao largo. Libera o livre-arbítrio às pessoas que nela vivem, dando uma autonomia que as libera a seguirem a vida no ritmo que bem lhes convier. A vida, nessa terra, é desapressada, segue apenas o ritmo das necessidades cotidianas. O tempo por aqui não pede passagem, atropelando tudo e todos, prefere observar o desenrolar da vida das pessoas locais, parecendo ter inveja desse viver. É o caipira que sai pra roça, abre a terra, coloca a semente. É a natureza que assume a tarefa, regando, fazendo brotar a semente. Cada gesto no seu momento, sem pular etapas. Assim segue a vida nessa terra abençoada, onde o tempo passa só de visita, sem se demorar. Criado em : 26/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

SER ISENTO EM TEMPOS DE POLARIZAÇÃO POLÍTICA

Chamam-me isento como se fosse insulto, como se pensar não fosse verbo de risco. Querem-me bandeira, cor vibrando em punho fechado, grito pronto na garganta, antes mesmo da pergunta. Mas eu desconfio das verdades que marcham em fila, dos heróis que exigem aplauso e dos inimigos fabricados em série. Dizem que o mundo arde e que o muro é covardia. Talvez! Mas também ardem as fogueiras acesas por certezas cegas. Não me nego ao mundo. Nego-me ao cabresto. Não fujo do conflito. Fujo do rebanho. Porque há batalhas que se alimentam da nossa pressa e discursos que sobrevivem da nossa adesão automática. Chamam-me isentão como quem aponta o dedo para calar a dúvida. Mas há coragem em não vestir uniforme, em suportar o desconforto de não caber nos slogans. Entre o sim histérico e o não furioso, escolho a pergunta. Entre o ódio espelhado dos extremos que se parecem, escolho a consciência inquieta. Se isso é alienação, que seja! Mas que alienação estranha essa que observa, que lê, que questio...

NEOFARISAÍSMO

De acordo com os ensinamentos de alguns religiosos, a Boa Nova não surgiu, só existe o Velho Testamento. Basta vermos as pregações baseadas no medo, no pecado, na justiça e no inferno. Nesse sentido, a vida não passa de um estado de alerta recorrente, cujo objetivo é não se tornar impuro e, assim, perder a salvação. Se seguirmos cegamente tais ensinamentos, devemos crer que Jesus deveria ter incentivado e apedrejado a mulher adúltera, que Ele não deveria ter se convidado a ir à casa de Zaqueu, publicano, cobrador de impostos. Afinal, o que mais importa é a letra fria da lei, e não a observância do ato em si. A Boa Nova parece não fazer parte dos ensinamentos desses neofarisaicos, o que só justifica a lógica mercantilista da fé, em que a Teologia da Prosperidade é a essência. Por isso, a comparação e o julgamento são tão recorrentes e presentes no comportamento de muitos religiosos, frutos de percepções e narrativas distorcidas do Evangelho, esvaziando-o. Criado em : 16/2/2026 Aut...

POLÍTICA CULTURAL INSTRUMENTALIZADA

  A cultura raramente ocupa lugar central nas prioridades estratégicas dos gestores públicos. A dinâmica predominante nas secretarias estaduais e municipais de cultura revela uma política voltada menos ao fortalecimento das manifestações de base, aquelas sustentadas por grupos locais que preservam práticas culturais ancestrais, e mais à instrumentalização de agentes culturais já consagrados, convertidos em vitrines simbólicas de administrações cuja legitimidade, tanto administrativa quanto política, é frequentemente questionável, o que revela um tratamento, em relação à Cultura, não como um direito, mas, sim, como um ornamento estatal. Criado em : 15/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

ESCRAVIDÃO MODERNA

Eis a cidade onde o sonho se realiza ou é só mais um a perecer. De domingo a domingo, ou se ocupa a mente e o corpo com preocupações e tarefas alheias, ou se aboleta no sofá, diante da TV ou do celular, numa fuga que prende mais que liberta, tamanha é a tensão do estado de alerta. Nesses momentos, o cansaço gerado é sempre renovado, e nunca superado, sugando-nos a esperança pouca, deixando um vazio impreenchível, ocupado, quase sempre, por uma angústia e um desespero. Mas, quem sabe, um domingo calmo, com nossos pais ao lado, compartilhando segurança, a esperança se renovasse e a impotência cessasse, trazendo-nos de novo à vida, vencêssemos, enfim, esse estado de sobrevivência, que tanto nos priva de crer na realização de nossos sonhos.   Criado em : 15/2/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

A QUEDA DA SÍNTESE: Meias-Verdades e a Tirania das Capas Sociais

  Em seu empirismo radical, para se chegar ao conhecimento complexo, Locke descreve a percepção, a impressão e a reflexão como a “escada”, o “caminho”. Já Fichte e Kant desenvolveram, para se chegar a uma compreensão mais profunda de algum tema, um método composto por tese, antítese e síntese. Por fim, Hegel, seguindo na mesma linha, desenvolve os termos abstrato-negativo-concreto. Referências para o entendimento moderno sobre como aprendemos e percebemos o mundo. Porém, hoje, basta que algum indivíduo, vestido com alguma capa social que lhe dê autoridade, pronuncie meias-verdades, para que a massa, de imediato, acredite ser a verdade absoluta, pois a vasta opção de informações e o cansaço pela sobrevivência não a capacita a seguir os já mencionados passos para a devida compreensão dos fatos que lhe são narrados, gerando uma sociedade de impressões rápidas, mas de reflexões rasas. Assim, o ambiente moderno impõe uma realidade digital hiperestimulante e fragmentada. Se a socieda...

EMPIRISMO SOCIAL MODERADO

Ao nascermos, trazemos algumas ideias inatas, isto é, conhecimentos e princípios pré-estabelecidos que nos ajudarão a uma adaptação mais rápida ao meio em que estaremos inseridos, cuja denominação conhecida é sociedade. Os primeiros mediadores desse meio são os nossos pais, é através da experiência deles que boa parte do conhecimento necessário para convivermos socialmente será adquirido, o restante da formação de nossa identidade, ou seja, do nosso caráter e do entendimento serão moldados por inteiro pelo ambiente, pela educação e pelas nossas vivências individuais, portanto, tudo isso implica em como aprendemos e percebemos o mundo. Por fim, quando nos relacionamos uns com os outros em todos os sentidos, numa conexão fundamental, tomamos consciência de que a sociedade é construída e mantida não pelo que ela é de fato, mas pela percepção, pela impressão e pela reflexão que cada um de nós temos dela, como se, em cada novo relacionamento, trocássemos todo esse conjunto de informações ...

VOTO COMO ENGRENAGEM DE SUBMISSÃO

  O voto, há muito tempo, opera como um viés de confirmação da submissão coercitiva das massas à classe política, que sustenta deliberadamente um estado permanente de sobrevivência. Tal estratégia tem por objetivo impedir que o povo se indigne diante dos desmandos dessa mesma elite, desviando sua revolta para a narrativa manipuladora do “nós contra eles”. Quem luta cotidianamente para sobreviver não dispõe de forças materiais, emocionais ou simbólicas para investir em uma mudança estrutural que nunca chega. Isso se deve ao fato de não deter qualquer controle real sobre o sistema que o governa; resta-lhe apenas o papel de mais uma engrenagem da máquina que o oprime de forma contínua e silenciosa. Silenciar diante da denúncia da rapinagem praticada pela classe político-oligárquica é reconhecer a própria impotência. Omitir-se, por sua vez, revela uma conivência subserviente, ainda que travestida de neutralidade. Trata-se de assumir, conscientemente ou não, a individualidade arroga...

SÓ MAIS UM DIA

Hoje, ele cansou! Caiu de joelhos, chorou. Rasgava-lhe o peito, a dor de na vida nada ter feito. Buscou na memória um resquício de determinação, mas nenhuma lembrança de vitória, só perdas e danos e decepção. Prostrado, enxugou as lágrimas, ergueu-se ainda ferido, e um resto de autoestima o fez para a vida renascido.   Criado em : 30/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

CRIAÇÃO

Do velho estilo, quebrei a norma, porque assim o quis, fi-lo, dando-lhe nova forma.   Ao Barroco, dei um ar moderno. Pus de lado o paradoxo, escrevendo sobre o mundo hodierno.   Mas os versos não largaram a lógica, nada de versos livres ou brancos, todos a seguir uma disciplina estoica.   Aos trancos e barrancos, vi-me em plena contradição, crendo no novo, perdi a razão.   Criado em : 28/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

JUSTIÇA POÉTICA

Do abandono parental afetivo, nascerá uma besta-fera ou um cordeiro. Neste indivíduo, a fragilidade é hegemônica, paralisa-o diante da vida. Naquele, a revolta grita, reivindica o que não teve, não pede, toma-o coercitivamente. Cordeiros, quando sós, são meninos frágeis, porém, quando juntos, tornam-se ousados transgressores. Ressentidos, almejam oprimir, realizar a vingança contra o mundo que os oprimiu. Tendo a conivência e a omissão daqueles que os gerou, fortalecem-se, e acossam o mais inocente e fraco ser – ritual de iniciação à dominação. Executado o ato, tornam-se senhores do pedaço, imunes às consequências de suas ações, porque, quando o dinheiro grita, há distorção de valores. Mas eis que das sombras surge a luz, olhos vigilantes testemunham a orelha massacrada. E rapidamente a notícia se espalha, incendeia o rastilho de pólvora a virtual multidão. Depois de tudo exposto, concretiza-se a justiça poética: Quem um cão castiga, logo será justiçado pela matilha.   Criado em...

CONVERSÃO

  Uma terra invadida, de riquezas surrupiadas, de um povo escravizado, de um sistema clientelista e de um poder oligárquico, não possui uma Era de Ouro, apenas um passado inglório.   Porém, essa mesma terra de degredo, sob o toque midiático, converte-se num mundo de ouro. Porque, quando não se possui um passado de glórias, apropria-se de narrativas históricas – acervo imensurável de heróis e glórias.   Assim, customiza-se a realidade, não a favor de todos, mas de quem o poder ocupa.   Criado em : 24/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CALDEIRÃO

  Pegue datas históricas, símbolos míticos diversos e narrativas messiânicas. Junte tudo, prepare com esmero, depois de pronto, faça a propaganda nas distintas redes sociais. Logo comprarão a ideia, sem nada questionar, puro viés de confirmação. A revolta é um espelho para abstrações da realidade, e quem veste de verdade a sua versão insólita, com velhas poções, conquista seguidores, mas jamais indignados, questionadores do status quo .   Criado em : 23/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

A CONSTRUÇÃO SIMBÓLICA

Apesar de jovem, já é um veterano na arte da manipulação. Nascido em um tempo tecnológico, todas as ferramentas estão à sua mão. Mas, tendo em seu séquito, pessoas revoltadas pela sobrevivência institucionalizada, tais instrumentos só comunicam a velha fórmula de adestrar o povo.   O novo líder que nasce, mostra-se em vestes opulentas, às vezes, sob capa de seda com franjas de algodão, noutras, sob capa de algodão com franjas de seda. Dualidade simbolicamente sutil, imperceptível para olhos manipulados, pois só veem a estética da superfície.   Remodelando o mito do “Salvador da Pátria”, busca a unidade entre seus pares. A turba se encanta com a eloquência, e, ao cair nas redes, vê-se enredada, presa por perversões retóricas da realidade.   Por meio de edições convenientes e de uma propaganda homérica, ao fim de sua versão da odisseia, será premiado com o Goebbels de Ouro.   Criado em : 21/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff   ...

CONVIVÊNCIA LINGUÍSTICA

  Há quem tendo provado da última flor do Lácio e amado, hoje, de novos pontos de vista conhecido e se tornado ativista, rejeita e renega as suas normas, para adotar novas formas que em nada a revoga, porque em favor da Sociolinguística advoga.   Chamam de caga-regras os que defendem a Gramática Normativa, justificam que a língua ela degenera, tornando-a menos inclusiva.   Gente que o conhecimento desumanizou dispõe de conveniente consciência, pois à guerra cultural se lançou em nome de uma pseudoindependência.   Haverá um mundo onde todos conviverão em paz, sem que se lance ao submundo aquilo que não nos apraz.   Criado em : 18/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

INVENTÁRIO MNEMÔNICO EXISTENCIAL

Ciente de que o tempo passa, e não acumula memórias existenciais, antes, tende a armazená-las temporariamente, decidi, em resina mnemônica, envolver as lembranças, na esperança de preservá-las, a fim de revisitá-las sempre que a nostalgia as solicitar a mim. Preservei inúmeras chegadas e partidas, de amores e de entes queridos. Os vários momentos experienciados tornaram-se cortinas de pingentes para enfeitar o ambiente que a saudade visita junto com a minha companhia. Em peças translúcidas, eternizo instantes infindos, decisões tomadas ou só pensadas; dores sentidas, mas pedagógicas; abraços dados e recebidos, sonhos desfeitos ou realizados, projetos realizados ou só rascunhados. São tantos momentos, que os enumerar levaria horas, tempo que prefiro usufruir vivenciando, acrescentando, assim, mais alguns instantes a esse belo acervo. Entre tantos, a saudade sempre me leva a revisitar a infância, tempo de descobertas e vivência plena. Então, é dessa forma que renovo as energias e tomo co...

FETICHE

No mundo de consumo cego, quem tem um olho reina. Entre revoltados, mas não indignados, qualquer oportunista e aproveitador reina. Na miséria elaborada e instrumentalizada, a assistência institucional prestada faz os salvadores da pátria também reinar. Mandatários do caos instituído fazem, desfazem e refazem ao bel-prazer. No tempo de seus reinados, não há previsibilidade, nem estabilidade, só promessas da restauração do cosmos – fetiche de um mundo infernal.   Criado em : 14/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AMOR PERDIDO

  Nascemos amando incondicionalmente, mas onde, como e quando deixamos de amar dessa maneira? O mundo parece destituir-nos desse puro sentimento. Onde se exige desempenho e competitividade, não há tempo para o amor. Como, neste mundo, o controle é a base da convivência, não há mais liberdade para o amor. Quando, neste mundo, a racionalidade é a bússola, o amor, por ser instintivo, não tem lugar. Por isso, quando crescidos, continuamos a amar, porém, perdemos a naturalidade. Amamos apenas por interesse, essa é a dura realidade.   Criado em : 12/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MORADOR DE RUA

  Um senhor, para fugir do mal, lançou-se ao inferno. Lá, abafou o que sofreu, não superou ou esqueceu, porque, conhecendo outros males, doridos em semelhança. sublimou o que o jogou ali.   Mesmo tendo o tempo passado, ainda escondido chora, não pelas dores que sofrera, porém de pura raiva. Raiva pelo seu conformismo desesperador diante do que parecia inevitável, quando, na verdade, era só uma sentença proferida num descontrole emocional episódico.   Agora, com o fardo dos anos nas costas, já não há resgate possível, pois a esperança findou junto com a impulsividade adolescente, aboletando-o de vez nas ruas da cidade.   Criado em : 12/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O BANQUETE

  À mesa farta, lançou-se como se fora a primeira vez. A fome o consumia toda vez que olhava as maçãs, todas elas carnudas e suculentas. Mais parecia Eros esfomeado por tanta Beleza.   Criado em : 9/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

DE CAPITU

  Não me leias pelos olhos alheios, nem pelo ciúme que escreve torto. Sou a curva do tempo no quintal, a maré que aprende a voltar sozinha.   Chamam-me dissimulada, como se fosse crime pensar em silêncio. Mas quem nasce mulher aprende cedo que a verdade também se protege.   Meus olhos? São poços abertos: não afogam, refletem. Quem neles cai, cai de si mesmo e chama de culpa o próprio peso.   Amei sem algemas, ri sem pedir licença, cresci enquanto me mediam com réguas feitas de medo.   Se traí, foi a sentença; se calei, foi para existir. Nunca jurei ser espelho de ninguém, fui rio, e rios não pedem perdão por correr.   Hoje me escrevem à margem, mas sigo inteira no centro da dúvida. Porque a história que não me ouviu, ainda aprende a me ler.   Criado em : 7/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CEMITÉRIO VERTICAL

Na cova coletiva dos condomínios, enterram o desejo individual de paz. Sob leis determinadas em atas, reagem contrariamente. São pequenas e recorrentes burlas cotidianas – típicas do Cidadão de Bem, e Senhor do Mal – retratos da contradição humana. Mausoléus familiares repletos de podridão social, sepulcros caiados de uma sociedade patológica que se renova a cada geração.   Criado em : 6/1/2026 Autor : Flavyann Di Flaff