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A QUEDA DA SÍNTESE: Meias-Verdades e a Tirania das Capas Sociais

 

Em seu empirismo radical, para se chegar ao conhecimento complexo, Locke descreve a percepção, a impressão e a reflexão como a “escada”, o “caminho”. Já Fichte e Kant desenvolveram, para se chegar a uma compreensão mais profunda de algum tema, um método composto por tese, antítese e síntese. Por fim, Hegel, seguindo na mesma linha, desenvolve os termos abstrato-negativo-concreto. Referências para o entendimento moderno sobre como aprendemos e percebemos o mundo.

Porém, hoje, basta que algum indivíduo, vestido com alguma capa social que lhe dê autoridade, pronuncie meias-verdades, para que a massa, de imediato, acredite ser a verdade absoluta, pois a vasta opção de informações e o cansaço pela sobrevivência não a capacita a seguir os já mencionados passos para a devida compreensão dos fatos que lhe são narrados, gerando uma sociedade de impressões rápidas, mas de reflexões rasas.

Assim, o ambiente moderno impõe uma realidade digital hiperestimulante e fragmentada. Se a sociedade é, como proposto, uma construção mantida pelas tríades anteriormente citadas, o cenário atual desafia nossa capacidade de processamento. As impressões tornaram-se tão fugazes, e as percepções tão mediadas por algoritmos, que a reflexão, o estágio final de nossa formação de princípios, corre o risco de se tornar superficial, dificultando a síntese de uma identidade sólida em um mundo onde o intercâmbio de informações é constante, mas o sentido real delas, muitas vezes, se perde.

Criado em: 7/2/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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