Pular para o conteúdo principal

A QUEDA DA SÍNTESE: Meias-Verdades e a Tirania das Capas Sociais

 

Em seu empirismo radical, para se chegar ao conhecimento complexo, Locke descreve a percepção, a impressão e a reflexão como a “escada”, o “caminho”. Já Fichte e Kant desenvolveram, para se chegar a uma compreensão mais profunda de algum tema, um método composto por tese, antítese e síntese. Por fim, Hegel, seguindo na mesma linha, desenvolve os termos abstrato-negativo-concreto. Referências para o entendimento moderno sobre como aprendemos e percebemos o mundo.

Porém, hoje, basta que algum indivíduo, vestido com alguma capa social que lhe dê autoridade, pronuncie meias-verdades, para que a massa, de imediato, acredite ser a verdade absoluta, pois a vasta opção de informações e o cansaço pela sobrevivência não a capacita a seguir os já mencionados passos para a devida compreensão dos fatos que lhe são narrados, gerando uma sociedade de impressões rápidas, mas de reflexões rasas.

Assim, o ambiente moderno impõe uma realidade digital hiperestimulante e fragmentada. Se a sociedade é, como proposto, uma construção mantida pelas tríades anteriormente citadas, o cenário atual desafia nossa capacidade de processamento. As impressões tornaram-se tão fugazes, e as percepções tão mediadas por algoritmos, que a reflexão, o estágio final de nossa formação de princípios, corre o risco de se tornar superficial, dificultando a síntese de uma identidade sólida em um mundo onde o intercâmbio de informações é constante, mas o sentido real delas, muitas vezes, se perde.

Criado em: 7/2/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff