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DE CAPITU

 

Não me leias pelos olhos alheios,
nem pelo ciúme que escreve torto.
Sou a curva do tempo no quintal,
a maré que aprende a voltar sozinha.
 
Chamam-me dissimulada,
como se fosse crime pensar em silêncio.
Mas quem nasce mulher aprende cedo
que a verdade também se protege.
 
Meus olhos? São poços abertos:
não afogam, refletem.
Quem neles cai, cai de si mesmo
e chama de culpa o próprio peso.
 
Amei sem algemas,
ri sem pedir licença,
cresci enquanto me mediam
com réguas feitas de medo.
 
Se traí, foi a sentença;
se calei, foi para existir.
Nunca jurei ser espelho de ninguém,
fui rio, e rios não pedem perdão por correr.
 
Hoje me escrevem à margem,
mas sigo inteira no centro da dúvida.
Porque a história que não me ouviu,
ainda aprende a me ler.
 
Criado em: 7/1/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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