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DO CRÉDITO DOS FIÉIS DA VIDA

Como dizia o saudoso Chacrinha: “Na televisão, nada se cria, tudo se copia.” Dito isso, parafraseando-o, dizemos: No meio político, nada se cria, tudo é apenas reformulado e renomeado. Por culpa destes três fatores: o recorrente sucateamento do sistema público de ensino, da falácia eleitoreira (leia-se, maquiagem política) e do coercitivo lobby das instituições privadas (leia-se, velhas doadoras de fundos para campanhas eleitorais), o Programa de Crédito Educativo (Creduc), de 1976, foi reformulado e renomeado para o que hoje conhecemos como Fies. Não perdendo a sua principal característica, já que se trata de oferta de crédito, de financiar a inserção, no Ensino Superior privado, das pessoas que foram penalizadas pelo nosso carcomido sistema público educacional. Naquele ano, “era financiado com recursos de um Fundo de Assistência Social, derivado de rendimentos de loterias. A partir da Constituição de 1988 o crédito educativo passou a ser operado com recursos diretos do Ministério da ...

PROPRIEDADE PRIVADA

Sentimento possessivo é como propaganda, não se preocupa com quem detesta ser objeto, pois o que importa é vender a imagem de protetor. Assim se fez perante aquela frágil figura, portou-se como protetor e a convenceu de que era um amor seguro e verdadeiro. O tempo passou, como um guarda-chuva, que, uma hora ou outra, é esquecido em qualquer canto, a imagem anteriormente passada foi sendo perdida nos desencantos da relação. A proteção transformou-se em prisão àquela que se entregou por livre e espontânea vontade. Acusações foram forjadas pela insegurança e a desconfiança do outro, sufocando qualquer tentativa de defesa. Liberdade cerceada, a frágil figura foi, lentamente, definhando-se. O egoísmo do carcereiro não o fazia enxergar esse processo, até que a clausura virou sepultura do seu objeto de posse. Então, tomado por uma indiferença, desfez-se do corpo e partiu em busca de um novo brinquedo. Criado em: 28/4/2021 Autor: Flavyann Di Flaff

REALIDADES SILENCIADAS

Os representantes, do, pelo e para o povo, preparam o enredo oficial da realidade. Os contrarregras, uniformizados pela lei, montam a cena que será mostrada pela câmera manipulada por quatro mãos. O legado do direito romano ficou em segundo plano. A lei da sobrevivência é anterior e foi o que sempre imperou. A ausência da educação na vida habitual nos regressou ao lado neandertal, naquela o excesso de palavras muito dizia, agora já não tem mais valia; uma imagem, abracadabra! vale mais que mil palavras. Fecham-se as cortinas do vaticano, (cai o pano) descortina-se o lado mundano da verdade que se liberta, saindo do leito e debaixo da coberta. O que foi consagrado, adeus! Renova os votos nos corpos ateus. A verdade nos foi dita, continuamente, planejada e maquiada. Na real, da vida, ela sempre nos foi proscrita. Malditos sejam os senhores do mundo, para os quais a vida não vale nada; a todo momento, a cada segundo, uma realidade silenciada.     Criado em: 24/4/2021 A...

PEQUENO RINCÃO

Longe dos alvoroços citadinos, um bucólico cidadão segue a vida desapressada numa casinha à beira-chão. Lá, onde há uma capelinha que, se comparada aos templos dos deuses urbanos, mais parece um simples oratório, porém neste diferentemente daqueles, Deus é chamado de Nosso Senhor. Onde o amigo longe é o mais próximo, e as paisagens se renovam a cada amanhecer. Ao nascer do dia, exibe-se, sob a cortina de alva renda, a multifacetada natureza. Os passarinhos compõem suas melodias em deslumbrantes ensaios ao longo das horas claras, parando, apenas, ao anoitecer, quando só os seres lunares saem para festejar a vida em banquetes intermitentes. As árvores trocam de roupa, depois de, como crianças, brincarem na chuva. Os gigantes de pedra, impactados pela nobreza de tanta simplicidade, ficam estáticos e em silêncio, observando aquele pequeno universo de felicidade. Finda mais um dia, Ave-Maria! É hora de agradecer, novamente, pela paz e harmonia que habitam esse rincão. Criado em: 26/04/...

SEM VOCÊ

Vendo-me hoje com o coração partido, não me conformo de tê-la perdido tempos atrás. Em vão, tento reviver o passado, esperando reencontrá-la do jeito que deixei. Pergunto-me se ainda há chance, disso não há garantias, e insisto em revê-la no tempo pretérito.  Depois de tanto tempo, estou de volta ao mesmo lugar em que estávamos. Ah, ali estava você, linda, na minha frente, mais uma vez! Vê-la pela primeira vez, foi assim que meu corpo se sentiu nesse momento, e eu não consegui pôr em prática nada do que pensei fazer, uma vez que fiquei impotente diante de você.  O flashback logo acabou e nada mais pôde ser feito, e tudo o que restou foi o sonho que não se realizou, a certeza angustiante de que não mais a teria. Será que valeu a pena ter tentado resgatar o que já estava perdido, porquanto, no presente, você está ausente e já não sente mais nada por mim.  Por tudo isso, já não posso chamá-la de querida, nem ter o seu abraço, nem o seu sorriso, que alegrava a minha vida. Ag...

TESOUROS DE VIDAS

Respirei fundo e joguei-me ladeira abaixo, deixando-me colorir pelas vidas passadas que por ali ainda pulsavam. Cada história ouvida, preenchia a aquarela que em mim era tatuada. O vermelho das batalhas inconfidentes, o amarelo do Ouro Preto, o azul dos céus de Minas, o verde dos vales infindos das Gerais e o marrom das terras férteis. Voltei à vida, carregado de tesouros, relatos para outras novas histórias.   Criado em : 21/4/2021 Autor : Flavyann Di Flaff

VIDA PEQUENA

O Estado chegou à favela, está na televisão, está em todos os lados! Sapatos pretos engraxados refletindo a luz da salvação, fardado de gravata ou à paisana de Nike, transformando-a em um cenário de Counter-Strike. Chegou de bonde na onda da mais nova bravata: saúde, segurança e educação para todos na cidadela. Seja o oficial ou paralelo, Entre estes poderes há um elo; e quando não se acertam, mostra o ecrã, quem paga é a comunidade cidadã. Sob a maquiagem marqueteira, instalou-se a Matrix, fomentando a cegueira à base de muito Pix, à vista do público para não dizer que foi de forma sorrateira. No dia dos santos, muitas balas perdidas, não deram conta de tantas vidas nascidas. Pelos doces desperdiçados, Muitos olhos marejados. Segue a vidinha pelas ruelas do feudo estatizado, quem sabe cresça e mude de lado. Assim ao deus dará, do batizado à primeira comunhão,   será que ela chegará?   Criado em: 20/04/2021 Autor: Flavyann Di Flaff ...