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EVOLUÇÃO

Finalmente, depois de algumas estações, a formiga cria asas, tornando-se tanajura para se perder neste mundo vasto, onde escreverá uma nova história, assim que acasalar. Tudo o que passara até aqui, constituíra fases que, encerradas, cederão lugar para a que virá. Segue a tanajura o trajeto natural de sua espécie. As asas recebidas duram apenas o suficiente para chegar até o seu destino, que bem pode ser cair nas terras de seu pretendido ou nas garras de algum predador. Tudo isso é possível nesta nova aventura, já que, na cadeia alimentar, não passa de petisco para os seres que estão no topo. Por tudo que já fora traçado, retroceder é um ato descartado, pois seguir o estipulado faz parte de sua natureza. Vai seguir o destino já traçado, fazendo o que lhe é conhecido e aconteça o que acontecer, assumirá os riscos e as consequências desse ato. Criado em: 03/11/2013 Autor: Flavyann Di Flaff

SÚPLICAS

Que eu não atraia os olhos que nunca me viram; Que eu não ouça as palavras que nunca foram para mim; Que eu não sinta as mãos que nunca me tocaram; Que eu não anseie os lábios que nunca me beijaram. Por fim, que eu não deseje quem nunca me desejou! Criado em: 02/11/2013 Autor: Flavyann Di Flaff

DE UM DEVANEIO

Hoje mergulhei naquela antiga foto e me senti criança encantada diante de uma bela flor. Faltaram-me palavras – pura redundância − porque muitas palavras ainda eram inéditas à época para mim. Um ser em plena construção, assim eu era, enquanto você já debutava naquela ocasião. Alguns anos de existência nos tornavam distantes, anos vividos de forma distinta, não pelo fato de sermos de sexos opostos, mas pelo contexto em que estávamos inseridos, ou seja, o ambiente familiar e o que vivíamos na época. Caminhos separados não só pela distância, mas também pelas situações, lugares, hábitos, enfim, por ocorrências e fatos que nunca conspiraram para promover um eventual encontro nosso.  Retendo-me, fascinado diante da sua jovial figura, imagino que, se este encontro tivesse ocorrido, nada do que agora os meus sentimentos atribuem, aconteceria. Você era jovem e eu, criança, nesse caso, no mínimo, eu seria ignorado, sem nem reparar no que acontecera. Ontem criança e hoje um adulto, ambos enfe...

DIAS DA CRIANÇA QUE FUI

Hoje, fui ao porão do meu ser e revolvi o baú das minhas memórias pueris. Lá encontrei as imagens das inúmeras quedas que sofri, bem no sentido literal desse verbo, pois, quando se é criança, a gente sofre por ação, e não por reflexão – isso já é coisa de adulto, com suas quedas metafóricas. Caímos da árvore, do balanço, da cadeira, da cama, da bicicleta etc., mas sempre tínhamos, nessas horas, o eterno anjo da guarda, a nossa mãe. Vasculhando, achei as representações da criatividade que fervilhava a minha mente ainda em formação, foram inúmeros brinquedos criados no fervor da vontade de brincar. Lembro-me dos rolimãs que buscava no sítio do meu avô para fazer os patinetes e, neles, acelerar na praça. Dos carrinhos feitos não só de lata de óleo de comida, arame, madeira, aspas de metal e rodinhas de sandálias Havaianas, mas também dos feitos com as latas de Leite Ninho, arame e cordão. Por fim, dos feitos com garrafas plásticas de água sanitária, arame e um pedaço de plástico fixado ...

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

Adentrando na casa, sua velha conhecida, apesar das claras evidências do que já é passado, sente tudo como um presente vivo. A poeira encobre os móveis – receptáculos de sentimentos −, mostrando que há muito foram abandonados, perdendo o brilho de outrora. Segue caminhando por entre os cômodos, pedaços de momentos (re)vividos, vendo tudo no seu respectivo lugar, retrato infiel do que era real. Nesse instante, bate uma saudade do que findou, sinal de uma tomada de consciência do que ocorreu, contudo ainda necessita ser formalizado. Esse retorno consciente não lhe torna imune às consequências que virão, entretanto o faz mais forte para tudo suportar. Sendo visita naquele ambiente, não demora e deixa a casa onde tantas emoções foram vividas, dividindo dias, meses e anos com uma companhia que, nesse instante, ausente estava. Qual o significado de esse não estar? Algum teria, e resolveu não divagar, já que isso era típico do outro, assim, foi-se sabendo que logo voltaria. Criado em: 3...

COISAS DO CORAÇÃO

Já se diz, há séculos, que ninguém é dono de ninguém e que nada é para sempre! Portanto, esse negócio de sair por aí dizendo que fulano ou sicrana me perdeu é puro engodo para atrair apoio emocional à causa perdida. É retórica de quem ainda não se conformou que, nesta vida, tudo é passageiro, restando, apenas, as marcas indeléveis na memória de cada um, que tanto podem ser boas ou ruins, dependerá, na ocasião, do ponto de vista e do sentimento dos envolvidos. É típico do ser humano, quando uma relação termina, seja de que tipo for, falar horrores dos que decidiram partir sozinhos noutra direção, e depois que o mundo dá voltas, acabar se envolvendo, de novo, com aqueles que partiram e foram execrados. Essa ação é denominada de “ cuspir no prato que comeu ”, portanto, solteiros(as), recentes ou não, acalmem-se e vivam as oportunidades que a vida proporciona, porque as que já se foram não voltam mais. Contudo, as coisas do “coração” são imprevisíveis, de repente, aquelas voltam refeitas...

DE UMA BATALHA PERDIDA

Só podia fazer parte do séquito de Lúcifer – o mestre da dissimulação! Dessa forma, o Cavaleiro tentava entender os últimos acontecimentos. Queria imaginar outras coisas que justificassem tamanha urdidura em que foi envolvido, mas tudo caminhava somente àquela justificativa. Como pôde? Por que dissimular? Por que não usar de honestidade? O Cavaleiro se questionava, pressionado pela dor que agora sentia. Era duro crer que tudo fora tramado pelo seu fiel escudeiro, uma pessoa acima de qualquer suspeita. Agora, a máscara caiu e não dá mais para remediar o estrago deixado em seu ser, resta-lhe suportar e superar a perfídia sofrida. Superação lenta e dolorosa, pois, em seu peito, agora arde o fogo da vingança, e se o destino – sempre senhor das coisas – o tivesse aludido pelo menos uma vez, teria enfiado a lâmina de sua espada até sentir bater o cabo na carne do infiel. Assim, por toda a confiança que depositara naquele e que fora relegada a nada, lavaria a sua honra para todo o sempre. De...