Pular para o conteúdo principal

DE UM DEVANEIO

Hoje mergulhei naquela antiga foto e me senti criança encantada diante de uma bela flor. Faltaram-me palavras – pura redundância − porque muitas palavras ainda eram inéditas à época para mim. Um ser em plena construção, assim eu era, enquanto você já debutava naquela ocasião.

Alguns anos de existência nos tornavam distantes, anos vividos de forma distinta, não pelo fato de sermos de sexos opostos, mas pelo contexto em que estávamos inseridos, ou seja, o ambiente familiar e o que vivíamos na época. Caminhos separados não só pela distância, mas também pelas situações, lugares, hábitos, enfim, por ocorrências e fatos que nunca conspiraram para promover um eventual encontro nosso. 

Retendo-me, fascinado diante da sua jovial figura, imagino que, se este encontro tivesse ocorrido, nada do que agora os meus sentimentos atribuem, aconteceria. Você era jovem e eu, criança, nesse caso, no mínimo, eu seria ignorado, sem nem reparar no que acontecera.

Ontem criança e hoje um adulto, ambos enfeitiçados por alguém que sempre esteve distante, ou pelo tempo, que agora se encontra retido nessa imagem; ou devido a um sentimento que não fora reconhecido e que fez, dessa presente viagem lúdica, um devaneio sem sentido. Contudo, faz-se tarde aqui e no passado, e o que está retratado nessa imagem que me encantou, permanecerá eterno, toda vez que a rever.

Criado em: 12/10/2013 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff