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LEMBRANÇAS FOTOGRÁFICAS DE UM SENTIMENTO

Em um canto qualquer da cidade, de súbito, parou e pensou ter visto alguém bem familiar. Titubeou, devido à incerteza na identificação da pessoa, tanto que pensou ter sido apenas um lapso da sua visão, que já não era tão perfeita, como nos tempos de outrora. Então, prosseguiu seu rumo cotidiano, até findar aquele calorento dia. Ao chegar à sua casa, como de costume, preparou-se para o banho, pois, em seguida, jantaria. Já embaixo do chuveiro, água refrescando o corpo e a mente, a imagem daquele ser, que pensara ter visto, surgiu-lhe mais claramente e, ali, estático, lembrou a quem pertencia aquela fisionomia. De repente, algo, que há muito sentira, ressurgiu forte, como se recente fosse. Atônito, interrompeu o banho e saiu quase nu, pois, mesmo nessa agonia, ainda teve o reflexo de pegar a toalha e enrolá-la no corpo. Com aquela imagem fixa na mente, correu para o quarto como se fosse encontrar uma relíquia, prova cabal da existência daquele ser. Seus olhos começaram a brilhar, qu...

SOB A MAGIA DO NAMORO

Numa cidade que anualmente perde os resquícios do provincianismo histórico, qual a chance de duas pessoas com situações de vida coincidentes, encontrarem-se e se relacionarem? A resposta só o destino poderia revelar, mas ele não está nem aí, quer mesmo é fazer acontecer, sem nada explicar! Sabe-se que o encontro se deu, e de tão avassaladora que fora a tal “química” entre ambos, logo começaram um relacionamento. Como não podia ser diferente, a magia do encantamento diário, que só existe no namoro, transbordava neles. Tudo em forma de troca de mensagens apaixonadamente tolas e, assim, dava-se o conhecimento de detalhes dos gostos e desejos de cada um, até conquistarem a afinidade e a intimidade necessárias, consequência natural do bom envolvimento que fluía. Mesmo sendo bem vividos, afinal, ambos tinham uma boa carga de experiências de vida. Pareciam estar em pleno e constante estado de adolescência, de tanto que eram visíveis os sinais corporais, quando se encontravam. Riam quand...

UMA LIÇÃO PARA TODA A VIDA

Quando tudo um dia findar e você partir para não mais voltar, transformando-se em boas lembranças com o passar do tempo, não chorarei, festejarei todo o aprendizado que me fora proporcionado, enquanto estivemos juntos ─ lições que usarei em novas relações, que, com o tempo, surgirão. Hoje celebro cada dia de nossa convivência, como se fora o último, porque, assim, é que se deve tratar todo bom momento vivido a dois. A cada gesto ou ação que fazemos, e que parece algo tolo aos olhos de quem é alheio, vamos cativando um ao outro. São conversinhas cheias de frugalidade, sempre intercaladas por jurinhas ternas, abraços aconchegantes, trocas sinceras de olhares interessados, amassos sedentos e beijos ousados. Em certos momentos, dentro dos nossos encontros, a carne clama o seu quinhão e, assim, cedemos sem restrições, afinal, numa relação há sempre a alternância democrática e saudável entre o sentimento e o desejo. Como dois recém-promovidos a adolescentes, sentimos, de novo, a pr...

ENQUANTO NÃO SE ENTREGA

Ele, que tanto sonhou em amar de uma forma intensa, recíproca, igual a que vira em tantos filmes românticos, mesmo naqueles em que o final não era condizente com tanta troca de sentimentos, viu-se hesitando diante da iminência de se apaixonar de verdade! É que descobrira que, junto com a paixão, vem também a angústia da espera, seja por uma reciprocidade que nem sempre vem, seja para poder estar de novo com o outro, seja por tantas outras coisinhas, que para os que não estão enamorados são insignificantes. Nos filmes, nunca vira tal fato, implícito ou explícito, no enredo, apenas as coisas boas, que tanto emocionam positivamente, eram sempre evidenciadas. Vivendo uma relação no presente que lhe é prazerosamente agradável, sente o coração balançar cada vez que ouve falar de ou se encontra com seu bem-querer. Toda vez que está ao lado dele, tem o desejo de expressar de todas as formas o que sente, mas sempre é vencido pelo receio. Sabe que para a relação evoluir tem que se dar de cor...

O GOSTO EMBRIAGADOR DE UMA CONQUISTA

Quem muito se relacionou, não dá chance para o desespero que sempre toma os inseguros de seus sentimentos e desejos! Está sempre ciente de que, no tempo certo, outro alguém surgirá, bastando, para isso, que se esteja atento e aberto às novas oportunidades. Lá estava ela totalmente de bom humor e de bem com a vida! Tinha o coração liberto de vivências passadas, por isso, sentia-se segura para se permitir ao que lhe bem agradasse. Então, fez-se independente e disponível para um novo relacionamento. Ver e conhecer são ações essenciais para melhor se aproveitar uma iminente oportunidade, assim ela agiu, quando alguém despertou sua atenção. Viu, aproximou-se, conheceu e se convenceu, então, permitiu-se cativar ao mesmo tempo em que cativava. O encantamento fora perfeito, pois sentira aflorar a sua porção menina-mulher! Menina, quando se viu pensando absorta naquele que fizera a sua imaginação voar alto e mulher, quando sentiu despertar os seus mais íntimos desejos, numa fome louca e s...

A DIFÍCIL ACEITAÇÃO DO INEVITÁVEL

A sensação de perda se transforma num imenso nó na garganta, de repente, os olhos reagem e se deixam inundar até transbordar, as lágrimas rolam face abaixo e, por fim, a cabeça se prostra até ser amparada por mãos trêmulas e aflitas. Os dias não serão mais os mesmos desde então, pois uma grande ausência será sentida! Em cada canto da casa, por um longo período, só o vazio deixado pela súbita partida será percebido, estendendo-se até o que era antes uma rotina normal. Muitos se vão sem o adeus perfeito, no qual não há o abraço fraterno sempre acompanhado por votos de um breve retorno. Só os muitos porquês ficam a ressoar intermitentemente naqueles que ficaram saudosos. A vida sempre exige que prossigamos, e o que antes era dor infinita em lembranças constantes, transforma-se em saudade que surge em raros momentos de memórias solenes, nas quais sempre nos vêm as mesmas sensações fatídicas do acontecimento passado. Resta-nos preservar só as lembranças boas da convivência que tive...

DO VENCIDO

Vestiu a armadura do desejo, e com as armas da paixão se fez guerreiro! Assim, jurou jamais desistir de lutar por aquela que o encantara e, em seguida, partiu. O caminho que o levaria até a conquista definitiva do coração daquela que o inspirara e dera coragem de ir à luta fora longo e tortuoso. Momentos ruins o assolaram, pessoas sempre o desestimularam no decorrer dessa jornada empírica, por isso, sentia sempre as suas estruturas abalarem, contudo, determinado como estava, conseguia sempre se refazer e prosseguir, crendo, a todo momento, que aquele amor ensejado o faria vencedor. A hora do embate final chegou, e como um destemido guerreiro que, ciente de suas convicções bélicas, lança-se tenaz na batalha, assim o fez! Sabia que só uma coisa o faria tombar na batalha, e não era o medo que acomete todo aquele que está diante da iminência constante da morte, mas, sim, daquela ação sorrateira que sempre nos pega desprevenidos, sem a mínima chance de reação, e que bem a conhecemos, a t...