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VITRINISMO

 
Pelas ruas
por onde caminhava,
destino de frustrações,
torto refúgio,
sempre via essas lojas
a oferecer vidas perfeitas,
caras tralhas de felicidade.
Disponibilizavam vitrines
a todos os olhos nus
de salvação verdadeira,
e ávidos por uma imediata.
Porém, fechavam suas portas
ao mínimo sinal
de pobreza material.
Por amostragem,
tudo reluzia puro gozo,
eterno enquanto durar o desejo.
Certa noite, quando a ausência
e o silêncio predominavam,
o invisível morador
viu a porta da loja entreaberta,
curioso por conhecer de perto
aquela realidade da vitrine,
acessou o desconhecido ambiente.
A atmosfera sentida era antinatural,
porque tudo parecia artificial,
exposição de uma vida estilizada,
longe, muito longe da que conhecia.
Saiu constrangido dali,
porque quase se deixou consumir
pela comparação que a imagem vitrificada
lhe incitara, como sendo o lado avesso perfeito
da vida judiada em que estava.
 
Criado em: 19/7/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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