Pular para o conteúdo principal

TURMALINA PARAÍBA

 
Ela chegou como quem rasga o tempo —
turquesa viva no meio da multidão opaca.
Não cabia no espelho dos olhos alheios
— Janelas d’alma,
nem nos moldes preestabelecidos,
nem nos rótulos costumeiros.
 
Brilhava nas entranhas da terra,
rara como o verde que escapa das marés,
como o azul que remete ao céu.
Feita de cobre, de ouro e de manganês,
ela reluzia, fulgurava.
 
Turmalina de alma líquida,
impossível de forjar ou domar.
Não era ornamento —
era revolução lapidada
de um progresso ulterior.
 
Como planta que desafia o chão nordestino,
ela também brotou onde não se esperava:
no interior, no silêncio,
com a força de ser e não se dobrar.
 
Não se vendia.
Era descoberta.
Era garimpo de si.
 
Seu brilho não vinha da luz —
mas do que nela resistia,
profundo, visceral,
feminino ancestral.
 
É joia-mulher
e é paraibana:
gema que não aceita cópia,
nem descaso, nem submissão.
 
Criado em: 29/7/2025 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff