Pular para o conteúdo principal

POR UM CAPRICHO

                 

Por impulso, gesto impensado, corpos atracados. Desatento, não percebe a presença de olhos compulsivos a perscrutá-los. Com a imagem assimilada, mente à mente o que, de fato, ocorreu ali. Desnorteada, a mente rosa fomenta ardilosa trama. Gera, por meio do veneno que matou Otelo, como um narrador onisciente, todos os detalhes daquela cena que acabara de ver.

Tardio, junto com o arrependimento, chegou àquela que jurara amor eterno e confessou o ato tresloucado que cometera, como se estivesse, ali, contando sua mais íntima falta. Pobre coitado, mal sabia que nada daquilo era mais segredo, mas o provável motivo para o seu degredo à terra dos escorraçados do coração alheio. 

O monstro de olhos verdes o escutou em silêncio, ao final da declaração suplicante, o gélido olhar foi-lhe direcionado, e palavras, que mais pareciam labaredas incandescentes, sentenciaram o penitente. A réplica foi dura e arguta, o que não lhe permitiu tréplica. Diante da potente figura que se afigura àquela que amava, restou-lhe pensar, antes de partir dali e cumprir a sua pena, no ato incidental praticado que a deixou louca, transtornada e que acabou matando o sentimento que em ambos existia, arruinando uma linda e breve história de amor.

Criado em: 27/12/2020 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff