Pular para o conteúdo principal

DESPEDIDA

À espera de tua revoada, lembrei-me de quantos verões desfrutamos distantes um do outro. Distância mais no âmbito humano do que em quilômetros, como bem conhecemos. Algo medido por meio de receios, deduções e especulações de ambos os lados. Apesar disso, o tempo nos foi generoso, proporcionando um protótipo de intimidade, que, mais tarde, aperfeiçoaríamos em um convívio diário.

Permitimos que um entrasse na privacidade do outro, conhecendo alguns pormenores, favorecendo, com isso, o surgimento de desejos incertos. Experiência que fortaleceu a relação, deixando lembranças marcantes, como as das muitas batalhas superadas; das lágrimas vertidas, devido às perdas sofridas; não esquecendo do fortalecimento dos sentimentos sinceros, que floresceram no decorrer da convivência. Todavia, o tempo, como já o conhecemos, não é juiz, nem carrasco, ele simplesmente flui adiante. Logo, cabe a cada um de nós usufrui-lo da maneira que melhor achar. Assim, decidiste retornar às tuas raízes e tentar refazer a tua vida. Então, é chegada a hora! Vais! Revoas! Bate as asas rumo ao lugar de onde vieste, renovando as tuas forças e o teu ânimo, para que possas ressurgir das cinzas. Quanto a mim, fico aqui no lugar de onde partiste, revisitando as lembranças de tudo aquilo que representas e que foram construídas neste eternizado período, liberando pensamentos positivos para a tua vitória, e ciente de que a saudade não tardará em chegar.

Criado em:19/08/2014 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff