Pular para o conteúdo principal

APELO ÀS FORÇAS ESPIRITUAIS

Das estações vividas, das frutas saboreadas, nenhum saudosismo ou ranço ficou. Só não sei dizer sobre aquela fruta que ficou no pé, provocando, insinuando-se, mostrando-se bela, cheirosa, de pele macia e brilhante. Não que o desejo de tê-la e prová-la, não tenha surgido, longe de aderir à hipocrisia cotidiana de todos os mortais. Apesar dos contratempos, aquele veio e vingou forte, resistindo a tudo com bravura, mas, aí, chegam, de mansinho, as obrigações sociais, que tanto nos são necessárias, para que tenhamos um porto seguro e, a partir dele, possamos navegar por mares nunca dantes navegados, com a confiança necessária para nunca nos arrependermos das viagens – experiências de vida – com a certeza de podermos regressar e renovarmos as forças. Porém, aquelas nos absorvem por um tempo, que julgávamos infinito, só que, na verdade, ele é escasso e essa constatação perturba nossa mente, a ponto de, muitas vezes, inconscientes, deixarmos de lado o que tanto nos fazia bem, dando-nos a certeza de que estávamos vivos plenamente. Nesse momento, não sei se é o desespero ou a angústia que nos toma, evidenciando a nossa negligência, não só para conosco, mas também para com o outro, que tanto demonstrava nos corresponder.

Quando o tempo passa e a ausência teima em ser uma companheira fiel, ficamos perturbados, mil pensamentos insanos surgem. A mente ferve, o coração se aperta, é como se não víssemos uma luz no fim desse túnel, escuro e frio. É a expressão clara do já era, do que não tem mais volta, do já é o fim. Resta-nos, agora, apelarmos às forças espirituais, para que elas, com sua onipresença e onipotência, possam mudar o rumo nebuloso que já se apresenta para nós.

Criado em: 8/2/2014 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

LOOP FARAÔNICO

  De um sonho decifrado ao pesadelo parafraseado. A capa que veste como uma luva se chama representatividade, e a muitos engana, porque a vista turva. Ao se tornar conveniente, perde toda humanidade. Os sete anos de fartura e os de miséria, antes, providência pedagógica, hoje mensagem ideológica, tornando o que era sério em pilhéria. A fartura e a miséria se prolongam, como em uma eterna praga sem nunca ter uma solução na boca de representantes que valem nada. O Divino dá a solução, e esses homens nada fazem, deixando o povo perecer num infinito sofrer, pois, basta representar, para fortunas obterem. E, assim, de dois em dois anos, os sete se repetem, como num loop infinito de fartura de enganos.   Criado em : 1/6/2025 Autor : Flavyann Di Flaff