Pular para o conteúdo principal

ESPONTANEIDADE DE CRIANÇA

Hoje, a criança que fui e que estava adormecida, despertou! Acordou e, mansamente, surpreendeu-me conversando com a Paixão, aquela mesma que, outrora, tinha me visitado. Ato pueril que me deixou desconsertado, mas logo retomei o prumo e pude perceber, nos olhos daquele inocente ser, um brilho distinto. 

Como em toda criança, a espontaneidade é predominante, para não fugir à regra, lançou-se em meus braços, perguntando se podia brincar com aquela que me visitava. Tenso, tentei dissuadi-la de alguma forma, naquele momento, de tal vontade. Não lembro o que falei, porém, a fez aquietar-se, e não tirou os olhos da figura ali presente. Nesse instante, o diálogo que mantinha, já tinha ido para o espaço, pois a criança se tornara o centro das atenções. Na sala, só os olhares falavam, nada mais se fazia predominante. 

Tirei-a do colo e a pus no sofá, então me dirigi à Paixão novamente, em tom de breve despedida, já que logo nos encontraríamos, a fim de continuarmos a nossa intermitente conversa. Em seguida, acompanhei-a até a porta e, com um ar interessado, despedimo-nos. Retornando ao interior de minha residência, percebi que, nesse ínterim, a minha criança adormecera novamente. Peguei-a nos braços e me dirigi ao quarto, lá chegando, cantei antigas canções de ninar, embalando-a em um sono que a levaria de volta ao interior do meu ser. Quanto a mim, não dormi nessa noite, só pensando no que dizer a ela em relação à paixão, que, nesses últimos dias, anda me visitando. Porque vi o quanto ouriçada ficou ao ver aquele etéreo ser, e não a censuro, posto que, até eu, aqui assumo, fiquei balançado diante dele. 

Como explicarei que não se brinca com algo tão forte, imprevisível e, de certa maneira, demolidor, como é a paixão? Ah, as crianças! Sempre aparecem nos momentos mais imprevistos e nos pegam em situações inexplicáveis, pelo menos, até nos recuperarmos do instante do flagra.

Criado em: 25/12/2013 Autor: Flavyann Di Flaff





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff