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PROJEÇÃO

Diante dos problemas da vida, permaneço estático e impotente. Ainda não aprendi a os encarar de frente, olho-os de soslaio, ação inibida. Muitas vezes, até enrubesço, vergonha da falta de confiança, obstáculo que sempre tropeço. Cada um dos problemas são presenças femininas, poderosas e supremas, que, no passado, felinas, capturavam a minha atenção, e a autoconfiança minava, e a paixão repentina minguava, a ponto de perdê-la, sem nunca a ter. Depois, era só lamentação, fracasso assumido e odiado, simulacro de um futuro projetado.   Criado em : 31/1/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

ILUSIONISTA DO AMOR

  O amante é um ilusionista que coloca a atenção do outro no ponto menos interessante, levando o ser amado a se encantar com o desinteressante. Quando o amante se vai, o amado age como um apostador, que, diante da iminência da perda, se desespera e tenta recuperar o que já foi. Mas, ao invés de encontrar o amor perdido, encontra apenas o reflexo de sua própria carência, como quem busca ouro em espelhos quebrados. Restando, então, ao amado, o desafio de enfrentar o vazio, reconhecer a ilusão e descobrir, enfim, que o verdadeiro amor começa, quando cessa a necessidade de iludir ou de ser iludido. Criado em : 14/11/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

MASSA AMORFA

  Belos versos de martelo agalopado, quisera acreditar em um país mudado. Mas o sistema, que nele impera, é aquele que prega a miséria para uma massa conformada.   Que se vende por um pão dormido, que se rende à paixão servil, que exalta um herói caído pela ganância do metal vil   Sob o jugo da promessa, cede a caprichos mil de quem, mentiras, professa, a fim de manter a massa servil.   Sob o peso da ilusão, segue a turba em procissão, e o sonho de um amanhã altivo, se perde no eco de um grito cativo.   E nessa dança, sem norte, o tempo devora a esperança, fazendo do fraco a força, e, da força, apenas lembrança.   Quem quebrará o ciclo frio, erguendo a voz contra o vazio? Talvez o sopro de um despertar possa a massa amorfa libertar.   Criado em : 19/01/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

MUNDO SENSÍVEL

  E toda vez que eu via, ouvia, sorria, sorvia, sentia que vivia. Então, veio um sopro e a chama apagou.   Criado em : 17/01/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

LIBERDADE MARGINAL

  Em um mundo insalubre, não é só o físico que sucumbe, morre também o espírito. O descaso com o escrito gera abandono, e, como cão sem dono, o povo sofre. Não bastasse o descaso, que, de chofre, acomete a gente sitiada, a raiva, fazendo pouco caso, envenena, pouco a pouco, a rapaziada. Confusões mentais confundem o ser, que, no corre, só pensa em ter. Num misto de liberdade com marginalidade,   a vida se torna louca, e toda aventura é pouca. A raiva deturpa a percepção, a banalidade do mal vira curtição. É na fuga das consequências que se perde a essência. Aperta o gatilho, escuta o tombo, recolhe o que tem brilho, e foge, ignorando o rombo. A alegria da vitória parece felicidade peremptória, porém não passa de ação temporária. Dando as costas ao que ficou para trás, não compreenderá a sua atitude jamais!   Criado em : 11/01/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

TRANSPOR O RUBICÃO

  A roda do tempo, mentalmente, criada, continua a girar. Ri-se Cronos de tamanha ingenuidade humana, porque celebram o fim de algo que é um contínuo infinito.  Vislumbram mudanças além-mar, e não a partir de suas essências, por isso, não há evolução de fato, só desejos fugidios, externados na expressão vaga “ Alea jacta est ”, na qual se joga tudo nas mãos do destino. Agindo assim, como as mulheres de Jó e de Ló, serão monumentos em homenagem à Estática. Por isso, enquanto não atravessarem o Rubicão e confrontarem a si mesmos, seus votos serão mera ufania – celebração alienante de pseudovirtudes e conquistas. Criado em : 30/12/2024 Autor : Flavyann Di Flaff

ENTÃO, É NATAL...

  Quando chega o mês de dezembro, dá aquela angústia típica das festas desse período. Temos que ser educadamente recíprocos (pra não dizer, fingidos) àquele ato de apertar a mão (uns nem apertam, só iniciam o gesto, e não o concluem) e "desejar" aquele voto de Feliz Natal e Próspero Ano Novo (pra não dizer que são votos NAFTALINOS, já que é isso que se diz desde meus remotos tempos de infância) de pessoas que mal olham e falam com você durante todo o ano. Sinceramente, isso mais parece uma imposição social! Basta que saiamos à rua para notarmos que algumas pessoas estão reservando o “espírito natalino” para as suas festas particulares. Nos poucos instantes que levamos para cumprir a tarefa das compras e retornamos para casa, surgem situações, diante de nós, só para confirmar a total ausência daquele e percebermos que o único espírito que reina é o de porco. Criado em : 24/12/2012 Autor : Flavyann Di Flaff