Pular para o conteúdo principal

Postagens

CARNAVALIZAÇÃO

Recentemente, de passagem por terras de colonização questionável, fora instalado, em uma cidade, um enorme circo. Não demoraria por ali, a temporada seria curtíssima, por isso, apenas dois eventos seriam realizados. Por serem distintos, haveria um intervalo entre eles.  Por lei, circos não podem mais utilizar animais em suas apresentações, mas sabe como é que é esse mundo, sempre tem aquele jeitinho e, vez por outra, algumas bestas se revelam e se mostram no picadeiro. Bichos selvagens ou domesticados à parte, as atrações têm a interação como lema, por isso, toda a população da cidade estava convocada a participar. Para tanto, como incentivo, fora realizada uma promoção, na qual todos receberiam brindes.  Nas datas anunciadas, o circo, ora esteve meio esvaziado, ora pareceu superar as expectativas dos organizadores. Ao final das representações, apesar de terem participado, as pessoas nada entenderam, porém, como todo nativo da região, elas amavam o carnaval. Então, começaram a...

INTERPRETAÇÃO ERRÔNEA

Não deveria existir competição entre homem e mulher, mas, sim, uma cooperação democrática entre ambos. Será que aquela foi fruto de uma interpretação errônea da obra do naturalista Charles Darwin, “A Origem das Espécies”? Alguém deve ter cometido tal insanidade e tê-la relacionado com a questão de gênero. Desde então, tanto homens quanto mulheres reforçam-na e repercutem-na cotidianamente. Criado em:  8/3/2015 Autor: Flavyann Di Flaff

REFLETINDO SOBRE NOSSAS ESCOLHAS

         "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." (I Cor. 6-12)            As nossas escolhas são pautadas na atribuição de valores que exercemos em relação às coisas e às pessoas, revelando, com isso, a nossa ética, o nosso caráter. Não existe um modelo ou uma tabela fixa de valores, pois cada pessoa tem o seu conceito acerca deles, exercendo-o de acordo com os seus próprios interesses. Portanto, cada um é " dono do seu nariz ", e tudo o que colhemos, nada mais é que o fruto de nossas próprias escolhas, sejam estas conscientes ou não.                     Criado em:  1/3/2015 Autor: Flavyann Di Flaff           

ALEGORIA

Para este período momesco, busquei no baú, guardado nos porões do subconsciente, a fantasia produzida há meses. Nela, não economizei adereços. Tinha de tudo um pouco, olhos brilhantes, sorriso de marfim, pele de seda, palavras sedutoras, gestos insinuantes, fios de cabelos d'ouro, oportunidades subestimadas, tempestades em copo d’água e afins. Enfim, adornos em perfeita harmonia para este projeto.             O tríduo momesco enseja alegria. Para tanto, tem-se que vestir a fantasia com todo o entusiasmo folião. Ainda ressabiado, pois prometera a mim mesmo que a deixaria guardada, sem mais nada a ela acrescentar, fui permitindo que aquele entusiasmo me tomasse por completo, e quando percebi, já estava repleto de toda aquela felicidade fugaz, típica da ocasião. Nas marchinhas, vivenciei um saudosismo, que, até então, pensei não mais sentir. Toda a festa era um misto de futuro do pretérito com um presente indicativo de coisas boas...

O NATIMORTO

Durante meses, ele fora cultivado com todas as expectativas possíveis. Quando da ciência ainda prematura de sua existência, fez-se uma explosão de contentamento. Em seguida, coisa típica a marinheiros de primeira viagem ou de muitos mares tempestuosos navegados, veio uma insegurança. Esta foi permeando todo o período de gestação, mas sem nunca impedir uma maior aproximação para se conhecer mais, com respeito, apesar de certo estranhamento de ideais. Tudo isso serviu para dar prolongamento ao que já fluía, mesmo que nunca ficasse amplamente explícito. O tempo corria meio conturbado, comprometendo assim, a futura existência do que ainda era um rascunho – um desenho de vontades imaginadas. Não sabia explicar, mas causava-lhe estranheza, o fato de não existir diálogos sobre o que ocorria naquele espaço mútuo. Era como se cada um não quisesse expor as suas dúvidas, inseguranças e intenções, por pensar que o outro não as compreenderia, não as entenderia. Com isso, tudo ficava no campo das...

POESIA BURILADA

Constantemente, os versos, que na poesia uso, precisam transpor gigantescos obstáculos, até chegar a mim, de pés quebrados. Porque, para este que vos fala, a poesia nunca foi um dom. Pelo contrário, sempre surgiu fruto de um esforço, quase hercúleo. Falo quase, porque nunca recebi ajuda de nenhum deus, mas, sempre, de algumas musas, para poder fazê-la brotar.   Criado em: 15/01/2015 Autor: Flavyann Di Flaff

BRINQUEDOS QUEBRADOS

Tem um vilarejo ali, onde os ensinamentos da vida são abundantes, porém nunca levados a sério. Uma criança adulta faz a sua tempestade particular e, nela, coloca o barquinho de papel sem velas, remos ou motor, sem leme e timão − nau à deriva −, para enfrentar as consequências daquilo que fora criador: uma tempestade em copo d’água. Mais adiante, outra criança adulta brinca de genitora e provedora do lar, em tudo peca, mas, assim, brincando, tudo pode, só não pode fazer a brincadeira acabar. Então, de formas distintas, a vida vai passando-nos lições, como experiências contínuas durante a existência de qualquer criança; no entanto, só aprenderá, com elas, quem assim desejar. Percebendo, com olhos pueris, aquilo que os mais velhos chamam de tribulações, mas que, na verdade, não passam de brinquedos quebrados que teremos de consertar. Criado em:  15/01/2015  Autor:  Flavyann Di Flaff