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ALEGORIA

Para este período momesco, busquei no baú, guardado nos porões do subconsciente, a fantasia produzida há meses. Nela, não economizei adereços. Tinha de tudo um pouco, olhos brilhantes, sorriso de marfim, pele de seda, palavras sedutoras, gestos insinuantes, fios de cabelos d'ouro, oportunidades subestimadas, tempestades em copo d’água e afins. Enfim, adornos em perfeita harmonia para este projeto.             O tríduo momesco enseja alegria. Para tanto, tem-se que vestir a fantasia com todo o entusiasmo folião. Ainda ressabiado, pois prometera a mim mesmo que a deixaria guardada, sem mais nada a ela acrescentar, fui permitindo que aquele entusiasmo me tomasse por completo, e quando percebi, já estava repleto de toda aquela felicidade fugaz, típica da ocasião. Nas marchinhas, vivenciei um saudosismo, que, até então, pensei não mais sentir. Toda a festa era um misto de futuro do pretérito com um presente indicativo de coisas boas...

O NATIMORTO

Durante meses, ele fora cultivado com todas as expectativas possíveis. Quando da ciência ainda prematura de sua existência, fez-se uma explosão de contentamento. Em seguida, coisa típica a marinheiros de primeira viagem ou de muitos mares tempestuosos navegados, veio uma insegurança. Esta foi permeando todo o período de gestação, mas sem nunca impedir uma maior aproximação para se conhecer mais, com respeito, apesar de certo estranhamento de ideais. Tudo isso serviu para dar prolongamento ao que já fluía, mesmo que nunca ficasse amplamente explícito. O tempo corria meio conturbado, comprometendo assim, a futura existência do que ainda era um rascunho – um desenho de vontades imaginadas. Não sabia explicar, mas causava-lhe estranheza, o fato de não existir diálogos sobre o que ocorria naquele espaço mútuo. Era como se cada um não quisesse expor as suas dúvidas, inseguranças e intenções, por pensar que o outro não as compreenderia, não as entenderia. Com isso, tudo ficava no campo das...

POESIA BURILADA

Constantemente, os versos, que na poesia uso, precisam transpor gigantescos obstáculos, até chegar a mim, de pés quebrados. Porque, para este que vos fala, a poesia nunca foi um dom. Pelo contrário, sempre surgiu fruto de um esforço, quase hercúleo. Falo quase, porque nunca recebi ajuda de nenhum deus, mas, sempre, de algumas musas, para poder fazê-la brotar.   Criado em: 15/01/2015 Autor: Flavyann Di Flaff

BRINQUEDOS QUEBRADOS

Tem um vilarejo ali, onde os ensinamentos da vida são abundantes, porém nunca levados a sério. Uma criança adulta faz a sua tempestade particular e, nela, coloca o barquinho de papel sem velas, remos ou motor, sem leme e timão − nau à deriva −, para enfrentar as consequências daquilo que fora criador: uma tempestade em copo d’água. Mais adiante, outra criança adulta brinca de genitora e provedora do lar, em tudo peca, mas, assim, brincando, tudo pode, só não pode fazer a brincadeira acabar. Então, de formas distintas, a vida vai passando-nos lições, como experiências contínuas durante a existência de qualquer criança; no entanto, só aprenderá, com elas, quem assim desejar. Percebendo, com olhos pueris, aquilo que os mais velhos chamam de tribulações, mas que, na verdade, não passam de brinquedos quebrados que teremos de consertar. Criado em:  15/01/2015  Autor:  Flavyann Di Flaff

NEM TODA EXCEÇÃO É REGRA

Pode ser lascivo ou, apenas, soar lascivo. Mas aprendi, que, nas relações, melhor do que dar, é trocar. Porque, só dando, nada se recebe. Caso receba, nem sempre é proporcional ao que se é dado.   Porém, trocando, que nada mais é do que um doar-se mútuo, a segurança de receber, na mesma medida, é líquida e certa. Todavia, não esqueçamos que nem toda exceção é regra.   Criado em :  1/12/2015  Autor : Flavyann Di Flaff

SILENCIANDO-ME

Nestes últimos dias do ano, visitou-me um misto de angústia e aflição! Foram dias confusos, com pensamentos idem. Mas, diante do inesperado, só me resta o sentimento de impotência. Portanto, aquietar-me-ei, aguardando o passar do tempo, torcendo para que as coisas conspirem positivamente. Silenciar-me-ei, abafando o que grita em meu peito! Nada mais revelarei, mesmo que a vontade de gritar aos quatro cantos do mundo me consuma. Mesmo que, no pensamento, a presença do que é ausente permaneça viva e contínua, não permitindo que me aquiete. Enfim, mesmo que tudo em mim diga o que agora me esforço em conter! Ao calar, consinto que as coisas fluam naturalmente, sem a intervenção indesejada e inconveniente do desespero ou da apelação. Portanto, que seja o que for para ser! Criado em:  30/12/2014  Autor:  Flavyann Di Flaff

SONHADOR

Queima a chama lentamente, à revelia, o corpo chagado pela saudade. Fazendo crepitar murmúrios de sentimentos contidos, que não se tinha ciência do tamanho e força. Mas que, agora, expõem-se sem pudor, sob os auspícios do ardor presente. Apesar da incerteza de uma concretização, segue a devanear o corpo condenado, sem direito a habeas corpus, preso continuará ao etéreo sentimento, que uma sirena provocou. Angústia de náufrago que na iminência de perecer no imenso mar da paixão agarra-se a mais ínfima chance de salvação, assim agiu, sem pensar nas consequências vindouras. Hoje sofre com os golpes da impotência, já não sabe o que fazer com os pensamentos diários, que o tomam e o fazem delirar com a cumplicidade e a reciprocidade nos sentimentos. Nestes instantes, não consegue discernir o irreal do real, entregando-se a tais devaneios. Quiçá, chegue o dia em que tudo tenha um desfecho, antes que se consumam corpo e espírito desse sonhador. Criado em: 10/12/2014 Autor: Flavyann Di...