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DIAS DE HEMIALGIA

Em tempos regulares, sou objeto de violência. Como um marginal arrogante, que manda avisos ameaçadores, ela dá sinal de sua dolorosa presença. Surge e, de pronto, toma-me como refém, fazendo-me vítima de seus desejos insanos, forçando-me a me esconder da luz, uma vez que a claridade a incomoda; tornando-me fugitivo dos sons, visto que o silêncio ela prefere. Se por acaso executo um leve movimento, recebo, como reprimenda, fortes impactos na cabeça, especialidade desta coisa indesejável. Sem saída, esforço-me para seguir à risca todas as exigências dela. Mas, sádica que é, ainda assim, sofro torturas em sequências quase que intermináveis, proporcionando-lhe imenso prazer na minha dor. Às vezes, um dia é pouco, para que essa, também usurpadora, se satisfaça. Vencido, adormeço e não vejo quando ela se vai. Quando acordo, sinto ainda a ressaca de sua horrenda farra, e a tontura me faz sabedor de que ela, a qualquer instante, poderá retornar e toda a perversão recomeçar. Então, tento me re...

FESTEJANDO O TESÃO

Hoje, acordei com certo desejo em enorme evidência! Nesse momento, não há tanta necessidade de se fazer segregação de pessoas. Já que é sempre a tal “química”, possível de rolar entre as pessoas, que impera. O meu gosto é bem eclético, traduzindo, ele é um ardoroso defensor da miscigenação. Então, que venha a loira, a mulata, a cabocla, a oriental, a crioula, a europeia ou a americana. Pois o que importa e vale nesse momento é a satisfação mútua, sem ser hipócrita em relação a tudo o que pode ser feito entre quatro paredes ou não. Vai depender da falta de autocontrole de cada um. Agora, que ela venha ou que elas venham! Assim, poderemos fazer uma orgia a dois, a três ou a quatro. De quatro, de pernas para o ar, deitados, sentados, atados; nessas e em outras mais distintas e ousadas posições que o nosso desejo insinuar. Depois, todos já satisfeitos, dormiremos bem melhor do que acordamos. Chegando até a sonhar com novas e possíveis peripécias sexuais. Criado em: 11/04/2004 Aut...

CAÇA CHEIRO

Hoje, acordei com ressaca, sinal da embriaguez de ontem e de sempre! Fruto da participação em uma festinha bem pessoal, regada a beijos e carinhos. Reconheço que sou um viciado, mas quem, neste mundo, não é ou já foi um beijolatra? Quero mais é tomar um infinito porre de cheiros diversos, sem que tenha a consciência pesada por culpa ou arrependimento. Sairei à caça de bocas distintas, pequenas, carnudas, enormes e sedentas, pois quero saciar esse meu vício de beijar e, beijando, quero embriagar-me, viajar nas mais diferentes sensações que esse ato puder proporcionar-me. Beijar é uma arte que não se aprende na escola, dado que já é uma matéria inclusa no currículo genético de cada ser humano. Entretanto, para se tornar profissional nessa arte, faz-se necessária a prática constante. Por isso, reconheço que sou, mesmo, um inveterado caça cheiro. Criado em:  11/2/2004  Autor:  Flavyann Di Flaff

PARA AS MÃES DE VERDADE

Quero celebrar este dia juntamente com todas aquelas pessoas que, realmente, merecem esta homenagem e este título de mãe. Porque dar à luz a um ser é dom de todas elas. Mas ser mãe, de verdade, é um dom para poucas e raríssimas criaturas femininas. Atualmente, um grande número de pessoas recebe a dádiva de conceber outra vida. É a consequência final, indesejada para muitas destas, do sexo fácil, pago, irresponsável, promíscuo. Por apenas conceberem, recebem sem merecer, o título de mãe. Se assim elas são chamadas, de fato, nunca serão. Visto que ser mãe por descuido, sem querer ou por acaso, não é exatamente ser mãe. sendo aquelas mais bem qualificadas como genitoras. Mãe, de verdade, é aquela que se deixa gerar, por e com muito amor. É aquela sempre presente na criação dos seus rebentos. É a que protege e educa os seus. É a que se angustia até com a mais breve ausência do seu progênito. É a que, por ser intuitiva, antecipa-se aos fatos ruins, que ainda se principia no caminho do ...

DO AMAR HUMANO

O amor que sinto por ti, nada mais é que o sentimento humano de posse, de obsessão ou de desejo, porque, enquanto estiveres comigo, terás que realizar os meus disfarçados e íntimos anseios carnais. Sob pena, se assim não procederes, de seres logo substituída por outra, sem direito a explicações ou justificativas plausíveis, nem tão pouco a desculpas ou perdões. É assim que funciona este amor pregado e festejado entre os seres opostos, no qual a satisfação pessoal vale mais que a mútua, e quem por ele foi abandonado, que junte seus pedaços bem longe de quem o seduziu. Quando sós, os seguidores desse amor ficam a falar em sensibilidade e exaltam o romantismo, cruéis ardis que só servem para atrair novas vítimas. Estas candidatas a futuras frustrações, traumas que carregarão para sempre em suas vidas. Continuaremos a agir assim até que despertemos para o outro amor, o universal, este sim, o verdadeiro, o único que cresce toda vez que se doa. Não está condicionado ao retorno de suas...

CRIATURA VERSUS CRIADOR

O homem, desde os primórdios dos tempos, vive a afrontar Aquele que a tudo deu vida. O Todo-Poderoso criou os céus, os rios e os mares; o homem, criou a poluição; Jeová o abençoou com o sorriso, mas o homem preferiu chorar; Deus criou e pregou o amor, porém, o homem escolheu desamar; O Supremo Criador fez brotar as flores para admirarmos, no entanto, o homem, insatisfeito, as quis e arrancou-as; O Onipotente deu-lhe uma companhia, todavia, o homem preferiu andar só; O Leão da Tribo de Judá concedeu-lhe a Sabedoria, entretanto, o homem transformou-a em loucura; Deus presenteou-lhe com o livre arbítrio, contudo, o homem, inconsequente, transformou-o em uma série de abusos; A Grande Divindade concedeu ao homem a consciência como juiz do certo e do errado, não obstante, ele preferiu ignorá-la; O Senhor ensinou e deu-lhe a paz, apesar disso, o homem, sedento de conquistas, inventou a guerra. Apesar de toda comiseração, bondade e bem-aventuranças que Deus concede ao homem...

DE UMA CARÊNCIA REPENTINA

Hoje, senti falta de ter alguém aqui comigo! Alguém que fosse cúmplice em alguns atos tresloucados de afeto recíproco. Não precisava prometer nada, nem mesmo de tudo ser para sempre, bastava ser só para agora, envolvendo-se só por fanfarrice. Mas tinha de ser por prazer e com intensidade! Faz-me falta, nesta noite, uma porção daqueles atos. Queria dar e receber, agora, um bocado de beijos, dos mais variados e intensos possíveis. Também, uns abraços fortes e quentes. Outros tantos de carinhos e carícias, daquelas que arrepiam e provocam até a alma. Uma boa troca de olhares, daqueles que invadem e tocam até o espírito, como se estivéssemos em um eterno flerte. Queria ouvir um som bem instigante, daqueles de bicho no cio, uns gemidos, uns sussurros e algumas palavras picantes, excitantes (na verdade, palavrões), que atiçam certo “ato”.  Por fim, tudo isso poder consumar em um único, intenso, prazeroso e inesquecível momento a dois, no qual os opostos colocam seus mundos à parte, só ...