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ENCONTROS FURTIVOS

Neste momento de minha existência, não me sinto habilitado a assumir um compromisso sério e responsável em uma relação. Por isso, ando preferindo uns amores furtivos  − breves ensaios de um sentimento verdadeiro. Sei que o tempo passa veloz, sem se importar com o que fica para trás. Mas ignorando-o, sigo em um ritmo bem pessoal por esta estrada da vida. Parando, sempre por um período indeterminado, toda vez que encontro e me envolvo com um novo ser neste caminhar. A qualquer nova companhia, há uma troca de sensações, pensamentos, diálogos e emoções distintas. Na qual ambos obtêm experiências inéditas em um eterno aprendizado. São sempre pessoas especiais que surgem em meu caminho e, cada uma com seus dons e defeitos, estão constantemente aptas a ensinar e a aprender as velhas, mas ainda inexploradas nuances de um amor a dois. Às vezes, por estar com alguém que muito me impressiona, hesito em seguir adiante. Porém, logo me refaço, estando no abraço de um novo alguém e, ...

TORCENDO POR UM FINAL FELIZ

O amor surgiu em nossos corações por meio da melodia suave de nossas palavras, todas elas trocadas ainda na fase do conhecer.  Jamais sentira nenhuma sensação desse tipo, foste o primeiro e, até aqui, és o único a desvendar o caminho rumo ao meu coração. Este, que outrora era virgem de amor, de desejos, de incertezas, de dúvidas e de insegurança para com alguém. Depois de fixado, o amor te inspirou de forma tamanha, que desejaste o rápido selar dessa relação, que ainda estava em botão. Mas, devido a nossa imaturidade, fomos contidos pelos receios daquela que me gerara. Adiando assim, o seu e, agora, o nosso anseio de amor, que é o matrimônio. A nossa intenção acabou gerando enorme conflito, que logo se dissipara, depois de termos o reconhecimento materno. Porém, de novo, a imaturidade nos fez esperar e, durante este tempo, a dúvida, a incerteza do querer e o desejo por uma falsa liberdade, levou-nos ao fim, indo cada um para o seu lado. Não fomos muito longe, pois logo voltamos ...

O PRISIONEIRO

Eu que, como muitos outros, nasci livre. Hoje vivo preso a regras, costumes, códigos, modismos, normas, manias e doutrinas. Sou vigiado 24 horas por dia pela consciência e por pessoas alheias aos meus desejos, conceitos, opiniões e pensamentos. Enfim, por todas as pessoas que compõem esta sociedade. Como todo aprisionado, tento de todas as formas, lícitas ou ilícitas, boas ou más, fugir desta prisão sem grades que me impuseram. Conseguindo, assim, um dia, a tal liberdade de ir e vir, de pensar e agir, de falar e questionar. Se verdadeiramente a conquistarei, isso já é outra história. Ao nascer, senti os ares de liberdade do viver, esse presente maravilhoso doado por Deus. Mas, diante dos meus primeiros passos, do meu primeiro olhar, das minhas primeiras palavras, foram tirando-a de mim. Como nada disseram, cismei, inocente que ainda era, de que essa atitude não mudaria a vida preparada para mim. Porém, constataria, muito tempo depois, que fora um ingênuo por pensar assim. Passa...

DESABAFO DE UM CADÁVER

Morri! Se de morte matada, de morte morrida, de morte planejada ou de morte ao acaso, isso de nada importa agora, pois só sei que morri. Ah, esse túmulo! Ele será a última morada onde meu corpo inerte, em um caixão, vai repousar. Nele, não tem luxo, só escuridão, frieza e sujeira. Distante daqueles que me cercavam, repenso minha vida, infelizmente, agora, com arrependimento. Já que não fui capaz de lutar para realizar meus mais íntimos desejos e não dei o suficiente para receber o que eu tanto precisava. Vejo que a vida é uma eterna troca, porém, não é sempre que damos ou recebemos na mesma proporção. Agora, eu, um espectro a mais, neste espaço infinito, apenas observo a rotina dos que me cercavam e, abatido (coisa estranha para um espectro), percebo que onde estou também vale aquele ditado: “nesta vida, nada é para sempre!”. Pois vejo que, aos poucos, vou sumindo desta antiga realidade à medida que vou desaparecendo da lembrança dos meus convivas. Transformando-me em uma sombra do pas...

DOS RETIROS RELIGIOSOS

A cada encontro religioso se abre um leque de aprendizagem! Tanto no sentido pessoal, como também no sentido do conhecimento das personalidades alheias. A cada reunião nesses encontros, comungam-se experiências diversas e distintas. Ocorrendo, com isso, uma troca constante de lições de vida. A cada hora de lazer nesses retiros, dividimos com o outro, antes um desconhecido, momentos íntimos de descontração, sem que haja acepção de pessoas. A cada momento de louvor nesses encontros, há sempre o reencontro com Deus e conosco. Visto que, muitas vezes, afastamo-nos Dele e nos esquecemos de olhar para as nossas vidas e passamos a olhar a vida do irmão. Nesses retiros religiosos obtemos lições teóricas sobre como agir diante dos obstáculos e tentações da vida. Ao término deles, cabe a cada um de nós, que realmente entendeu a mensagem, pôr em prática efetiva em sua vida as boas lições ouvidas. É com esse entusiasmo, caros colegas, que lhes desejo um ótimo e proveitoso retiro. Criado em: 03/10...

DO DESVIRTUAR DO NATAL

É com enorme pesar e revolta, que vejo a cada fim de ano uma figura de aparência frágil e bonachona a invadir, avassaladoramente, o íntimo das pessoas. Por trás daquele sorriso terno, daquela alegria aparente, esconde-se uma coisa esmagadora, viciante. Depois que ela absorve a atenção das pessoas as fazem esquecer o real propósito desta festiva data que é o Natal. Hoje, vemos cada vez mais, que o ter se sobrepõe aos reais valores de cada um − é o se você nada tem nada vale. Este que aparece todo ano no período natalino, nada tem de sincero, visto que não passa de um símbolo de um regime insensível e materialista. É a presença viva do capitalismo selvagem que invade nossas vidas, mudando nossos hábitos saudáveis e naturais. Esse tal de papai Noel corrompe nossas crianças, transformam nosso sadio pensar em algo desumano. Usurpa essa data divina em seu nome, fazendo-nos esquecer, de vez, o que ela realmente representa. A única coisa que lhe interessa é incutir nos outros, que para...

INSENSATO DESPREZO

O que farias se te revelasse neste instante, que tenho um enorme sentimento por ti, além dessa quase amizade? Não! Não respondas agora, assim de supetão. Levada, talvez, por um impensado desinteresse ou, ainda, por um repentino interesse, ou quem sabe, pelo impacto inicial causado por tal surpresa. Espero que penses com calma, para não cometeres nenhum desatino, pois o arrependimento, sempre vem tardiamente. Seja qual for a tua resposta, que seja sincera e definitiva, já que não aguento mais ter os meus olhos só para ti, nem tão pouco, pronunciar sempre o teu nome, quando estou em uma roda de amigos. Não aguento também, ter-te só em meus loucos sonhos e só poder te ver sempre à distância, longe do meu abraço. Tudo isso, sabendo que estais a me rejeitar. Não consigo compreender o porquê de demonstrares tanta indiferença para comigo, se nada de mal eu te faço ou fiz. Também não sei se é real a intenção de ficares ignorando-me, penso que seja só fingimento, só penso, não tenho certeza de ...