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FRENTE E VERSO DO EGO

 
Todo aquele
que opera o sistema
conhece as vulnerabilidades alheias.
Quando ser só mais uma engrenagem
já não satisfaz o ego,
aquele conhecimento é usado,
a fim de retornar ao posto de operador.
 
No topo, o silêncio é o novo aço.
O operador, agora senhor das frestas,
vigia o giro de cada dente da máquina,
pois sabe que a engrenagem que hoje range
é a mesma que amanhã aprende a técnica
de também usar a falha como escada.
 
Mas o posto exige um preço de vigília.
Quem ascende expondo a carne do vizinho
não encontra descanso no veludo da cadeira;
torna-se prisioneiro do próprio mecanismo,
pois quem conhece o atalho da traição
vê em cada sombra o reflexo da própria mão.
 
O ego, enfim, descobre o seu reverso:
A autoridade é um deserto de espelhos.
Quanto mais opera o sistema com frieza,
mais se torna peça do que pretendia dominar.
No fim, o operador é a engrenagem mestre,
tão preso ao centro quanto o resto à margem.
 
Criado em
: 22/4/2026 Autor: Flavyann Di Flaff

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