Pular para o conteúdo principal

O DESPERTAR DE SI

                              

A tomada de consciência só acontece quando estamos em estado de relaxamento, senão, inseridos e dominados pela hiperatividade dos anseios impostos por esta sociedade, apenas nos tornaremos seres em estado de alerta.

A vida moderna, em hipótese alguma, permite-nos um segundo de inércia. Ela nos impõe um regime contínuo de excitação mental, seja por meio de pressões sociais, seja por meio de distrações, o que nos leva a sempre buscar mais e mais, de forma incansável, causando frustrações constantes em quaisquer níveis dessa vida. Ambos os meios já foram naturalizados e internalizados por cada um de nós, tanto que já se tornaram corriqueiros em nossa existência terrena. Tudo isso é algo proposital, feito para a nossa fácil domesticação, alienação por parte daqueles que regem este mundo material. 

A não tomada de consciência de si e o excesso de importância dado à identidade física limitada – o “eu” – gera esta consequência: a autodestruição. Então, é a imposição por vivermos, cada vez mais, em uma sociedade veloz, que não nos permite o despertar para a consciência de si. Mas nos autoriza a regredir a uma condição de animais que vivem em um eterno estado de alerta mental, sempre ansiosos, tensos pela manutenção da sobrevivência, dia a dia. Gerando, com isso, uma célere regressão no processo de evolução da espécie humana, que tem o poder de determinar o ritmo da sua própria evolução, porém permite que uns poucos usurpem esse controle e o façam seguir rumo inverso.

Criado em: 31/12/2020 Autor: Flavyann Di Flaff

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AFETADO PELA POESIA

  Dobrando rapidamente a esquina do Tempo, sou assaltado pela Poesia. Pela emoção, ela me pega de jeito. Inicialmente, permaneço estático, retrato da impotência diante do inevitável. Revolucionária, arranca de mim tudo que não lhe serve, despindo-me das insignificâncias que julgava serem valores. Audaz, enche-me de coragem, numa espécie de mais-valia, pois, sem aquelas, eu nada mais valia, uma vez que nada mais possuía. Refeito, possuidor agora de toda a potência da Poesia, sigo espalhando amor, pregando e fazendo justiça por onde eu for.   Criado em : 11/12/2022 Autor: Flavyann Di Flaff

FRÁGIL ESPERANÇA

      Meus sonhos, antes e sempre sonhados, foram e estão todos despedaçados! Talvez por total falta de empenho ou competência minha em torná-los concretos, se bem que a ausência plena de apoio emperra e encerra quaisquer sonhos. Por tudo isso, meus sonhos se tornaram uma fonte contínua de desilusão. Se antes me julgava morto, hoje, estou sepultado nessa casa, seguindo uma rotina massacrante, que, em nada, prepara-me para novas perspectivas. Por isso o pensamento de ter despertado tardiamente me assola dia a dia, tornando-se mais uma tortura para minh'alma. Noites incontáveis chorei por remoer uma situação ruim e que parece nunca ter um final. Muito tenho clamado aos céus, mas penso que tenho pecado demais para merecer sequer uma pequena graça e, assim, permaneço com o semblante dorido de um eterno derrotado, que não sabe o que será do seu amanhã. Esperando, pelo menos, em ter um amanhã, para, assim, poder sentir o doce e prazeroso sabor da ressurreição e da remiss...

REPRESENTANTES DO COLETIVO

Carregam na lapela os jeitos, os jeitinhos, os atalhos que a rua ensina, e que a gente finge não reconhecer no próprio passo.   Escândalos brotam, como frutos amargos de uma mesma terra: a que a mão social rega com descuido e conveniência.   E quando apontamos o dedo, três retornam ao peito, lembrando-nos de que, às vezes, o que chamamos de “eles” não passa de um reflexo insistente do que ainda somos todos nós.   Criado em : 22/11/2025 Autor : Flavyann Di Flaff