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MULHERES DO PARLAMENTO

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Vivem para os líderes de seus partidos, orgulho das massas! Quando eleitas, performam, Se mostram, se exibem; Quando silenciadas, não reclamam; Se ajoelham, pedem, imploram Mais glórias àqueles que lhes punem.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Sofrem por seus líderes de partido, poder e força do Parlamento! Quando eleitos, são empossados, Elas lhes tecem longos discursos cordatos.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Ocupam lugar no poder, Mas elas não têm gosto ou vontade, Nem respeito, nem visibilidade, Só medo de perder o parco cargo.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlamento! Despem-se da vaidade para eleger os seus líderes de partido! Quando eles se reelegem, Costumam ensaiar respeito, Mas, no fim de tudo, alçados ao poder de novo, Sempre voltam a lhes falar aos brados, Mostrando quem detém o poder de decidir.   Mirem-se no exemplo daquelas mulheres do Parlame...

MOVIMENTO CRUZADO

Todas as cruzadas têm um quê de instinto selvagem: autopreservação, ausência de filtro social, intensa paixão. Cruzadas as pernas, perde-se o controle, perverte-se o símbolo. Ser pós-moderno é ser inverídico, criar mil versões do que não foi dito. A nova cruzada é uma luta inventada contra um inimigo imaginário – guerra maniqueísta entre o bem e o mal. Angélico movimento de um ser obsceno.   Criado em : 27/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

MESSIANISMO POLÍTICO

Sebastião foi sequestrado por uma descarada turba hipócrita. Pegaram a esperança, que nele existia, instrumentalizaram-na em prol de uma enviesada alegoria. Todos, que dela se apossaram, foram alçados a herói ou salvador – redentor de todos os problemas do país. É o realismo fantástico usado como solução para as mazelas estruturais de uma sofrida nação.   Criado em : 27/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

O OUTRO

Solaparam a exegese, invertendo a lógica. Impuseram beata hipocrisia à já banalizada democracia. Deturparam a escolástica, ideologizando o método. Uniram a fé cristã com a disputa pelo poder. Lá vem o proxeneta com sua coroa de louros, espertalhão, rufião, manipulador do povo. O político é a representação fiel da essência daqueles que o elegem.   Criado em : 25/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

O ELEITO

A massa a mofa aceita a missiva messiânica de um falso salvador – ceifa eleitoral travestida de lógica religiosa.   Criado em : 25/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

HERÓI REBORN

Valei-me, Deus, pegaram um Judas para Cristo! Antes, encheram-no de virtudes, para que criasse corpo e se tornasse mais apresentável. Diante da massa, na praça, quem não tivesse pecado que atirasse a primeira pedra, por essa narrativa fora lançado. Todos os presentes, emocionados, ovacionaram o novo convertido, antes um perdido, agora um escolhido. E, como César, foi aclamado Cristo, alçado acima de tudo e de todos. Salve o novo beato, futuro salvador dos párias, herói dos fracassados e ressentidos!   Criado em : 25/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

ESCUTATÓRIA

Eis um mundo ruidoso: Streaming, Netflix, Max, Amazon Prime Vídeo, Disney+, Globoplay, Apple TV+, Paramount+, Crunchyroll, MUBI, Spotify, YouTube Music, Deezer, Twitch, YouTube Live, bocas buzinando, buzinas gritando, e celulares atônitos em rotinas atômicas. Tudo isso interno no manicômio da pós-modernidade tecnológica.   Criado em : 24/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AUTORRECONHECIMENTO

Por que somos lépidos em querer nomear o desconhecido, e lerdos em buscar o autoconhecimento? Por que fugimos do divino, customizando-o? As pegadas na areia da praia, a fala do salmista expressa no 139, são registros de uma fuga impossível, porque, se o divino adquire maior consciência à medida que adquirimos mais consciência, não será fugindo de nós mesmos que deixaremos de conhecer a nossa verdade. Por isso, assumamos a nossa sina, a de reconhecermos nossas luzes e sombras.   Criado em : 23/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

DIÁSPORA

Na fronteira entre o descanso eterno e a vida impulsiva e pulsante, circulam alheios transeuntes. No passeio público, palco de cenas cotidianas, crianças dão vida à imaginação: Latas se transformam em carros, rolimãs em patinetes e a calçada de mosaicos vira circuito de corridas. Enquanto ao lado, na distância de um olhar temeroso ou de um atravessar de rua, moradores silenciosos as observam com saudades dessa fase infante. É a presença inexorável da impermanência – fronteira entre o estar e o não-mais-estar – marcada pelo Cruzeiro que nos expia.   Criado em : 22/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

TEATRO DO ABSURDO

  Eis as cenas de ontem e de sempre: Promessas não cumpridas, eleito duvidando das urnas, manipulação eleitoral, eleitor vencido pela sobrevivência. Nesse teatro da existência, há a incomunicabilidade entre o ideal pregado e a realidade vivida. O cotidiano formado por cenas repetitivas, apesar da atuação isolada de personagens diversos – esse é o teatro do absurdo, onde a estase se confunde com o êxtase e o visceral com o cerebral.   Criado em : 22/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

DESAFETO PARENTAL

Os jardins da inocência não cultivados, esquecidos como posse, receberam, dos ventos tecnológicos, sementes dos absurdos. Naquelas terras férteis, onde o afeto não foi cultivado, aquelas sementes floresceram, brotando ervas daninhas à humanidade: abandono afetivo, alienação parental, conflitos de valores.   Criado em : 22/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

LEGADO

Meu filho, estou na caminhada final, por isso me escute! A vida é volátil, às vezes dócil, outras, indomável. Não há certezas, só possibilidades. Mas não desista ante o primeiro fracasso, ele é só o combustível para prosseguir, buscar sempre o melhor de nós. Lembre-se de que o tempo passa, a jovialidade não é para sempre, por isso, convém aproveitá-la, gerar bases sólidas para uma vida, não segura, mas previsível e ajustável. Porque a vida adulta pede consciência e responsabilidade, e, por fim, quando a velhice chegar, você possa rever a sua caminhada com reverência e compreensão.   Criado em : 19/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

VITRINISMO

  Pelas ruas por onde caminhava, destino de frustrações, torto refúgio, sempre via essas lojas a oferecer vidas perfeitas, caras tralhas de felicidade. Disponibilizavam vitrines a todos os olhos nus de salvação verdadeira, e ávidos por uma imediata. Porém, fechavam suas portas ao mínimo sinal de pobreza material. Por amostragem, tudo reluzia puro gozo, eterno enquanto durar o desejo. Certa noite, quando a ausência e o silêncio predominavam, o invisível morador viu a porta da loja entreaberta, curioso por conhecer de perto aquela realidade da vitrine, acessou o desconhecido ambiente. A atmosfera sentida era antinatural, porque tudo parecia artificial, exposição de uma vida estilizada, longe, muito longe da que conhecia. Saiu constrangido dali, porque quase se deixou consumir pela comparação que a imagem vitrificada lhe incitara, como sendo o lado avesso perfeito da vida judiada em que estava.   Criado em : 19/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff ...

LAÇO REFEITO

  Há muito a nossa amizade foi para o brejo. A mantínhamos por um frágil laço, uma corrente virtual de carinho. Mas o tempo passou, circunstâncias adversas surgiram e consumiram meu ser. Recompor-me pediu empenho, cobrou-me tempo e dedicação, ainda me encontro no processo. Logo estarei refeito, mente sã, respiração leve, semblante e coração sossegados. Então, resgatarei, do brejo, a nossa amizade! Celebraremos com um bom café e uma agradável conversa fiada.   Criado em : 18/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

INCONFORMADO

No fundo... do meu olhar, você se enfeitiçou, caiu de quatro, literalmente capotou! Mas o seu ego venceu, fez-lhe crer que o amor que lhe sorria não era meu. Passivo diante do inevitável, nunca mais lhe vi. Então, segui inconformado por você não me assumir.   Criado em : 18/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

MEDIOCRIDADE II

A todos que por ele passaram ao longo de sua jornada, guardou em segredo – típico de um acumulador nato. De tanto ouvir ladainhas, deixou-se ser convertido – fantoche de adeptos de um fanzine gospel. Eles lhe davam pertencimento, apesar de pregarem o que não praticavam – hipócritas de carteirinha. Mas tudo valia para manter a máscara – guardiã da imoralidade vivida. Quando o juízo finalmente chegou, lançou mão de todos os tipos colecionados, alegando que eles o induziram ao mal, porém, esqueceu de um detalhe, o de que, apesar da indução alheia, a sua alma pertence só a si. Portanto, de nada adiantou a conveniente apresentação de culpados, sucumbiu à sua própria mediocridade.   Criado em : 15/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

CHAMPAGNE

Tua presença me acompanha desde aquele nosso encontro, e por não te ter de novo, me entristeço.   Recordo-me, Roberta, houve um convite silencioso por meio de olhares tímidos, mas que foi percebido por mim e ti.   Assim, começava esta história. Tu mal chegavas e já atraías a minha atenção. Meus sentidos eram só para ti, porque nada ao redor mais me interessava.   Tudo era desculpa para estar a teu lado, porque o importante era amar a ti da forma como deveria ser, sem reservas e nem porquês.   Agora, esse é o nosso segredo! Dele, resta-me apenas festejá-lo, por isso, ergo esse brinde, apesar de não ter mais a tua companhia.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

PARÓDIA QUIXOTESCA

De repente, juntou as tralhas da infância, inspiração patológica, e foi ser gauche na vida política. Sentimentos nada nobres o inspiraram a criar inimigos, reflexo das falas belicosas paternas – força armada por ignorância conveniente. Os problemas estruturais, ignorou, agindo como seus pares legislativos agem. Foi nas pautas de costumes que construiu seu projeto de governo, criminalizando tudo e todos, mas só até o dia que for cortar na própria carne, afinal, todo legalista extremista, como todo religioso idem, prega a justiça só para os inimigos, nunca para si e para os seus. Para justificar seus fracassos, criou o bode expiatório, nomeando-lhe com o vulgo do adversário, assim, culpá-lo-ia cinicamente por tudo. Por fim, felizmente, a vida imita a arte, e o final da história se repetiu.   Criado em : 12/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff  

AUTORRETRATO

  Nesta selva de pedra, ninguém assume as feridas, prefere parecer fera, ferindo e ferindo-se, em um misto irracional de canibalismo e autofagia. Ao tentar fugir dessa realidade, diante do mar da existência, se vê colosso rochedo, impassível aos arroubos emocionais desse imenso mar. A olho nu, sempre inquebrantável, porém, basta um olhar mais atento, que logo se verá a base corroída pelas idas e vindas das ondas de choque, revelando, no final, que sucumbe aquele que projetava, nos outros, aquilo que refutava em si mesmo.   Criado em : 11/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff

FILHO DA MÃE

Oh, mama, mama, mama nas tetas deste Estado patriarcal! Toma o lugar das multidões famintas que lhe elegeram como representante. Cegas, as mãos estendidas para lugar nenhum, esperam o altruísmo instrumentalizado de algum prolixo candidato a salvador dos párias. E, a essa massa desejante e ansiosa, um filho da mãe responde, só porque estamos no período eleitoral.   Criado em : 7/7/2026 Autor : Flavyann Di Flaff