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Mostrando postagens de dezembro, 2025

TÍTULO DE HERÓI

  Chamam de força, o que é cansaço crônico; de vocação, o que é falta de escolha.   Aplaudem quem não adoece, mesmo doente; quem não falta, mesmo exausto; quem aceita tudo, como se fosse honra não ter limites.   O salário curto vira prova de caráter, a jornada longa, medalha invisível; a ausência de direitos, um teste de “resiliência”.   E, assim, o sistema lava as mãos, enquanto distribui troféus simbólicos a quem apenas sobrevive.   Não é heroísmo, é sobrevivência romantizada. E nenhum aplauso paga o preço de uma vida precarizada.   Criado em : 29/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

UTOPIA

Quando vagamos... desamparados, feridos e perdidos, necessitamos mais do que apelar para a tradição, a crença ou os mitos, por isso, não basta começar com o pé direito. Faz-se necessário um choque de realidade, meter os dois pés na porta, para que, despertos, possamos enxergar bem os fatos por trás das cortinas de fumaça, na esperança utópica de mudar positivamente a realidade do ano que já se anuncia.   Criado em : 21/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

ARTIFÍCIO

  A torta é Panificio Mallet, o frango é Perdigão, o peru é Sadia, o refrigerante é Coca-Cola. Tudo pronto! Praticidade e comodidade. A hipocrisia bem-vestida, a desarmonia travestida, a felicidade inibida, e o amor totalmente ausente. Então, é Natal!   Criado em : 19/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

A ONIPOTÊNCIA DO CANSAÇO

O nunca delegar a outros alimenta o eu faço. A vida se torna o paraíso do controle, em um mundo onde quase tudo não tem domínio. Então, perdemos o sono por pensar no que pode ser feito. Assim, a insônia é o sempre fazer, irremediável Sheol.   Criado em : 19/12/2025 Autor: Flavyann Di Flaff  

A CEGUEIRA QUE VÊ

  Não é a falta de olhos que nos faz perder-se no mundo, mas a certeza vã de que já vemos bem. Crê-se lúcido quem passa ileso pela dor do seu próximo, chamando hábito de virtude, regra de justiça, conforto de moral.   A verdadeira cegueira é não desconfiar da própria luz.   Há os que nascem sem confiar nos olhos e, por isso, tateiam o mundo com consciência, tocam o outro como presença e aprendem muito cedo que saber ver é responsabilidade.   Esses enxergam não pelo que lhes ensinaram a olhar, mas pelo que a humanidade exige que nunca seja ignorado de fato.   Criado em : 14/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

FLUXO EXISTENCIAL

  Quando a voz falhar, lhe entregarei uma flor, lhe abraçarei bem devagar para lhe mostrar o que interdito ficou.   Quando as pernas começarem a fraquejar, pedirei ao vento que leve até você notícias minhas para guardar e nunca mais esquecer.   Quando o coração hesitar, lembrarei o que fomos, não como motivo para chorar, mas para ver o quanto volúvel somos.   E a vida é isto: Eterno fluxo de mudança, num sobe e desce infinito.   Criado em : 14/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

PARADOXO

  Prometeram asas ao tempo e nos deram poltronas. Tudo ao alcance do toque, nada ao alcance da ação.   O esforço virou perda de energia, o agora venceu o viver o processo. Há prazer em adiar o passo, quando o caminho se faz longo e solitário.   Máquinas lembram, pensam, fazem, enquanto o sujeito espera. Quanto menos se exige de nós, menos de nós permanece.   Assim, a tecnologia avança, sob o lema praticidade e comodidade, como progresso imóvel: quanto mais fácil o mundo, mais difícil é tomar iniciativas.   Criado em : 13/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

[RE]NOMEAR

  Quando uma palavra muda, anistia vira dosimetria, o chão do Direito treme, e o que era firme se desfaz. É então que vemos a luta feroz pelo poder de renomear o mundo, pois quem dita o nome, erige o regime da verdade.   Foucault revela o discurso que domina; Bourdieu, a violência suave do símbolo; Derrida, o sentido sempre em fuga. Assim, cada termo deslocado reinscreve o real em nova ordem: um simples gesto de linguagem que desfaz e refaz fronteiras no silêncio profundo do poder.   Criado em : 11/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

DESPERTO

  Vestiram-me de fraco, eu, fragilizado, aceitei. Vestiram-me de miserável, eu, necessitado, aceitei. Vestiram-me de militante, eu, ignorante, aceitei. Vestiram-me de religioso, eu, descrente, aceitei. Vestiram-me de incapaz, eu, impotente, aceitei. Por muito tempo, manipularam-me, eu, sem conhecimento, permiti. Hoje, estou refeito! Abri os olhos e a mente, de tudo ao meu redor, tomei ciência. Agora, sigo o caminho que escolhi, à distância da multidão sempre!   Criado em : 10/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

PAR PERFEITO

  Descobri a existência da liberdade por mero acaso, quando vi, pendurada em um alpendre, uma gaiola com a porta aberta, porém, permanecia dentro dela, um belo e cantante passarinho. De início, nada entendi, porque a liberdade estava posta, e a ave não a desfrutava. Até que, refletindo mais um pouco, entendi que só se desfruta da liberdade, quando se tem autonomia, porque, sem esta, aquela vira alienação. Então, compreendi que o passarinho, por passar tanto tempo cativo, perdeu a sua capacidade de viver de forma plena, tornando-se dependente do que lhe era oferecido facilmente, o que podou suas asas e fez cessar o vento que as sustentava. Criado em : 9/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

SUPREMACIA DA RAZÃO

Discussão é uma conversa que desagua em divergências extremas. Não há diálogo, porque não se deseja mudar de opinião. Só existe a presença da disputa, pira acesa da competição interpessoal, desafio de prevalência do ego, em que o vencedor leva o prêmio tão almejado de supremacia da razão.   Criado em : 8/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

FAIXA POPULAR

  Houve um tempo em que a faixa de areia das praias era de domínio público, pois não existia ainda a coerção hegemônica da privatização desse ambiente natural. Naquele trecho, entre as habitações e o mar, desfilava toda a diversidade presente em uma sociedade que exalava humanidade. Naquele tempo, era a classe menos favorecida, que, em maioria, frequentava aquele território livre, enquanto a mais abastarda se enclausurava nos clubes sociais, com seus salões e piscinas, ambientes estilizados e elitizados. O mar lavava a alma do povo simples, aliviando-a do fardo da sobrevivência diária. Nesse evento de purificação, ajuntavam-se o povo citadino e o interiorano, em um momento de pura harmonia e diversão. Enquanto o segundo vinha de ônibus fretado, com almoço pronto nas panelas guardado e a alegria exposta ao sol, o primeiro, por ter mais familiaridade, parecia não ter mais encanto por aquele belo lugar. O povo interiorano, ao ficar diante do mar, parecia reverenciá-lo. Via-se is...

SOS ESPIRITUALIDADE

  Nos quartos cantos do mundo uma onipresença nos vende quinquilharias mundanas, subjetividades supérfluas que só aliviam as dores, sem curar feridas abertas.   As cidades amplificam os ruídos de uma sociedade doente. Carros e motos refletem a aceleração do pensamento, do sentimento, da vida, em m/s 2 .   Do culto ao deus customizado da ostentação, do prazer banalizado, da prosperidade sem propósito. do vazio como promessa redentora, muitos já aparentam cansaço. Porque até os fortes, por detrás da aparente fortaleza, também estão fartos de andar na escuridão.   É um esgotamento persistente que não se cura com descanso, mas apenas com a mudança de hábitos. Joguemos no lixo os presentes dos vendilhões modernos, fujamos da customização do Theos , desprezemos o vazio como cura.   Porque, em muitas casas, quando o silêncio impera, os sussurros são um pedido por transcendência. Se muitos fugiram, não foi da espiritualidade, mas do que fizeram dela. Voltemos, então,...

AUSÊNCIA DE JUSTIÇA

  Diante da violência que se repete sem repouso e dos escândalos que ferem as instituições públicas, vemos apenas a lei cumprir o seu rito pragmático e frio, como se bastasse o peso do ato do malhete para restaurar o que a dor e a corrupção já desfizeram. Mas a Justiça — essa que repara, restaura e humaniza — parece sempre tardar no horizonte da vida real, presa em sombras que ninguém vislumbra; e o que nos chega é só a norma sem vida, nunca o gesto que verdadeiramente faz justiça.   Criado em : 4/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff

HUMANO DEMAIS

Por que, mesmo em Teu barco, sinto medo?   Por que, mesmo sob tuas promessas, busco o prazer fútil?   Por que, mesmo na certeza de tuas bençãos, entrego-me ao desespero?   Sou humano, humanamente humano!   Criado em : 2/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff  

DESUMANIZAÇÃO

  Um fato numa manchete manipulada em redes sociais veiculada, mal se fez presente no virtual ambiente, e as pedras já foram lançadas.   Atingiram a imagem do indivíduo da mesma forma que a histórica prostituta! Não houve, do caso, prévia escuta, só julgamentos incitados por textos sem cuidados, feitos só para engajar, gerar curtidas e monetizar.   A desumanização evoluiu, biotecnologia global em reels , é a junção do ser com a máquina, crueza em estado hegemônico. Nessa pós-moderna tática, pode parecer irônico, mas perdemos, de vez, a batalha!   Criado em : 1/12/2025 Autor : Flavyann Di Flaff