No Templo da Pós-Modernidade, onde os
vendilhões fazem a devassa nos incautos, a balbúrdia de seus frequentadores causa
desorientação naqueles que passam ao largo. Pousados em suas portas, os neoanjos
ofuscam, com seus opulentos e artificiais discursos, a verdade de suas
intenções, como se os que ali adentram, vivessem, constantemente, sob uma forte
cortina de fumaça, deixando-os inaptos a dimensionar a realidade em que, logo,
estarão entranhados. Dentro daquela construção grandiosa, a parafernália tecnológica,
com seus ruídos dissonantes, compõe a sua ode altissonante à Pós-Modernidade.
For Hall, todos que dessa sociedade fazem
parte, definem-se historicamente, desprezando o ser-biológico. Eles se satisfazem na
identidade líquida, formada e transformada continuamente, sob a influência de
alheios sistemas culturais.
Ádito da sacrossanta recentissimorum
modorum saecularia, construído industrialmente e endossado por segundas e
aguerridas intenções. O que pregam em seu interior são princípios que
pervertem a mais letrada criatura, afinal, de carne ela é feita, sensível,
portanto, às mais distintas e diversas paixões.
Bombardeada por informações
difusas, cede aos interesses dos que pregam a ausência de valores e regras, a imprecisão,
o individualismo, a pluralidade, a mistura do real e do imaginário
(hiper-real), a produção em série, a espontaneidade e a liberdade de expressão.
Tudo isso proporciona uma falsa impressão de autonomia social, o que leva o
indivíduo a basear a sua vida na efemeridade, no narcisismo e no hedonismo, ou
na busca incessante de prazeres fragmentados e pluralistas. Em outras palavras, exporá
a sua vida em forma de um simulacro, substituindo a própria realidade, só para
atrair a participação e interação do público, este já doutrinado pelos meios de
comunicação e da era digital – assim se dá a espetacularização da vida privada. E assim
caminha a humanidade!
Criado em:
31/8/2019 Autor: Flavyann Di Flaff

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